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Carta em favor de Marcos Pollon, confirmação de Reinaldo Azambuja e disputa interna por pesquisas colocam o PL de Mato Grosso do Sul diante de uma escolha que pode reorganizar a direita no Estado

A pergunta que começa a rondar o PL de Mato Grosso do Sul é simples, mas explosiva: e se Jair Bolsonaro deixar o Capitão Contar fora da lista de candidatos ao Senado?

A resposta mexe com muito mais do que uma vaga. Mexe com o equilíbrio interno do partido, com a estratégia de Reinaldo Azambuja, com o espaço de Marcos Pollon, com o cálculo de Flávio Bolsonaro e com a capacidade da direita sul-mato-grossense de chegar a 2026 unida ou dividida por dentro.

Até agora, a disputa tem três nomes centrais dentro do PL: Reinaldo Azambuja, Marcos Pollon e Capitão Contar. Mas os sinais públicos não têm o mesmo peso para todos.

Reinaldo aparece como nome mais consolidado. Flávio Bolsonaro já afirmou, durante agenda em Campo Grande, que uma das vagas do PL ao Senado em Mato Grosso do Sul é do ex-governador. Essa confirmação dá a Reinaldo uma posição diferente dos demais. Ele não está brigando pela porta de entrada. Está ajudando a organizar a casa.

Pollon tem outro tipo de ativo. Em 28 de fevereiro, Jair Bolsonaro escreveu carta de próprio punho, divulgada por Michelle Bolsonaro, afirmando que publicaria uma lista de pré-candidatos ao Senado pelo Brasil e adiantando que, por Mato Grosso do Sul, seu candidato seria Marcos Pollon. A frase teve efeito político imediato porque transformou Pollon em escolhido direto de Bolsonaro, antes mesmo de uma definição formal da chapa.

Contar, por sua vez, tem algo que não pode ser desprezado: voto lembrado, recall de campanha majoritária e presença no eleitorado conservador. Em levantamentos anteriores, apareceu competitivo na disputa ao Senado, inclusive à frente de Pollon em alguns cenários. O problema é que, dentro do PL, desempenho eleitoral não é o único critério em jogo. A bênção de Bolsonaro ainda pesa. E, em um partido moldado pela autoridade simbólica do ex-presidente, ficar fora de uma lista assinada ou validada por ele seria um golpe político difícil de minimizar.

Três homens sentados ao redor de uma mesa, com bandeiras do Brasil ao fundo.

Reinaldo Azambuja, Marcos Pollon e Capitão Contar

Esse é o ponto central.

Se Bolsonaro publicar uma lista nacional e em Mato Grosso do Sul aparecerem apenas Reinaldo Azambuja e Marcos Pollon, a mensagem será inequívoca: Contar pode até ter votos, mas não seria o nome preferencial do bolsonarismo oficial para o Senado no Estado.

Formalmente, candidaturas só serão definidas nas convenções. Politicamente, porém, uma lista de Bolsonaro teria peso de pré-sentença dentro da direita. Ela não encerraria juridicamente a disputa, mas mudaria o ambiente. Militantes, prefeitos, vereadores, financiadores, candidatos proporcionais e lideranças locais passariam a ler o jogo por outro código: quem está com Bolsonaro e quem ficou de fora.

Para Contar, esse cenário criaria um dilema.

Ele poderia aceitar a decisão e tentar outro caminho. Poderia disputar espaço até as convenções, sustentando que pesquisa deve prevalecer. Ou poderia buscar uma saída fora da chapa bolsonarista oficial, o que abriria uma fratura com potencial de dividir votos da direita.

Nenhuma alternativa é simples.

Se recuar, perde protagonismo. Se insistir contra a lista, desafia a autoridade de Bolsonaro. Se sair por outro caminho, pode carregar parte do eleitorado conservador, mas também corre o risco de ser acusado de dividir o campo que diz representar.

Para Pollon, uma lista sem Contar seria a maior vitória política de sua pré-campanha até aqui. Não porque resolveria tudo, mas porque transformaria uma preferência já declarada em orientação nacional. Pollon deixaria de ser apenas o deputado apoiado em carta e passaria a ser o nome formalmente abençoado dentro da estratégia bolsonarista para o Senado.

Ainda assim, o desafio dele continuaria grande.

Apoio de Bolsonaro não substitui capilaridade. Pollon precisaria provar que consegue transformar a marca ideológica em voto espalhado pelo Estado. Senado não se vence só com base digital, discurso duro e engajamento de militância. Vence-se com interior, alianças, prefeitos, vereadores, presença territorial, estrutura e capacidade de falar também com o eleitor conservador que não vive a política como guerra permanente.

É aí que Reinaldo entra como peça decisiva.

