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À frente da reorganização do PL, ex-governador chega ao Senado com mais de 900 mil votos, lidera a maior bancada estadual e amplia sua influência no Congresso, consolidando um novo desenho de poder em Mato Grosso do Sul.

A eleição de 2026 encerra um ciclo da política sul-mato-grossense e consolida outro. O PSDB, que durante anos abrigou as principais lideranças do grupo que governa Mato Grosso do Sul desde 2015, já não concentra o mesmo poder partidário. A estrutura política que orbitava a legenda passou a se distribuir, principalmente, entre o Progressistas e o Partido Liberal.

No centro dessa transformação está Reinaldo Azambuja.

O ex-governador deixou o PSDB em setembro de 2025, assumiu a presidência estadual do PL e levou consigo parte significativa da estrutura municipal construída ao longo de sua trajetória. Pouco mais de um ano depois, chega ao Senado Federal com 903.554 votos e vê o partido conquistar nove cadeiras na Assembleia Legislativa, três na Câmara dos Deputados e as duas vagas em disputa para senador.

O governador Eduardo Riedel, por sua vez, foi reeleito pelo PP em primeiro turno, com 914.323 votos, equivalentes a 67,07% dos votos válidos.

Não se trata apenas de uma troca de nomes ou siglas. O resultado altera o peso relativo dos partidos, redefine a formação das bancadas e inaugura uma relação institucional na qual o governador permanece à frente do Executivo, enquanto o PL constitui a maior força individual do Legislativo estadual.

A leitura política do resultado aponta para uma característica central: os poderes estão distribuídos entre lideranças que, apesar de pertencerem a partidos diferentes, participaram de uma aliança eleitoral comum.

Para Reinaldo, o desempenho nas urnas reforça uma condição construída ao longo de décadas. Depois de exercer dois mandatos como governador e participar diretamente da formação de sucessivas alianças municipais e estaduais, ele se consolida como o principal articulador político do novo desenho de poder em Mato Grosso do Sul.

O tamanho do PL depois das urnas

Os resultados de 4 de outubro demonstram a expansão da representação institucional do Partido Liberal em Mato Grosso do Sul.

IndicadorResultado do PL
Senadores eleitos por MS2 de 2
Bancada estadual9 de 24
Participação na Assembleia37,5%
Bancada federal3 de 8
Participação na Câmara por MS37,5%
Votação partidária para deputado federal459.256 votos
Municípios onde liderou a votação federal58 de 79
Prefeituras após filiações de setembro de 202523

Os números eleitorais confirmam uma ampla presença do partido no Estado. No caso das prefeituras, o dado representa a composição documentada após o movimento de filiação de setembro de 2025, e não uma nova eleição municipal.

Um aspecto merece destaque: em ambas as casas legislativas proporcionais, o PL conquistou exatamente 37,5% da representação de Mato Grosso do Sul.

Essa distribuição amplia o espaço institucional do partido, mas não lhe concede maioria absoluta isoladamente em nenhuma das duas bancadas.

A articulação de Reinaldo começou antes de 2026

O resultado eleitoral tem raízes em uma movimentação partidária iniciada no ano anterior.

Em 21 de setembro de 2025, Reinaldo Azambuja formalizou sua entrada no PL durante um evento em Campo Grande. Acompanhado por 18 prefeitos que também deixaram o PSDB, provocou uma alteração imediata no mapa político municipal.

A legenda, que contava com cinco prefeituras, passou a reunir 23 administrações municipais, conforme levantamento publicado à época pelo Campo Grande News.

O movimento incluiu gestores de municípios como Maracaju, Itaquiraí, Ivinhema, Bonito, Anastácio, Jardim, Rio Negro e Mundo Novo.

Azambuja também assumiu a presidência estadual do PL, com apoio da direção nacional.

Em março de 2026, outra etapa da reorganização foi formalizada com a filiação de deputados estaduais que passaram a integrar o partido. Entre os nomes estavam Mara Caseiro, Zé Teixeira e Paulo Corrêa, egressos do PSDB, além de Márcio Fernandes e Lucas de Lima.

O ingresso dessas lideranças permitiu ao PL organizar uma nominata formada por parlamentares com votação anterior, estruturas territoriais e trajetórias políticas distintas.

A eleição deste domingo documentou o resultado desse processo de reorganização partidária.

Mais do que depender exclusivamente da votação de uma candidatura majoritária, o partido passou a reunir estruturas municipais, nomes com mandatos e candidaturas distribuídas por diferentes regiões do Estado.

