A nova rodada da pesquisa Veritá para o governo de Mato Grosso do Sul desenha um cenário claro nesta largada de 2026: Eduardo Riedel aparece na liderança tanto na intenção espontânea quanto na estimulada, enquanto Fábio Trad ocupa a segunda colocação, mas carrega o peso da maior rejeição entre os nomes apresentados.
Nos dados divulgados pelo instituto, Riedel lidera a intenção estimulada nos votos válidos com 49,5%. Na sequência aparecem Fábio Trad, com 24,5%, e João Henrique Catan, com 20,3%. Os demais somam 5,7%. É um retrato que coloca o atual governador em posição de vantagem mais confortável no cenário em que o eleitor recebe a lista de nomes.
Na intenção espontânea nos votos válidos, o desenho segue favorável a Riedel, mas com nuances mais interessantes. Ele aparece com 45,8%, enquanto Fábio Trad marca 26,3% e João Henrique Catan, 11,3%. Os demais somam 16,6%. Aqui, o dado político mais relevante é que Riedel não depende apenas do voto induzido pela lista. Seu nome já aparece com força quando o eleitor precisa responder sem o auxílio do cartão.
Esse ponto importa porque a espontânea costuma medir memória eleitoral, presença política e grau de consolidação no imaginário do eleitor. Quando um candidato lidera também nesse campo, o sinal que a pesquisa emite é de capilaridade e reconhecimento mais sedimentados.
Ao mesmo tempo, a diferença entre os números de Fábio Trad e João Henrique Catan nas duas modalidades também ajuda a ler o momento da disputa. Fábio aparece mais forte na espontânea do que Catan, o que sugere presença mais consolidada no repertório imediato do eleitor. Já Catan cresce de forma mais visível na estimulada, o que indica potencial competitivo quando o nome é colocado de forma objetiva no cenário.
Mas o dado mais duro para a oposição está na rejeição.
Segundo os cards da Veritá, Fábio Trad lidera a rejeição nos votos válidos com 47,2%. Em seguida aparecem Eduardo Riedel, com 22,9%, e Lucien Rezende, com 15,6%. Os demais somam 14,2%. Em política, rejeição alta não é detalhe estatístico. É limite concreto de crescimento. Um candidato pode até ter recall, exposição e presença, mas, quando a resistência a seu nome se torna tão elevada, o caminho para ampliar voto útil e construir maioria fica muito mais estreito.
Esse talvez seja o dado que mais reposiciona a leitura da pesquisa.
Riedel não aparece apenas na frente. Ele aparece na frente com uma rejeição consideravelmente mais baixa do que a de seu principal adversário neste recorte. Isso lhe dá uma vantagem dupla: liderança de intenção e ambiente mais favorável para expansão. Já Fábio Trad, embora esteja em segundo lugar, precisa conviver com um teto mais apertado, porque parte importante do eleitorado já se mostra fechada à sua candidatura.
No caso de João Henrique Catan, a pesquisa sugere um espaço político específico. Ele ainda aparece distante dos dois principais nomes no consolidado da espontânea, mas mostra capacidade de entrar mais fortemente no jogo quando o cenário é apresentado ao eleitor. Isso pode significar duas coisas ao mesmo tempo: um nome ainda em processo de consolidação mais ampla, mas com potencial de crescimento dentro de um campo oposicionista que ainda busca a melhor forma de se organizar.
Há ainda outro aspecto que a pesquisa ajuda a iluminar. Riedel não surge apenas como líder numérico. Surge como nome que, neste momento, ocupa melhor o centro do tabuleiro. Ele combina presença espontânea, liderança estimulada e rejeição mais controlada. É o tipo de combinação que, no começo de uma corrida, pesa muito mais do que um bom desempenho isolado em um único quesito.
Por isso, a leitura mais correta do levantamento não é apenas que Riedel lidera. É que ele lidera com estrutura de competitividade mais robusta.
Fábio Trad continua sendo o nome que mais claramente aparece atrás dele no levantamento, mas a rejeição alta impõe uma sombra relevante sobre qualquer projeto de crescimento mais agressivo. E João Henrique Catan, embora apareça em terceiro, mostra que ainda há espaço de movimentação num campo que pode sofrer ajustes conforme a disputa ganhar corpo.
No fim, a pesquisa Veritá entrega uma fotografia politicamente nítida. Hoje, o governo de Mato Grosso do Sul tem um líder claro na corrida, um segundo colocado com problema sério de rejeição e um terceiro nome tentando converter visibilidade em densidade eleitoral.
A eleição ainda está longe. Mas a largada, pelo menos por este retrato, já tem dono.

