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Ex-governador defendeu redução da máquina pública, criticou o crescimento dos gastos sociais e apresentou Mato Grosso do Sul como contraponto ao modelo adotado em Brasília

Em encontro com produtores rurais, empresários e lideranças políticas, em evento no município de Maracaju, neste sábado 11 de julho, o ex-governador Reinaldo Azambuja ampliou as críticas à condução econômica do governo federal e defendeu uma revisão profunda das prioridades orçamentárias do país.

A fala começou pelas dificuldades enfrentadas pelo agronegócio, mas rapidamente avançou para um diagnóstico mais amplo sobre a economia brasileira, o tamanho do Estado, os programas sociais e a capacidade do governo federal de investir em infraestrutura.

Azambuja afirmou que o momento atual exige reflexão de todos os setores produtivos. Segundo ele, a crise não está restrita ao campo, mas alcança também o comércio, a indústria, o transporte, o mercado imobiliário e diferentes atividades econômicas.

Ao mencionar o cenário do agronegócio, o ex-governador comparou a situação atual com o período de forte endividamento rural registrado entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2000.

Naquele momento, segundo relembrou, produtores organizaram movimentos como o tratoraço e o caminhonaço para pressionar o governo por medidas de renegociação das dívidas acumuladas.

Azambuja citou esse período para sustentar que o setor produtivo já enfrentou crises profundas, mas conseguiu reagir quando houve reorganização financeira, acesso ao crédito e condições para ampliar os investimentos.

Na avaliação apresentada por ele, a resposta do agronegócio veio em forma de sucessivos recordes de produção e de uma contribuição decisiva para o crescimento da economia brasileira.

Durante o discurso, o ex-governador também destacou que a cadeia do agronegócio não se limita às propriedades rurais. Ela envolve agroindústrias, comércio, transportadoras, prestadores de serviços e milhares de trabalhadores ligados direta ou indiretamente à produção.

Segundo Azambuja, aproximadamente 29 milhões de empregos formais no Brasil estariam relacionados a essa cadeia. O número foi apresentado no discurso como demonstração do peso econômico e social do setor.

O ex-governador afirmou ainda que há sinais preocupantes em diferentes regiões do país, como propriedades colocadas à venda, estabelecimentos fechando as portas e empresários buscando oportunidades em países vizinhos.

Para ele, esse cenário indica que existem problemas estruturais na condução econômica nacional e exige uma discussão mais ampla sobre as escolhas feitas pelo governo federal.

Estado menor e mais investimento

Azambuja utilizou sua experiência no governo de Mato Grosso do Sul para defender a redução dos gastos internos da administração pública.

Ele afirmou que, ao assumir o Estado, encontrou uma estrutura considerada excessivamente grande e com elevado custo administrativo.

Segundo o ex-governador, a estratégia adotada foi reduzir despesas da máquina pública para liberar recursos destinados a áreas que afetam diretamente a população.

Segurança, saúde, educação, infraestrutura e desenvolvimento econômico foram citados como exemplos de investimentos que só se tornam possíveis quando o governo consegue controlar seus próprios gastos.

Azambuja classificou o tamanho anterior da estrutura pública como um “mastodonte” e afirmou que a mudança ocorreu quando o governo diminuiu despesas internas e ampliou os investimentos externos.

De acordo com ele, Mato Grosso do Sul triplicou o Produto Interno Bruto e também a produção estadual ao longo de 11 anos e meio.

O ex-governador atribuiu esse crescimento à criação de condições para o setor produtivo investir, gerar empregos e ampliar a produção.

Ele também reconheceu a participação dos produtores nesse processo, ao afirmar que o governo criou condições, mas que a resposta econômica veio da iniciativa privada.

Críticas ao governo federal

Ao tratar do cenário nacional, Azambuja endureceu o discurso contra o grupo político que ocupa atualmente o governo federal.

Ele afirmou que, nos últimos 22 anos, o mesmo partido esteve à frente da Presidência da República durante a maior parte do período.

Na avaliação do ex-governador, esse grupo político adotou um modelo de gestão marcado pelo aumento dos gastos públicos e pela baixa eficiência na utilização dos recursos arrecadados.

Azambuja disse que o país direciona energia e dinheiro para ações que nem sempre produzem resultados econômicos ou sociais permanentes.

A crítica foi acompanhada de uma ressalva.

O ex-governador afirmou que não é contrário aos programas sociais e lembrou que Mato Grosso do Sul ampliou medidas de proteção durante a pandemia.

Segundo ele, o Estado chegou a direcionar cerca de R$ 1 bilhão em um único ano para atender pessoas em situação de vulnerabilidade, diante da redução de empregos e da insegurança alimentar provocadas pela crise sanitária.

A diferença, de acordo com Azambuja, estaria na natureza emergencial daquelas medidas.

Ele defendeu que os programas sociais devem funcionar como uma ponte para que as pessoas consigam retornar ao mercado de trabalho, e não como uma estrutura permanente de dependência.

O ex-governador afirmou que o Brasil gasta atualmente cerca de R$ 355 bilhões por ano com programas sociais, incluindo Bolsa Família, Vale Gás, Benefício de Prestação Continuada e Pé-de-Meia.

Esse valor foi utilizado no discurso como contraponto à baixa disponibilidade de recursos para investimentos estruturantes.

Infraestrutura como exemplo

Azambuja citou o orçamento do Ministério da Infraestrutura para reforçar a crítica à distribuição dos gastos públicos.

Segundo ele, a pasta dispõe de aproximadamente R$ 19 bilhões para financiar obras estruturantes em todo o país ao longo do ano.

O ex-governador afirmou que o volume seria insuficiente diante das necessidades brasileiras e comparou esse valor com o total destinado aos programas sociais.

A Rota Bioceânica apareceu como exemplo concreto dessa dificuldade.

Azambuja afirmou que a ponte internacional deve ter sua estrutura unida em breve, mas que as obras de acesso ainda levarão cerca de um ano e meio para serem concluídas.

Na avaliação dele, o país poderá ter a ponte pronta sem contar imediatamente com toda a infraestrutura necessária para chegar até ela.

O exemplo foi utilizado para mostrar como a escassez de recursos pode comprometer o ritmo e a efetividade dos investimentos públicos.

Disputa entre modelos

Politicamente, o discurso de Reinaldo Azambuja construiu uma comparação direta entre dois modelos de gestão.

De um lado, colocou o governo federal, caracterizado por ele como uma administração de gastos elevados, baixa capacidade de investimento e crescimento da dependência social.

De outro, apresentou Mato Grosso do Sul como exemplo de redução da máquina pública, equilíbrio fiscal e ampliação dos investimentos.

A narrativa fortalece o grupo político que administra o Estado e posiciona o ajuste fiscal como condição necessária para o crescimento econômico.

Também amplia o alcance da mensagem para além do agronegócio.

Embora o campo tenha sido o ponto de partida, o discurso buscou atingir empresários, comerciantes, trabalhadores e eleitores preocupados com emprego, crédito, infraestrutura e desenvolvimento.

Ao associar a crise do setor produtivo às escolhas econômicas do governo federal, Azambuja transforma um debate setorial em uma discussão nacional sobre prioridades, tamanho do Estado e responsabilidade fiscal.

O tom adotado indica que economia, infraestrutura e gastos públicos devem ocupar espaço central no debate político de 2026.

Mais do que falar para produtores, o ex-governador apresentou uma leitura de país e deixou clara a defesa de um projeto baseado na redução da máquina pública, no fortalecimento da iniciativa privada e na ampliação da capacidade de investimento do Estado.

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