Ex-deputado federal e ex-secretário de Obras aposta no retorno ao PL, na defesa da logística e do agro e em vitórias judiciais recentes para reconstruir sua presença pública em Mato Grosso do Sul
Poucos nomes em Mato Grosso do Sul carregam uma biografia política tão marcada por força eleitoral, obras públicas, queda brusca e tentativa de reconstrução como Edson Giroto.
Engenheiro civil, ex-secretário de Obras de Campo Grande, ex-secretário estadual de Obras Públicas e Transportes e ex-deputado federal, Giroto voltou ao centro do radar político ao reassumir espaço no PL e se colocar como pré-candidato a deputado federal em 2026.
O retorno não é pequeno.
Giroto tenta voltar à Câmara dos Deputados apoiado em três pilares: a memória de uma votação histórica, a experiência acumulada na área de infraestrutura e decisões judiciais recentes que vêm sendo usadas por ele como símbolo de reabilitação política.
Depois de anos fora da linha de frente, ele busca reconstruir sua imagem pública como um nome técnico, experiente e capaz de defender em Brasília pautas estratégicas para Mato Grosso do Sul, especialmente logística, obras, agro, transporte e infraestrutura.
O engenheiro que virou gestor público
Edson Giroto é engenheiro civil formado pela Escola de Engenharia de Lins, em São Paulo. Natural de Oscar Bressane, nasceu em 23 de setembro de 1959 e construiu sua trajetória política em Mato Grosso do Sul.
Sua entrada na vida pública foi marcada pela área que mais tarde se tornaria sua principal identidade: obras.
Na Prefeitura de Campo Grande, foi secretário municipal de Obras entre 1997 e 2006, período em que passou a ocupar posição de confiança nas gestões ligadas ao grupo político de André Puccinelli.
Depois, no Governo do Estado, assumiu funções ligadas à execução e gestão de empreendimentos públicos. Foi diretor da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos e secretário estadual de Obras Públicas e Transportes entre 2007 e 2010.
Esse período consolidou Giroto como um nome associado à infraestrutura.
A marca política dele sempre esteve menos no discurso ideológico e mais na entrega física: asfalto, ponte, rodovia, prédio público, transporte, logística e obras estruturantes.
É justamente essa imagem que ele tenta recuperar agora.
A eleição histórica de 2010
O ponto mais forte da biografia eleitoral de Giroto está em 2010.
Naquele ano, ele foi eleito deputado federal com 147.343 votos. O desempenho o colocou como o deputado federal mais votado da história de Mato Grosso do Sul até então e como o 8º deputado federal mais votado do país proporcionalmente ao colégio eleitoral.
Não foi uma eleição comum.
A votação mostrou capilaridade, estrutura política e força de reconhecimento em diferentes regiões do Estado. Também projetou Giroto como uma das principais apostas de Mato Grosso do Sul para atuar em Brasília na defesa de recursos federais, obras e projetos de desenvolvimento.
Na Câmara dos Deputados, tomou posse em 1º de fevereiro de 2011 para o mandato 2011-2015. Durante o período, participou de comissões ligadas a temas como Viação e Transportes, Fiscalização Financeira e Controle, Finanças e Tributação e Turismo.
A presença nessas comissões reforçava o perfil técnico e administrativo de sua atuação.
A volta para as obras do Estado
Em 2013, Giroto se licenciou do mandato federal para reassumir a Secretaria de Estado de Obras Públicas e Transportes de Mato Grosso do Sul.
A movimentação mostrava o peso que ele ainda tinha dentro do grupo político que comandava o Estado naquele período. Ao deixar temporariamente Brasília para voltar ao Parque dos Poderes, Giroto reassumiu uma área estratégica da administração estadual.
Para seus aliados, esse é um dos principais argumentos de sua biografia: ele não foi apenas parlamentar. Foi gestor de execução.
Esse ponto pode ser decisivo na tentativa de retorno em 2026.
Em um Estado onde logística, rodovias, escoamento da produção, infraestrutura urbana e conexão com o agro seguem como temas centrais, Giroto tenta se apresentar como alguém que conhece a máquina pública, entende Brasília e fala a linguagem das obras.
A travessia mais difícil
A trajetória de Giroto também foi atravessada pela Operação Lama Asfáltica, investigação que marcou profundamente a política de Mato Grosso do Sul.
