Pesquisa mais recente, votação de 2022 e força das chapas colocam PL e União Progressista no centro da disputa; PT, Republicanos e PSDB brigam para impedir concentração das oito cadeiras
A eleição para deputado federal em Mato Grosso do Sul não é uma corrida simples entre 122 candidatos.
É uma disputa dentro de várias disputas.
O eleitor escolhe um nome. Mas a eleição desse nome depende também da quantidade de votos acumulada pelo partido ou federação.
É justamente aí que começam as surpresas.
Um candidato pode receber dezenas de milhares de votos e ficar sem mandato. Outro, com votação individual inferior, pode entrar em Brasília porque sua chapa conquistou mais cadeiras.
Por isso, para tentar identificar quem larga em melhores condições pelas oito vagas de Mato Grosso do Sul na Câmara dos Deputados, não basta colocar os candidatos em ordem de pesquisa.
É preciso cruzar quatro elementos: intenção espontânea de voto, desempenho eleitoral anterior, força coletiva da chapa e capacidade de exposição durante a campanha.
Esse cruzamento mostra uma eleição mais apertada do que parece.
E deixa claro que Brasília não terá espaço para todos os nomes conhecidos que estão nas urnas.
Mato Grosso do Sul registrou 122 candidaturas para deputado federal em 2026, uma média superior a 15 concorrentes por cadeira.

Primeiro, uma correção importante sobre as alianças
No campo majoritário, vários partidos estão juntos na sustentação de candidaturas ao Governo e ao Senado.
Para deputado federal, porém, a matemática é diferente.
A Federação União Progressista é formada exclusivamente por União Brasil e PP. PL, Republicanos, MDB e Federação PSDB/Cidadania possuem suas próprias chapas proporcionais e disputam votos entre si, mesmo quando estão juntos na eleição para governador ou senador.
O registro da Federação União Progressista foi aprovado pelo TSE em março e reúne formalmente União Brasil e Progressistas.
Essa separação é decisiva.
Na eleição proporcional, aliados no palanque majoritário podem ser concorrentes diretos pela mesma cadeira em Brasília.
A fotografia mais recente das urnas
A pesquisa mais nova do Instituto Ranking Brasil Inteligência para deputado federal foi realizada entre 7 e 12 de agosto, com 2 mil entrevistados em 30 municípios.
O levantamento é espontâneo, portanto o eleitor responde sem receber uma lista de candidatos.
Rose Modesto aparece com 3,4%, seguida por Mara Caseiro, com 2,3%, Camila Jara, com 2,2%, Rodolfo Nogueira, com 2,1%, Marcos Pollon, com 1,8%, Geraldo Resende, com 1,6%, Marquinhos Trad, com 1,5%, Beto Pereira, com 1,4%, Luiz Ovando, com 1,3%, Professor Juari, com 1,2%, Dagoberto Nogueira, com 1,1%, e Jaime Verruck, com 1%.
| Nome | Partido/Federação | Espontânea |
|---|---|---|
| Rose Modesto | União Progressista | 3,4% |
| Mara Caseiro | PL | 2,3% |
| Camila Jara | PT/PV/PCdoB | 2,2% |
| Rodolfo Nogueira | PL | 2,1% |
| Marcos Pollon | PL | 1,8% |
| Geraldo Resende | União Progressista | 1,6% |
| Marquinhos Trad | PV, Federação Brasil da Esperança | 1,5% |
| Beto Pereira | Republicanos | 1,4% |
| Luiz Ovando | União Progressista | 1,3% |
| Professor Juari | PSDB/Cidadania | 1,2% |
| Dagoberto Nogueira | União Progressista | 1,1% |
| Jaime Verruck | Republicanos | 1,0% |
Mas existe um número ainda maior do que todos eles.
39% não souberam ou não responderam. Outros 29,45% apontaram branco ou nulo.
Isso significa que quase sete em cada dez entrevistados ainda não apresentaram espontaneamente um candidato válido para deputado federal.
Portanto, essa não é uma eleição decidida.
É uma eleição começando a tomar forma.
2022 mostra por que não se pode desprezar os veteranos
A eleição passada oferece outra peça importante.
Em 2022, Marcos Pollon foi o deputado federal mais votado de Mato Grosso do Sul, com 103.111 votos.
Beto Pereira recebeu 97.872.
Geraldo Resende teve 96.519.
Vander Loubet, que neste ano disputa o Senado, conquistou 76.571.
Camila Jara recebeu 56.552.
Dagoberto Nogueira teve 48.217.
Luiz Ovando, 45.491.
Rodolfo Nogueira entrou com 41.773 votos.
O resultado partidário foi igualmente revelador.
PSDB/Cidadania fez três cadeiras.
PL conquistou duas.
PT/PV/PCdoB ficou com duas.
PP elegeu uma.
Quatro anos depois, aquela estrutura simplesmente não existe mais.
Beto Pereira foi para o Republicanos.
Geraldo Resende está no União Brasil.
Dagoberto está no PP.
PL manteve Pollon e Rodolfo e acrescentou Mara Caseiro.
