Primeiro capítulo da série especial do Notas e Notícias MS reconstitui, em linha do tempo, a trajetória do ex-governador e as marcas mais citadas de sua gestão: municipalismo, infraestrutura e proteção social.
Reinaldo Azambuja voltou a aparecer com frequência nas conversas políticas de Mato Grosso do Sul — não apenas por leitura de cenário eleitoral, mas porque sua carreira ajuda a explicar um estilo de poder que se formou longe dos holofotes nacionais: a política construída no município, ampliada no Legislativo e consolidada no Executivo estadual.
Este é o primeiro conteúdo de uma série especial do Notas e Notícias MS sobre lideranças políticas sul-mato-grossenses. A proposta é simples e direta: organizar fatos, contextualizar decisões e mostrar, com números e cronologia, como cada personagem chegou ao lugar que ocupa no debate público.
Reinaldo Azambuja e a origem municipalista
A história pública de Reinaldo Azambuja começa no interior, como prefeito de Maracaju, cargo que ocupou por dois mandatos, de 1997 a 2004. Ali, ele consolidou um discurso recorrente ao longo da trajetória: o de que a vida real do cidadão acontece na ponta — na escola, no posto de saúde, na rua sem asfalto, no transporte — e que o Estado precisa funcionar em parceria com as prefeituras.
A passagem pela presidência da Assomasul (2001–2002) ampliou esse repertório. É nesse tipo de articulação municipalista que se formam agendas regionais, pactos por investimentos e uma cultura de negociação com prefeitos. Na prática, é onde se aprende política com planilha, obra e cronograma — e não apenas com discurso.
Linha do tempo: cargos e marcos da trajetória
A cronologia ajuda a entender por que Azambuja ganhou primeiro a imagem de “gestor” e, depois, a de “liderança”:
- 1997–2004: prefeito de Maracaju
- 2001–2002: presidente da Assomasul
- 2007–2010: deputado estadual
- 2011–2014: deputado federal
- 2015–2022: governador do Estado (dois mandatos)
- 2025: filiação ao Partido Liberal (PL), segundo o vídeo da série

2006 – candidato a Deputado Estadual (arquivo)
No período legislativo, sua atuação foi associada a propostas de organização do funcionamento público e de proteção do cidadão em rotinas concretas. Na Câmara dos Deputados, por exemplo, apresentou projetos voltados a procedimentos nos Juizados Especiais (PL 2413/2011), regras de cobrança no Código de Defesa do Consumidor (PL 2445/2011) e ajustes no Código Civil relacionados a reconhecimento patrimonial em situações específicas de cuidado e sustento (PL 6480/2013). Também defendeu a estruturação de conselhos profissionais na área de zootecnia, tema ligado à organização do setor produtivo.
Reinaldo Azambuja no governo: pactos com municípios e infraestrutura
Eleito governador em 2014 e empossado em 2015, Azambuja ficou no cargo até 2022. O municipalismo aparece, nesse período, como método de gestão. O programa “Governo Presente e Municipalista” foi divulgado como um pacote de investimentos com previsão de R$ 4,2 bilhões em obras e ações nos 79 municípios sul-mato-grossenses até 2022 — um desenho que reforça a ideia de parceria direta com as prefeituras.
Na infraestrutura, o eixo mais visível foi a malha rodoviária. Em 2021, a gestão lançou pacote de pavimentação e restauração de rodovias estaduais, com foco em rotas de produção e turismo. A estratégia conversa com a lógica econômica local: no Mato Grosso do Sul, logística é competitividade. Estrada boa não é só obra; é custo menor para escoar produção, é acesso mais rápido a serviços e é turismo com menos gargalo.
Nesse mesmo tabuleiro, a Rota Bioceânica aparece como agenda de longo prazo: corredor internacional pensado para integrar países vizinhos e ampliar alternativas de acesso a portos do Pacífico. Ainda que seja um projeto com várias camadas (diplomacia, infraestrutura, licenciamento e investimento), ele costuma ser citado como símbolo de uma visão de integração regional e redução de custos logísticos.

reprodução de vídeo exibido no canal do Youtube @reinaldoazambujams
Proteção social e modernização do Estado
Dois programas sociais ganharam destaque por mexerem em algo muito concreto: o orçamento doméstico.
O Mais Social é apresentado no material da série como um programa de transferência de renda com pagamento mensal e alcance de 210 mil famílias. A lógica é a da proteção social com regularidade: previsibilidade para quem está no limite do mês.
Na sequência, a Conta de Luz Zero é descrita como uma política de custeio da fatura de energia dentro de critérios definidos — um tipo de medida que atua em despesa fixa e costuma ter percepção imediata na vida do beneficiário.
No campo da gestão, a modernização aparece como trilha em três frentes no vídeo da série: (1) digitalização de serviços para reduzir burocracia; (2) conclusão de mais de 200 obras inacabadas; e (3) investimentos contínuos em áreas essenciais como saúde, educação e segurança. Em linguagem simples: menos fila, mais entrega, e retomada do que ficou parado.
2026 no radar: pesquisa, cenário e cautela
O material audiovisual da série também traz Azambuja para o debate de 2026 a partir de números de pesquisa. No quadro “Senador — estimulada — cenário 1”, com possibilidade de o eleitor escolher dois nomes, ele aparece com 32,9%, à frente de Capitão Contar (30,4%), Simone Tebet (27,8%) e Nelsinho Trad (25,7%). Na mesma lista, Soraya Thronicke aparece com 12,5%, Vander Loubet com 9,1%, Gianni Nogueira com 5,6%, Gerson Claro com 5,3% e Jaime Verruck com 3,8%. O levantamento registra ainda 28,7% de indecisos/sem resposta e 18,2% para “nenhum deles”, com fonte indicada como Novo Ibrape.

Como sempre em política, a leitura responsável é: pesquisa mostra o momento, não o resultado final. O próprio vídeo indica que conversas com lideranças e definições partidárias tendem a se intensificar, com referência a uma janela de decisão entre março e abril.
Fechamento
Ao organizar sua trajetória em linha do tempo, o que aparece é um percurso típico de lideranças que nascem no município e sobem pela via da gestão: prefeitura, articulação municipalista, Legislativo e, por fim, governo estadual. No caso de Reinaldo Azambuja, os marcos mais repetidos no material da série são três: origem municipalista, foco em infraestrutura e ênfase em proteção social — uma combinação que ajuda a explicar por que seu nome segue no centro do debate político sul-mato-grossense.
Redação do Site Notas e Notícias MS

