A corrida pelas duas vagas ao Senado Federal por Mato Grosso do Sul, que estarão em disputa nas eleições de 2026, começa a revelar um tabuleiro político mais sofisticado do que aparenta à primeira vista. Além do confronto direto entre nomes com densidade eleitoral comprovada, o cenário passa a incorporar estratégias de composição, coordenação de votos e alianças de longo prazo. Nesse contexto, ganham destaque as pré-candidaturas de Reinaldo Azambuja (PL), Capitão Contar (PL/PRTB) e Gerson Claro (PP) — cada uma com papel distinto dentro de um arranjo político em formação.
🧭 O contexto: duas vagas, múltiplas estratégias
Diferentemente de disputas proporcionais, a eleição para o Senado impõe uma lógica específica: o eleitor pode escolher dois nomes, e não apenas um. Essa característica transforma alianças em fator decisivo, estimulando a formação de chapas informais, conhecidas nos bastidores como “dobradinhas” ou “chapas brancas” — quando candidatos não concorrem entre si, mas coordenam pedidos de voto.
É dentro dessa lógica que se insere a articulação envolvendo Gerson Claro e Reinaldo Azambuja, ancorada na aliança partidária com o governador Eduardo Riedel.
🧠 Reinaldo Azambuja: experiência, recall eleitoral e centralidade política
Ex-governador por dois mandatos consecutivos, Reinaldo Azambuja chega ao cenário pré-eleitoral como um dos nomes mais consolidados da política sul-mato-grossense. Sua trajetória inclui passagens pelo Legislativo estadual e federal, além de oito anos à frente do Executivo estadual, período em que construiu capilaridade política, especialmente no interior.
Atualmente filiado ao PL e com influência direta sobre a estrutura partidária no estado, Azambuja figura nas pesquisas como nome competitivo e recorrente entre os primeiros colocados, independentemente do instituto ou do cenário estimulado. Seu capital político o posiciona como eixo central de alianças, atraindo apoios formais e informais de partidos que integram ou orbitam a base do governo estadual.
🪖 Capitão Contar: base ideológica coesa e disputa direta por espaço
Capitão Contar consolidou-se como força eleitoral a partir de uma trajetória recente, mas expressiva. Deputado estadual mais votado da história do Mato Grosso do Sul, chegou ao segundo turno na eleição para governador em 2022, desempenho que o projetou como liderança com base ideológica fiel e mobilizada.
Na disputa ao Senado, Contar surge como candidato competitivo, com capacidade de atrair eleitores identificados com pautas conservadoras e discurso de oposição a grupos tradicionais. Diferentemente da estratégia de composição adotada por outros atores, sua candidatura tende a disputar voto a voto, especialmente com Reinaldo Azambuja, dentro de segmentos semelhantes do eleitorado.
🏛️ Gerson Claro: pré-candidatura institucional e estratégia de chapa branca
Presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, Gerson Claro aparece como possível pré-candidato ao Senado pelo Progressistas (PP), com um perfil marcadamente institucional. Sua trajetória é ancorada no Legislativo, na articulação interna e na construção de consensos, características que o tornam um nome viável dentro de uma estratégia coletiva.
O PP integra a base do governador Eduardo Riedel, aliado político de Reinaldo Azambuja. Nesse arranjo, a tendência observada é a formação de uma chapa branca, na qual:
- Gerson Claro pede o primeiro voto para si,
- e orienta o segundo voto para Reinaldo Azambuja.
Essa engenharia eleitoral busca evitar dispersão de votos, maximizar o desempenho da base aliada e ampliar as chances de ocupação de uma das vagas com nomes alinhados ao grupo governista.
📉 Análise profunda das tendências das pesquisas
Levantamentos recentes indicam alguns movimentos estruturais relevantes:
🔹 1. Liderança oscilante, mas concentrada
Reinaldo Azambuja e Capitão Contar aparecem consistentemente entre os primeiros colocados, com alternância de liderança conforme o instituto e o método de coleta. A leitura predominante é de empate técnico prolongado, o que mantém a disputa aberta.
🔹 2. Gerson Claro como vetor de crescimento condicionado
Embora Gerson Claro apareça com percentuais mais modestos nas pesquisas espontâneas, analistas apontam que seu crescimento depende menos de exposição individual e mais da consolidação da estratégia de dobradinha com Azambuja, sobretudo entre eleitores vinculados ao governo estadual e à Assembleia Legislativa.
🔹 3. Tendência ao voto coordenado
Com dois votos disponíveis, cresce a propensão do eleitor a seguir orientações partidárias e alianças explícitas, especialmente em regiões onde a base governista mantém forte presença administrativa.
📊 Quadro comparativo — perfis e estratégias
| Critério | Reinaldo Azambuja (PL) | Capitão Contar (PL/PRTB) | Gerson Claro (PP) |
|---|---|---|---|
| Trajetória | Executivo e Legislativo | Legislativo e campanha majoritária | Legislativo |
| Papel na disputa | Candidato central | Candidato competitivo | Pré-candidato de composição |
| Estratégia | Liderança e alianças | Disputa direta | Chapa branca |
| Base eleitoral | Interior + base governista | Eleitorado conservador | Base institucional |
| Relação com o governo | Aliado | Independente | Base direta |
| Tendência nas pesquisas | Alta e estável | Alta e mobilizada | Condicionada à aliança |
📍 Leitura final do cenário
A disputa ao Senado em Mato Grosso do Sul caminha para um modelo híbrido, no qual convivem:
- confronto direto, representado pela candidatura de Capitão Contar;
- e coordenação estratégica de votos, protagonizada pela possível chapa branca entre Gerson Claro e Reinaldo Azambuja.
Mais do que uma simples corrida individual, o pleito de 2026 se desenha como um exercício de engenharia política, no qual alianças, timing e capacidade de articulação serão tão determinantes quanto os números das pesquisas.

