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O otimismo voltou à indústria de Mato Grosso do Sul, mas a disposição para contratar ainda é limitada. Pesquisa divulgada pela Federação das Indústrias do Estado (Fiems) na sexta-feira (23) mostra que o Índice de Confiança do Empresário Industrial chegou a 52,5 pontos em outubro, alta de 3,7 pontos em relação à medição anterior. Apesar da melhora, apenas 24% das empresas ouvidas esperam aumentar o número de funcionários nos próximos seis meses.

Entre os 58 estabelecimentos consultados, 64% projetam manter suas equipes e 13% preveem redução. Os percentuais foram arredondados na divulgação da pesquisa. O resultado evidencia uma diferença importante: estar mais confiante na economia não significa, necessariamente, abrir novas vagas imediatamente.

Expectativa melhora, mas produção ainda enfrenta obstáculos

O levantamento, realizado de 1º a 13 de outubro, ouviu 29 pequenas, 23 médias e seis grandes indústrias. Na avaliação do próprio negócio, 41% dos entrevistados esperam melhora nos próximos seis meses e 43% projetam estabilidade.

Quanto à procura por produtos, 38% acreditam em aumento da demanda, enquanto 54% preveem manutenção do patamar atual. Metade das empresas informou intenção de realizar algum investimento no semestre seguinte. Ainda assim, o indicador de intenção de investimento recuou 2,6 pontos frente ao mês anterior e ficou em 52,3.

O contraste aparece nos limites da atividade. A utilização média da capacidade instalada foi de 64% em setembro, o menor nível para esse mês em dez anos, segundo a Fiems. No terceiro trimestre, 57% dos empresários relataram alta no preço das matérias-primas e 30% apontaram dificuldades de acesso ao crédito.

Emprego cresce, mas a distribuição importa

Os números mais recentes do Novo Caged, reunidos pelo Governo de Mato Grosso do Sul e divulgados em 23 de outubro, mostram saldo de 20.456 empregos formais entre janeiro e agosto de 2026. Desse total, 8.644 vieram de serviços e 7.392 da construção. Juntos, os dois setores responderam por aproximadamente 78,4% do saldo estadual, cálculo feito a partir dos dados oficiais.

Esse desempenho retrata contratações já registradas, enquanto a sondagem industrial mede expectativas para os meses seguintes. Os indicadores não são equivalentes e não devem ser confundidos.

O que os números revelam

A indústria sul-mato-grossense enxerga um horizonte menos desfavorável, mas mantém cautela ao decidir sobre pessoal, produção e investimentos. A distância entre o avanço da confiança e a parcela de empresas dispostas a ampliar equipes é um sinal que merece acompanhamento.

Para avaliar se o otimismo chegou à economia real, os próximos levantamentos terão de mostrar não apenas melhora nas expectativas, mas evolução consistente das contratações, do uso da capacidade produtiva e das condições de financiamento.

Fontes dos dados: Observatório da Indústria da Fiems, sondagem divulgada em 23 de outubro de 2026; Novo Caged, em compilação do Governo de Mato Grosso do Sul divulgada na mesma data. Foto de arquivo: Álvaro Rezende/Secom-MS.

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