A ponte está na reta final, mas a operação comercial da Rota Bioceânica ainda depende de estruturas que não ficaram prontas. Em atualização divulgada em 29 de outubro, o Governo de Mato Grosso do Sul informou que a Receita Federal trabalha com a possibilidade de início da operação plena apenas em 2028.
O prazo não representa uma data definitiva de inauguração. Trata-se de uma estimativa apresentada em setembro, diante dos atrasos na infraestrutura brasileira de acesso e de controle de fronteira. A informação muda a perspectiva de funcionamento do corredor internacional, que pretende conectar Mato Grosso do Sul aos portos do Pacífico por Paraguai, Argentina e Chile.
Os acessos ainda estão no cronograma
Segundo o balanço estadual, o Paraguai prevê liberar seu acesso à ponte em fevereiro de 2027. Do lado brasileiro, a conclusão das vias de chegada está prevista para 2027. O projeto inclui um trecho de 13,1 quilômetros entre a BR-267 e a estrutura internacional sobre o Rio Paraguai, que liga Porto Murtinho a Carmelo Peralta.
O acesso brasileiro é executado no âmbito do Novo PAC pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). O investimento federal informado pelo órgão é de aproximadamente R$ 472 milhões. A existência de uma ponte em fase final de construção, portanto, não significa que toda a infraestrutura necessária ao transporte internacional esteja disponível.
Aduana é parte decisiva
Outra etapa é o Centro Integrado de Controle de Fronteira, previsto para o lado brasileiro. O espaço deverá reunir procedimentos de fiscalização aduaneira, migratória, sanitária e de segurança dos dois países. O DNIT assumiu a elaboração do projeto arquitetônico, com estudos e adequações desenvolvidos por equipes técnicas brasileiras e paraguaias.
O secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Artur Falcette, defendeu a coordenação entre os países e a preparação conjunta dos acessos e dos serviços de fiscalização. O desafio não se resume à conclusão da obra física: a passagem regular de cargas depende também de procedimentos operacionais integrados.
O que está em jogo
Para Mato Grosso do Sul, a diferença entre entregar a ponte e colocar o corredor em funcionamento é relevante. A travessia internacional pode ampliar alternativas logísticas, mas seus efeitos sobre transporte, comércio e investimentos dependem da conclusão dos acessos e da capacidade de fiscalização. Não há, até o momento, garantia de que a operação comercial plena começará em uma data específica.
O tema voltará à pauta internacional entre 24 e 26 de novembro, durante o VIII Fórum dos Territórios Subnacionais do Corredor Bioceânico de Capricórnio, no Chile. Está prevista a apresentação do relatório final do Plano Diretor de Integração e Desenvolvimento do corredor, elaborado com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Foto de arquivo: Ponte Internacional da Rota Bioceânica, em Porto Murtinho. Bruno Rezende/Secom-MS. Reprodução autorizada pela política de conteúdo da Sala de Imprensa do Governo de MS.