É justamente nessa capacidade de reunir lideranças, administrar interesses partidários e manter interlocução com diferentes forças políticas que está um dos elementos centrais da trajetória de Reinaldo Azambuja.

A eleição ao Senado acrescenta uma nova dimensão institucional a essa articulação.

As duas vagas do Senado: Reinaldo e Contar

A eleição de Reinaldo Azambuja e Capitão Contar representa uma mudança expressiva na representação de Mato Grosso do Sul no Senado.

Os dois concorreram pelo PL e conquistaram as vagas disponíveis neste pleito.

Senador eleitoPartidoVotosVotos válidos
Reinaldo AzambujaPL903.55434,64%
Capitão ContarPL856.04532,82%
Total dos dois candidatos1.759.59967,46%

Os percentuais são calculados sobre os votos válidos para o Senado, eleição em que cada eleitor podia escolher dois candidatos.

Com o resultado, Reinaldo e Contar se juntam à senadora Tereza Cristina (PP), que permanece no exercício do mandato conquistado em 2022.

A bancada sul-mato-grossense passará, portanto, a ter dois representantes do PL e um do PP.

Os três pertencem a partidos que participaram da coligação responsável pela reeleição de Riedel.

Uma aliança que nem sempre existiu

A composição também carrega uma particularidade histórica.

Em 2022, Capitão Contar foi adversário de Eduardo Riedel na disputa pelo Governo do Estado. Quatro anos depois, ambos participaram do mesmo projeto eleitoral, com Riedel candidato à reeleição e Contar disputando uma das vagas ao Senado pelo PL.

O acordo entre as lideranças foi construído durante as articulações partidárias de 2026, envolvendo a direção nacional do PL, Reinaldo Azambuja, o Progressistas e a senadora Tereza Cristina.

A nova configuração demonstra como as alianças regionais podem reunir políticos que estiveram em campos eleitorais opostos em disputas anteriores.

Nesse processo, Reinaldo desempenhou um papel central na reorganização do grupo e na consolidação do PL como uma das principais estruturas partidárias de Mato Grosso do Sul.

Nove deputados: a maior bancada da Assembleia é do PL

Se o Senado simboliza o resultado majoritário, a Assembleia Legislativa demonstra a dimensão proporcional alcançada pela legenda.

O PL conquistou nove das 24 vagas disponíveis, com Zé Teixeira liderando a votação estadual.

Deputados estaduais eleitos pelo PL

ParlamentarVotos
Zé Teixeira54.080
Paulo Corrêa44.541
Coronel David41.492
Gianni Nogueira36.108
Odilon Ribeiro35.905
Daverson Matos30.604
André Salineiro28.437
Lucas de Lima26.204
Márcio Fernandes23.122
Soma nominal dos nove eleitos320.493

A soma representa exclusivamente a votação nominal dos nove parlamentares eleitos, não o total de votos recebidos por toda a nominata.

O resultado combina políticos com experiência legislativa e candidatos que passam a integrar a Assembleia em 2027.

Zé Teixeira, Paulo Corrêa, Coronel David, Lucas de Lima e Márcio Fernandes possuem trajetórias parlamentares anteriores. Entre os nomes que chegam à composição estão Gianni Nogueira, Odilon Ribeiro, Daverson Matos e André Salineiro.

A presença de Odilon, ex-prefeito de Aquidauana, e Gianni, vice-prefeita de Dourados, também amplia a representação de trajetórias construídas em administrações municipais.

A nova bancada terá participação relevante nas articulações sobre a Mesa Diretora, nas comissões permanentes, na fiscalização do Executivo e na apreciação das matérias orçamentárias.

Isso não significa que seus nove integrantes atuarão necessariamente de maneira uniforme em todas as votações. A organização interna da bancada e suas posições institucionais serão definidas na nova legislatura.

Como ficou a Assembleia Legislativa

A apuração completa distribuiu as 24 cadeiras da seguinte forma:

Partido ou federaçãoCadeirasParticipação
PL937,5%
Federação União Progressista (PP/União)416,7%
Federação Brasil da Esperança (PT/PV/PCdoB)416,7%
Federação PSDB/Cidadania312,5%
Republicanos28,3%
MDB14,2%
Avante14,2%
Total24100%

Percentuais arredondados. Na totalização consultada, os votos de Jamilson Name permaneciam anulados sub judice, circunstância que poderá produzir alteração posterior caso haja nova decisão judicial.

A leitura da composição mostra que as legendas integrantes da coligação que apoiou Riedel conquistaram, somadas, 20 das 24 cadeiras.