Durante anos, seu nome esteve associado a denúncias, processos e acusações ligadas a contratos de obras públicas. O impacto político foi pesado. Giroto saiu do centro do poder, perdeu espaço eleitoral e passou a travar uma longa disputa jurídica para defender sua versão.
Esse é o ponto mais sensível de sua biografia.
Mas é também o ponto que ele tenta transformar em narrativa de retorno.
Nos últimos anos, decisões judiciais passaram a ser usadas por Giroto como argumento de reconstrução pública. Em abril de 2026, a Justiça manteve sua absolvição em segunda instância em processo ligado à pavimentação da MS-357, em Ribas do Rio Pardo, por insuficiência de provas. Em junho de 2026, ele foi absolvido pela quinta vez em ações derivadas da Operação Lama Asfáltica, segundo decisão que apontou ausência de comprovação de dolo específico no contrato analisado.
Para Giroto, essas decisões reforçam a tese de que acusações feitas contra ele não se sustentaram quando submetidas ao contraditório, à perícia e ao exame técnico dos processos.
É esse discurso que ele deve levar para a pré-campanha: o de um homem público que passou por uma década de desgaste, enfrentou o sistema judicial e agora tenta retomar sua vida política amparado por decisões favoráveis.
O retorno ao PL
A volta ao PL é outro movimento central.
Em setembro de 2025, Giroto oficializou o retorno ao Partido Liberal e confirmou sua pré-candidatura a deputado federal para 2026.
A filiação tem peso simbólico e estratégico.
Giroto afirma ter ligação histórica com o partido e lembra que foi eleito deputado federal pelo antigo PR, sigla que mais tarde se reorganizou no campo do atual PL. Segundo ele, o retorno à legenda teve convite do presidente nacional Valdemar Costa Neto e do ex-governador Reinaldo Azambuja, hoje uma das principais lideranças do partido em Mato Grosso do Sul.
Na prática, Giroto tenta voltar à disputa eleitoral dentro de uma legenda forte, com estrutura, identidade nacional e base conservadora.
O PL oferece a ele uma moldura política mais clara. Em vez de retornar como nome solto, Giroto se recoloca dentro de um partido que busca ampliar sua bancada e disputar espaço no Congresso em 2026.
Para o eleitor de direita, especialmente no interior e no setor produtivo, a sigla ajuda a reposicionar sua imagem.
Agro, logística e infraestrutura como bandeiras
Giroto tem escolhido temas de campanha que conversam diretamente com sua história.
Ele fala em defender a logística, o agronegócio e a infraestrutura de Mato Grosso do Sul. Também menciona sua vivência atual como produtor rural, com atuação em culturas como soja, milho e feijão.
Essa combinação não é casual.
O discurso tenta unir o passado de gestor de obras com o presente de produtor. O recado é simples: ele quer se apresentar como alguém que entende tanto a estrutura pública quanto a realidade de quem produz.
Para Mato Grosso do Sul, essa é uma narrativa com aderência.
O Estado depende de estradas, armazenagem, transporte, energia, conectividade, crédito rural e eficiência logística. A força do agro exige bancada federal capaz de negociar recursos, destravar obras e pressionar por políticas públicas voltadas à produção.
Giroto tenta ocupar exatamente esse espaço.
Não se apresenta como nome de discurso abstrato. Tenta se vender como alguém de execução.
Linha do tempo
1959 Edson Giroto nasce em Oscar Bressane, no interior de São Paulo.
1981 a 1986 Cursa Engenharia Civil na Escola de Engenharia de Lins.
1997 a 2006 Ocupa a Secretaria Municipal de Obras de Campo Grande, período em que consolida sua imagem como gestor ligado à infraestrutura urbana.
2007 a 2010 Atua no Governo de Mato Grosso do Sul como diretor da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos e secretário estadual de Obras Públicas e Transportes.
2009 a 2010 Preside o Conselho Nacional de Secretários de Transportes, o Consetrans, posição que amplia sua interlocução nacional na área de infraestrutura.
2010 É eleito deputado federal por Mato Grosso do Sul com 147.343 votos, tornando-se o deputado federal mais votado da história do Estado até então.
2011 Toma posse na Câmara dos Deputados para o mandato 2011-2015.
2011 a 2013 Atua em comissões da Câmara, incluindo Viação e Transportes, Fiscalização Financeira e Controle, Finanças e Tributação e Turismo.
