Uma análise exclusiva sobre os gastos de campanha mostra que, em Mato Grosso do Sul, ter o bolso cheio nem sempre garante a maior votação — e a “eficiência digital” virou a nova moeda de troca política.
A poeira das urnas de 2022 baixou, mas os números que ficaram nos registros do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) contam uma história que muitos políticos preferiam esconder. Enquanto alguns deputados de Mato Grosso do Sul precisaram de investimentos milionários para convencer o eleitor, outros alcançaram o topo do ranking gastando “centavos” em comparação.
Essa disparidade no custo por voto não é apenas uma curiosidade estatística; é o principal termômetro para as estratégias da Janela Partidária de 2024 e as projeções para 2026.
A Eficiência do “Fenômeno” vs. O Peso da Máquina
No topo da lista dos federais, a diferença é gritante. Marcos Pollon (PL), o recordista de votos no estado, operou com uma eficiência invejável: cada um de seus 103 mil votos custou, em média, apenas R$ 8,67. No extremo oposto, nomes tradicionais como Dagoberto Nogueira (PSDB) e Dr. Luiz Ovando (PP) viram seus custos por voto ultrapassarem a marca dos R$ 50,00.

Tabela: O Custo do Voto na Câmara Federal (MS)
| Deputado Federal | Votos Totais | Gasto Oficial (R$) | Custo por Voto |
| Marcos Pollon | 103.111 | R$ 894.000 | R$ 8,67 |
| Camila Jara | 56.552 | R$ 835.000 | R$ 14,76 |
| Beto Pereira | 97.872 | R$ 1.584.000 | R$ 16,18 |
| Rodolfo Nogueira | 41.773 | R$ 750.000 | R$ 17,95 |
| Vander Loubet | 76.571 | R$ 2.210.000 | R$ 28,86 |
| Dr. Luiz Ovando | 45.491 | R$ 2.233.000 | R$ 49,08 |
| Dagoberto Nogueira | 48.217 | R$ 2.700.000 | R$ 55,99 |
Assembleia Legislativa: A força do Municipalismo
Na Assembleia Legislativa (ALEMS), os custos são mais equilibrados devido ao teto de gastos menor, mas a lógica se repete. Mara Caseiro (PSDB), a mulher mais votada da história da casa, gastou cerca de R$ 24,16 por voto, refletindo uma campanha de grande estrutura física e presença em dezenas de municípios. Já Zeca do PT, apostando no recall de sua imagem histórica, teve o voto mais “barato” entre os líderes: R$ 14,40.
O que isso projeta para 2026?
A análise financeira permite traçar três diagnósticos claros para o próximo pleito geral:
1. A Digitalização do Voto é Irreversível
Candidatos como Pollon e Camila Jara provaram que o engajamento em redes sociais e comunidades segmentadas (seja o agro ou a juventude) barateia a eleição. Em 2026, quem depender exclusivamente de cabos eleitorais e carreatas terá dificuldade em competir com o alcance orgânico do digital.
2. A Sobrevivência Depende do Fundo Partidário
Com o custo por voto de veteranos batendo no teto, a migração vista na última janela partidária para partidos como PL e Republicanos é puramente estratégica. Esses políticos buscam partidos com “caixas gordos” para sustentar estruturas que o engajamento orgânico ainda não supre.
3. O Perigo do “Recall” Esgotado
Candidatos que gastam muito para ter poucos votos estão em sinal de alerta. Se o custo por voto subir acima da inflação política, nomes tradicionais podem ser engolidos por novos influenciadores que entram na disputa com gastos mínimos e alto potencial de viralização.
Conclusão: A política sul-mato-grossense está em transição. O dinheiro ainda ganha eleição, mas a inteligência de dados e o engajamento real estão fazendo o capital render muito mais. Em 2026, a pergunta não será “quanto você tem?”, mas sim “quanto o seu seguidor te custa?”.
Fonte: Dados oficiais extraídos do sistema DivulgaCandContas do TSE (Eleições 2022).