O PT elegeu quatro deputados: Zeca do PT, Tiago Botelho, Gleice Jane e Pedro Kemp.

A diferença é importante. Embora os partidos da coligação governista concentrem numericamente 20 assentos, isso não equivale à existência automática de uma bancada parlamentar única de 20 integrantes.

A confirmação de apoio ao Executivo dependerá das posições assumidas pelos deputados e da articulação política desenvolvida durante a legislatura.

Ainda assim, a composição indica que o governador reeleito inicia seu segundo mandato com partidos aliados eleitoralmente ocupando a ampla maioria da Assembleia.

Câmara Federal: PL conquista três das oito vagas de MS

Em Brasília, o resultado também coloca o PL como a maior bancada individual de Mato Grosso do Sul.

Marcos Pollon foi reeleito com 140.129 votos, seguido por Mara Caseiro, que conquistou 120.199, e Rodolfo Nogueira, reeleito com 103.303 votos.

Os três somaram 363.631 votos nominais.

A bancada federal completa

Deputado federalPartidoVotos
Camila JaraPT154.157
Marcos PollonPL140.129
Rose ModestoUnião Brasil124.409
Mara CaseiroPL120.199
Rodolfo NogueiraPL103.303
Beto PereiraRepublicanos77.485
Isa MarcondesRepublicanos76.956
Dagoberto NogueiraPP56.217

Camila Jara, do PT, foi a candidata individualmente mais votada para deputada federal no Estado.

Outro dado relevante é a eleição de quatro mulheres para a Câmara: Camila Jara, Rose Modesto, Mara Caseiro e Isa Marcondes.

A composição também demonstra que sete das oito cadeiras federais foram conquistadas por representantes de partidos que integraram a coligação estadual de Riedel.

Na prática, a bancada sul-mato-grossense reunirá parlamentares com vínculos eleitorais e partidários distintos, mas também com possibilidades de articulação em temas regionais comuns, como infraestrutura, desenvolvimento econômico, agronegócio, saúde, orçamento e transferências de recursos federais.

Essa convergência, porém, precisará ser construída politicamente, e não pode ser presumida apenas a partir das alianças de campanha.

O PL nacional também sai ampliado das urnas

O resultado de Mato Grosso do Sul acompanha uma expansão mais ampla do Partido Liberal no cenário brasileiro.

Segundo levantamento divulgado pela CNN Brasil na noite deste domingo, a legenda elegeu 19 senadores em 2026 e deverá reunir uma bancada de 28 integrantes no Senado a partir de 2027, considerando também os parlamentares que já possuem mandato em andamento.

O partido terá, assim, a maior bancada individual da Casa.

PartidoBancada nacional projetada para 2027
PL28
PT9
MDB8
Republicanos6
PP6
União Brasil5
PSD5
PSB4
Novo3
Podemos2
PSDB2
Rede1
PDT1
Sem partido1
Total81

Distribuição nacional divulgada pela CNN Brasil na noite de 4 de outubro, sujeita a alterações decorrentes de suplências e mudanças partidárias.

Além de Mato Grosso do Sul, o PL conquistou as duas vagas ao Senado em unidades da Federação como Distrito Federal, Rio de Janeiro, Rondônia e Santa Catarina.

A eleição de nomes como Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, no Distrito Federal, e Carlos Bolsonaro e Carol de Toni, em Santa Catarina, reforça a presença de lideranças associadas ao bolsonarismo na composição nacional.

O resultado amplia o espaço da legenda nas futuras negociações sobre a presidência do Senado, composição das comissões e tramitação de propostas legislativas.

Entretanto, uma bancada de 28 senadores não representa maioria absoluta em uma Casa formada por 81 integrantes. Para aprovar matérias que exigem maioria absoluta, são necessários 41 votos; nas deliberações que dependem de dois terços, são necessários 54.

O crescimento amplia a capacidade de negociação do PL, mas não elimina sua necessidade de construir acordos com outras legendas.

Flávio Bolsonaro leva o partido ao segundo turno

A reorganização do Congresso ocorre simultaneamente à disputa presidencial.

Flávio Bolsonaro, candidato do PL, e Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, avançaram para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.

A eleição presidencial permanece um componente importante na definição das relações entre Executivo e Legislativo a partir de 2027.

Independentemente do resultado da segunda votação, o novo Congresso deverá receber uma bancada ampliada do PL no Senado, com maior participação da legenda nas articulações institucionais.