2013 Licencia-se do mandato de deputado federal para reassumir a Secretaria de Estado de Obras Públicas e Transportes de Mato Grosso do Sul.
2014 Reassume o mandato na Câmara dos Deputados em dezembro.
2015 Encerra o mandato federal.
2016 em diante Passa a enfrentar investigações e processos ligados à Operação Lama Asfáltica, período que o afasta do protagonismo político.
2022 É absolvido em ações criminais relacionadas a obras investigadas no contexto da operação, conforme registros posteriores da imprensa.
2025 Volta a se movimentar politicamente e oficializa retorno ao PL. Também afirma estar apto a disputar eleição e passa a trabalhar sua pré-candidatura a deputado federal.
2026 Decisões judiciais recentes fortalecem sua narrativa de reabilitação. Em abril, o Tribunal de Justiça mantém absolvição em ação ligada à MS-357. Em junho, Giroto é absolvido pela quinta vez em ações derivadas da Lama Asfáltica. No mesmo ano, passa a ser tratado como pré-candidato a deputado federal pelo PL.
O desafio do retorno
A pré-candidatura de Giroto não é uma aposta leve.
Ele carrega alto conhecimento público, mas também alto desgaste. Seu nome ainda desperta lembranças da Lama Asfáltica, tema que adversários certamente tentarão explorar.
A diferença é que, agora, Giroto entra no jogo com decisões favoráveis para contrapor a narrativa negativa.
O ponto central da campanha será controlar a própria biografia.
Se os adversários conseguirem reduzir sua imagem aos processos, ele terá dificuldade. Se Giroto conseguir convencer o eleitor de que foi alvo de acusações que não se sustentaram em decisões recentes e que sua experiência pode servir novamente ao Estado, volta a ser competitivo.
A eleição de 2026 deve testar justamente isso.
Memória política ainda pesa
Apesar dos anos fora do centro da disputa, Giroto não é um desconhecido.
Seu nome ainda circula com força entre lideranças políticas, empresários, produtores rurais e eleitores que acompanharam o ciclo de grandes obras em Mato Grosso do Sul.
A votação de 2010 é um ativo que poucos candidatos têm. Não garante eleição, mas mostra que ele já teve capilaridade estadual e capacidade de formar rede.
Em uma disputa proporcional para deputado federal, isso importa.
A eleição não exige vencer todo o eleitorado. Exige construir uma base consistente, atravessar municípios, somar apoios e entrar bem posicionado dentro da chapa.
Se o PL organizar uma nominata competitiva e Giroto conseguir apoio real dentro da legenda, sua pré-candidatura passa a ter peso.
O que Giroto representa agora

O retorno de Edson Giroto representa mais do que a volta de um ex-deputado.
Ele simboliza uma disputa maior na política de Mato Grosso do Sul: a tentativa de nomes tradicionais reconstruírem espaço em um ambiente dominado por redes sociais, polarização nacional e renovação de discurso.
Giroto não entra como novidade. Entra como experiência.
Esse pode ser seu limite, mas também sua força.
Num momento em que muitos candidatos apostam apenas em barulho digital, ele tenta vender trajetória, conhecimento de máquina pública e capacidade de execução.
A estratégia é clara: mostrar que Mato Grosso do Sul precisa de quem saiba buscar recursos, entender projetos, dialogar com Brasília e defender infraestrutura com conhecimento técnico.
Um recomeço sob observação
Edson Giroto sabe que sua volta será observada com lupa.
A pré-campanha exigirá disciplina, clareza e controle de narrativa. Não basta lembrar o passado de obras. Também será preciso explicar o período judicial, apresentar documentos, sustentar as absolvições e convencer o eleitor de que há uma nova fase.
Ainda assim, sua presença muda o tabuleiro.
Giroto tem nome, história, experiência administrativa, recall eleitoral e abrigo partidário. Em uma eleição de oito vagas para deputado federal, esses elementos não podem ser ignorados.
Sua candidatura, se confirmada, deve recolocar na disputa uma figura que conhece como poucos os caminhos da infraestrutura pública em Mato Grosso do Sul.
O desafio agora é transformar passado em argumento de futuro.
Porque Giroto não tenta apenas voltar à política.
Tenta provar que ainda tem estrada.

