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Em entrevista exclusiva ao Notas e Notícias MS, agropecuarista fala sobre o trabalho voluntário que aproxima associações, produtores rurais e visitantes e quer levar a iniciativa para todo o Mato Grosso do Sul.

No ambiente das feiras agropecuárias, quase tudo costuma girar em torno de exposição, negócios, tradição e movimento. Foi justamente nesse espaço, marcado pela força do campo e pelo encontro de públicos diversos, que Rafael Azambuja decidiu abrir uma nova frente de trabalho. Uma frente menos comercial e muito mais humana.

Na entrevista exclusiva ao Notas e Notícias MS, Rafael explicou que vem desenvolvendo, de forma voluntária, uma iniciativa voltada a dar visibilidade ao trabalho de associações que atendem pessoas com deficiência e neurodivergentes, criando dentro das feiras um espaço de interação entre essas entidades, os produtores rurais e o público que visita o parque.

Homem em pé em um ambiente rústico, com paredes de madeira e plantas, conversando com a câmera.

A proposta, na prática, é simples de entender e poderosa no efeito. Em vez de deixar essas associações restritas aos seus próprios círculos, o trabalho leva essa realidade para o centro de um ambiente que movimenta cidades, reúne famílias e concentra grande circulação de pessoas. O parque deixa de ser apenas vitrine do agro e passa também a funcionar como ponte.

Rafael trata essa iniciativa como algo que vai muito além de uma ação pontual. Segundo ele, o trabalho começou há menos de um ano, mas já nasce com uma ambição maior: alcançar o Estado inteiro. A ideia é fazer com que esse modelo de aproximação se espalhe por outras feiras, ampliando a visibilidade das associações e fortalecendo a convivência entre públicos que, muitas vezes, seguem separados no cotidiano.

Esse é o ponto mais forte do projeto.

Quando associações que cuidam de neurodivergentes e de pessoas com deficiência entram nas feiras de forma estruturada, o que se cria não é apenas exposição. O que se cria é convivência. O produtor rural passa a enxergar mais de perto um trabalho que muitas vezes desconhecia. O visitante entende melhor a dimensão dessas iniciativas. As famílias se sentem representadas. E as próprias entidades ganham uma oportunidade rara de ocupar um espaço de grande circulação com dignidade e protagonismo.

Na última semana, esse trabalho ganhou forma na Expogrande. A iniciativa foi levada para dentro da feira com atividades voltadas ao acolhimento, uma sala sensorial para as crianças, cuidados especiais para esse público e uma ação social destinada às mães. O que se viu ali foi a inclusão saindo da ideia e entrando na prática, dentro de um dos espaços mais visíveis do calendário agropecuário do Estado.

Essa experiência ajuda a mostrar o tamanho do que Rafael Azambuja está tentando construir. Não se trata apenas de abrir espaço físico. Trata-se de criar ambiente. Um ambiente em que famílias se sintam recebidas, crianças possam viver a feira com mais segurança e conforto, e associações tenham a chance de mostrar ao público o trabalho que realizam diariamente, quase sempre longe dos holofotes.

Na entrevista, Rafael deixa claro que enxerga esse movimento como uma missão divina. A expressão não aparece como força de linguagem vazia. Ela ajuda a entender a dimensão pessoal que ele atribui ao que faz. Não se trata apenas de organizar presença dentro do parque. Trata-se de cumprir um chamado, de dar sentido social ao espaço da feira e de usar a visibilidade do agro para abrir caminho a quem quase sempre precisa lutar em dobro para ser visto.

Duas pessoas usando óculos de realidade virtual enquanto montam em simuladores com selas. Uma criança está sentada à esquerda e um adulto à direita, ambos concentrados na experiência. Ao fundo, há um painel informativo do Instituto Vival e um cenário externo.

Essa percepção muda o peso da iniciativa.

Em vez de tratar a inclusão como detalhe ou apêndice do evento, Rafael a coloca no coração da experiência. E isso tem um efeito importante. Mostra que a feira pode ser mais do que palco de negócios, julgamento de animais, estandes e shows. Pode ser também lugar de acolhimento, encontro e reconhecimento.

Há um mérito adicional nisso tudo. Ao aproximar associações e público dentro das feiras, o projeto também ajuda a quebrar a lógica de isolamento que costuma marcar muitos debates sobre deficiência e neurodivergência. Em vez de discutir o tema apenas em ambientes especializados, a iniciativa leva essa realidade para um espaço público, vivo e popular. Faz a conversa sair do nicho e entrar no fluxo da cidade.

Esse deslocamento é valioso porque transforma o olhar de quem passa. O visitante que chega ao parque para ver exposição ou participar da programação encontra também uma realidade que exige empatia, escuta e compromisso. O produtor rural que sempre esteve conectado ao universo do trabalho, da produção e do campo passa a perceber com mais clareza a força das associações e a importância de apoiar quem vive essa rotina de cuidado.

No fundo, o que Rafael Azambuja está fazendo é reposicionar o papel da feira. Ele não rompe com a identidade do agro. Amplia essa identidade. Mostra que tradição e sensibilidade podem caminhar juntas. E mostra, principalmente, que inclusão não precisa entrar no evento como favor ou gesto decorativo. Pode entrar como valor.

Esse talvez seja o traço mais importante da iniciativa. Ela não tenta usar o tema como enfeite. Ela tenta dar a ele lugar real.

Num Estado em que as feiras agropecuárias têm peso econômico, político e cultural, transformar esses espaços em ambientes mais abertos à inclusão pode gerar um efeito muito maior do que parece à primeira vista. Pode fortalecer entidades. Pode aproximar famílias. Pode sensibilizar lideranças. Pode criar rede. Pode abrir portas que não se abririam de outro modo.

Por isso a entrevista de Rafael Azambuja merece atenção. Porque ela não fala apenas de uma boa ação. Fala de um projeto de presença. Fala de uma escolha consciente de usar a força de um ambiente tradicional para projetar uma pauta que ainda precisa de muito mais visibilidade.

Ao definir esse trabalho como missão, ele também define o tom com que pretende levá-lo adiante. Não como algo episódico, mas como caminho. Não como experiência isolada, mas como proposta de expansão. Não como gesto simbólico, mas como compromisso.

Homem apresentando produtos educativos da Neurobrinq em um estande, com jogos e ilustrações coloridas ao fundo.

Se essa ideia de fato avançar pelo Mato Grosso do Sul, o impacto poderá ser maior do que o de uma ação social bem recebida dentro de um parque. Pode se transformar em referência de como grandes eventos do agro podem também produzir pertencimento.

E, num tempo em que tanta coisa busca apenas aparecer, talvez o valor mais bonito dessa iniciativa esteja justamente aí: fazer da feira não só um lugar para mostrar força, mas também um espaço para reconhecer pessoas, histórias e trabalhos que merecem ser vistos.

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