A chegada de Reinaldo ao comando estadual do PL mudou a natureza do partido em Mato Grosso do Sul. O PL deixou de ser apenas legenda de identidade bolsonarista e passou a ser também máquina de poder. Com a filiação de deputados estaduais como Mara Caseiro, Paulo Corrêa, Zé Teixeira, Marcio Fernandes e Lucas de Lima, o partido ganhou musculatura parlamentar e virou a maior bancada da Assembleia Legislativa.

Esse movimento não foi casual. Reinaldo levou para o PL parte de seu grupo, sua lógica de articulação e sua leitura pragmática do poder. Ele não entrou no partido apenas para se filiar. Entrou para organizar uma estrutura capaz de disputar 2026 com força.

A presença de Reinaldo altera também a disputa entre Pollon e Contar. O ex-governador representa o PL institucional, de base municipal e articulação ampla. Pollon representa a fidelidade ideológica ao bolsonarismo nacional. Contar representa o recall eleitoral da direita que foi às urnas em 2022. Os três têm ativos diferentes. O problema é que só cabem dois na chapa ao Senado.

E é por isso que a lista de Bolsonaro pode virar um divisor de águas.

Se a lista confirmar Reinaldo e Pollon, ela não apenas excluirá Contar. Ela indicará uma preferência por uma chapa que combine máquina política e identidade bolsonarista. Reinaldo entraria com território, experiência, estrutura e articulação. Pollon entraria com chancela direta de Bolsonaro, discurso ideológico e mobilização da base mais fiel.

Seria uma chapa desenhada para unir pragmatismo e pureza bolsonarista.

Mas também seria uma aposta.

Contar não é um personagem periférico. Ele já demonstrou capacidade de mobilizar voto conservador em Mato Grosso do Sul. Ignorá-lo pode ter custo. A depender da reação dele e de seus apoiadores, a direita pode sair com a chapa formalmente definida, mas emocionalmente rachada.

Esse é o risco que o PL terá de medir.

Do ponto de vista de Flávio Bolsonaro, a equação também é delicada. Em abril, ele afirmou que Reinaldo tinha uma vaga garantida e que a segunda seria definida por pesquisa. Essa fala funcionou como tentativa de pacificar o ambiente e evitar que a carta de Jair Bolsonaro fosse interpretada como fechamento absoluto da chapa. Ao mesmo tempo, manteve Pollon vivo e Contar na disputa.

Se a lista nacional vier agora com Pollon e sem Contar, Flávio terá de administrar a diferença entre o discurso da pesquisa e a força política da escolha de Bolsonaro.

Essa diferença pode ser explicada como decisão estratégica. Mas também pode alimentar ressentimento.

O PL vive uma tensão típica de partido grande em ano eleitoral: precisa parecer unido, mas abriga projetos concorrentes. Em Mato Grosso do Sul, essa tensão é mais visível porque a direita tem nomes demais para vagas de menos.

A hipótese de uma lista com Reinaldo e Pollon não é invenção. Ela nasce dos sinais públicos já emitidos. Reinaldo foi confirmado por Flávio. Pollon foi indicado por Bolsonaro em carta. Michelle reforçou publicamente esse alinhamento. Contar segue competitivo, mas ainda não recebeu a mesma chancela nacional explícita para o Senado.

Isso não significa que Contar esteja fora. Significa que, hoje, o tabuleiro simbólico parece mais favorável a Reinaldo e Pollon.

A leitura política mais forte é esta: se Bolsonaro excluir Contar da lista, não estará apenas escolhendo candidatos. Estará definindo qual direita quer fortalecer em Mato Grosso do Sul.

Uma direita comandada por Reinaldo, com musculatura institucional, e complementada por Pollon, com selo bolsonarista. Ou uma direita que ainda terá de acomodar Contar, mesmo que isso embaralhe o desenho preferido pela cúpula nacional.

O eleitor conservador pode até não acompanhar cada movimento interno do PL. Mas sentirá os efeitos se a disputa virar ruído. Chapa dividida perde energia. Militância contrariada trabalha menos. Aliado inseguro espera mais. E adversário atento transforma fissura em oportunidade.

Por isso, a lista de Bolsonaro pode resolver um problema e criar outro.

Pode encerrar a dúvida formal sobre quem o ex-presidente apoia. Mas pode abrir uma disputa sobre quem tem legitimidade para falar pela direita em Mato Grosso do Sul: o nome escolhido pela carta, o nome melhor posicionado em pesquisas ou o grupo organizado por Reinaldo dentro do partido.

A resposta ainda depende da lista, das convenções e das próximas pesquisas.

Mas uma coisa já está clara: se Capitão Contar ficar fora, a briga deixará de ser apenas por vaga. Passará a ser por lugar político dentro da direita sul-mato-grossense.

E, nesse caso, o PL terá de provar que sabe fazer o que todo partido forte precisa aprender: escolher sem implodir.

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