Para Mato Grosso do Sul, esse cenário coloca Reinaldo Azambuja e Capitão Contar dentro de uma representação partidária nacional numericamente fortalecida, ao lado de Tereza Cristina, do PP, outra liderança sul-mato-grossense com participação relevante nas articulações de sua legenda.

Riedel, Reinaldo e Tereza: como fica o centro das decisões em MS?

Uma das particularidades do novo cenário estadual é que os principais postos institucionais estarão ocupados por representantes de dois partidos aliados.

Eduardo Riedel permanecerá no comando do Executivo pelo PP. Reinaldo Azambuja, presidente estadual do PL, assumirá uma cadeira no Senado. Capitão Contar ocupará a segunda vaga da legenda, enquanto Tereza Cristina continuará representando Mato Grosso do Sul pelo Progressistas.

Na Assembleia, o PL terá nove deputados e a Federação União Progressista, integrada por PP e União Brasil, outros quatro.

A estrutura que antes estava predominantemente reunida no PSDB passou, portanto, a ocupar espaços em diferentes partidos.

Essa reorganização pode produzir duas consequências políticas importantes.

A primeira é o aumento da necessidade de negociação entre as direções partidárias, especialmente nas discussões sobre cargos institucionais, orçamento e programas de governo.

A segunda é a possibilidade de Mato Grosso do Sul desenvolver articulações com diferentes bancadas do Congresso Nacional, já que suas principais lideranças estarão vinculadas a duas das legendas que concentram representação relevante em Brasília.

O desenho, entretanto, também contém diferenças internas. Reinaldo, Contar, Riedel e Tereza possuem trajetórias, bases eleitorais e posições partidárias próprias.

O alinhamento que funcionou durante a campanha deverá ser observado na prática a partir de 2027.

E o PSDB?

O partido que abrigou Reinaldo Azambuja e Eduardo Riedel durante o ciclo anterior chega à próxima legislatura com três deputados estaduais: Pedro Caravina, Ângelo Guerreiro e Paulo Duarte.

A sigla permanece representada na Assembleia e participou da coligação responsável pela reeleição do governador.

O resultado, no entanto, mostra uma mudança importante em sua posição relativa.

Em 2022, a Federação PSDB/Cidadania havia conquistado sete cadeiras na Assembleia Legislativa. Agora são três.

A saída de prefeitos, parlamentares e lideranças para PL e PP contribuiu para a alteração do equilíbrio partidário.

O PSDB deixa de concentrar sozinho o grupo político que ajudou a construir e passa a dividir o espaço institucional com outras legendas.

O que está em jogo a partir de agora

A nova Assembleia tomará posse em fevereiro de 2027. Até lá, a movimentação política deverá passar pela formação das bancadas, pelas negociações para a Mesa Diretora e pela organização das comissões permanentes.

No Congresso, a presença de dois senadores do PL e uma senadora do PP, além de uma bancada federal composta por cinco partidos, abrirá uma nova etapa de articulação regional.

Há ainda uma eleição municipal no horizonte: 2028.

O pleito deste domingo não determina antecipadamente as alianças locais futuras, mas modifica os instrumentos partidários disponíveis para a organização das disputas municipais, sobretudo pelo tamanho da estrutura do PL e pela distribuição de sua representação institucional.

Para Reinaldo Azambuja, a eleição representa também uma mudança de escala em sua carreira: depois de oito anos no Governo do Estado e de um período dedicado à reorganização partidária, assume uma vaga no Senado com mandato até 2035.

Para Riedel, o desafio será conduzir o segundo mandato em um ambiente no qual a legenda do ex-governador e aliado possui a maior bancada da Assembleia.

E, para os demais partidos, a eleição estabelece uma nova correlação de forças, que deverá orientar as negociações legislativas e administrativas dos próximos anos.

O resultado das urnas define o tamanho de cada bancada. O modo como esse poder será exercido dependerá dos acordos, das decisões e dos conflitos que surgirem ao longo da nova legislatura.

Mato Grosso do Sul encerra a eleição de 2026 com uma estrutura partidária diferente daquela que iniciou o atual ciclo de governo: o PSDB já não concentra as principais lideranças do grupo, o PP permanece no Executivo e o PL emerge como sua maior força legislativa individual.

Reinaldo Azambuja, que ajudou a construir o ciclo anterior, chega ao Senado à frente do partido que concentra a maior bancada estadual e duas das três cadeiras sul-mato-grossenses no Senado. Mais do que uma vitória individual, o resultado consolida sua atuação como maior articulador político de Mato Grosso do Sul no novo desenho institucional.

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