PT perdeu Vander da disputa proporcional porque ele agora concorre ao Senado.
A eleição de 2026 é, portanto, também uma redistribuição dos votos que em 2022 ficaram concentrados em poucas estruturas partidárias.
Rose entra com um patrimônio eleitoral que não aparece apenas na pesquisa
Rose Modesto lidera o levantamento atual com 3,4%.
Mas seu principal ativo analítico talvez esteja no passado.
Na última vez em que disputou exatamente o mesmo cargo, em 2018, foi a deputada federal mais votada de Mato Grosso do Sul, com 120.901 votos.
Depois disso, disputou o Governo do Estado em 2022 e a Prefeitura de Campo Grande em 2024.
Ou seja, não chega à campanha dependendo exclusivamente de uma pesquisa de agosto.
Chega com histórico comprovado de votação para a Câmara e alto nível de conhecimento eleitoral.
Dentro da União Progressista, aparece hoje muito à frente dos demais nomes na espontânea.
No cenário atual, Rose é o nome mais bem posicionado da federação para a primeira cadeira.
União Progressista pode fazer duas e sonha com a terceira
Depois de Rose, a disputa interna fica pesada.
Geraldo Resende aparece com 1,6%.
Luiz Ovando tem 1,3%.
Dagoberto Nogueira registra 1,1%.
Os três são deputados federais em exercício e todos já demonstraram capacidade de votação.
Em 2022, Geraldo teve 96.519 votos, Dagoberto 48.217 e Ovando 45.491.
Em junho, o próprio Instituto Ranking estimava duas a três cadeiras para a Federação União Progressista. A projeção era anterior à configuração definitiva das candidaturas e deve ser tratada como referência, não como previsão fechada.
A federação ganhou outro ativo nesta semana.
Na divisão do horário eleitoral, União Progressista terá o maior tempo entre as chapas proporcionais: 2 minutos e 49 segundos diários para deputado federal, a partir de 28 de agosto.
Tempo de televisão não elege sozinho.
Mas aumenta capacidade de apresentação de candidatos menos conhecidos e reforça nomes que já possuem recall.
Leitura da chapa
No cenário atual, duas cadeiras aparecem como objetivo bastante competitivo para União Progressista.
Rose larga na frente.
Geraldo aparece melhor colocado na pesquisa atual para a segunda.
Ovando e Dagoberto ficam diretamente ligados à possibilidade de uma terceira cadeira ou de mudança na ordem interna.
PL tem talvez a disputa interna mais perigosa
O PL apresenta um problema que muitos partidos gostariam de ter.
Tem candidatos demais com potencial real.
Mara Caseiro aparece com 2,3%.
Rodolfo Nogueira tem 2,1%.
Marcos Pollon registra 1,8%.
São apenas cinco décimos separando os três.
Mara chega à disputa federal depois de ter sido a deputada estadual mais votada de Mato Grosso do Sul em 2022, com 49.512 votos.
Rodolfo já ocupa cadeira em Brasília.
Pollon não apenas tem mandato, como foi o deputado federal mais votado do Estado em 2022, com mais de 103 mil votos.
É por isso que seria precipitado olhar apenas para a ordem da pesquisa espontânea e decretar que Pollon está atrás.
Ele possui um histórico eleitoral que nenhum dos números atuais elimina.
O PL também terá forte exposição no horário eleitoral, com 2 minutos e 40 segundos por dia, praticamente empatado com a União Progressista em capacidade de televisão.
Em junho, o Ranking estimava potencial de duas a três vagas para o partido.
O drama do PL
Se fizer três, a configuração atual favorece justamente Mara, Rodolfo e Pollon.
Se fizer duas, um dos três ficará sem cadeira.
Isso transforma a briga interna do PL em uma das mais importantes da eleição.
O adversário de Pollon não é apenas alguém do PT ou da União Progressista.
Pode ser Mara.
Pode ser Rodolfo.
E o mesmo raciocínio vale para os três.
A matemática partidária faz aliados disputarem o mesmo espaço.
Camila segura a primeira vaga do PT, mas Vander faz falta na soma
A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, apresenta outro desenho.
Camila Jara lidera com 2,2%.
Marquinhos Trad aparece logo atrás, com 1,5%.
Sandro Omar tem 0,7%.
Camila foi eleita em 2022 com 56.552 votos. Vander Loubet, porém, foi o principal nome da federação naquela eleição, com 76.571. Neste ano, Vander está fora da chapa federal e concorre ao Senado.
Isso cria uma conta interessante.
A federação perde um puxador comprovado de 76 mil votos, mas incorpora Marquinhos Trad, atualmente filiado ao PV e candidato a deputado federal.
A pesquisa de junho estimava uma a duas cadeiras para o grupo.
No cenário atual, Camila aparece como o nome mais bem colocado para a primeira.
A segunda depende principalmente do desempenho de Marquinhos e da capacidade da chapa de substituir os votos que Vander levou para a eleição ao Senado.
Republicanos aposta no peso eleitoral de Beto
Talvez Beto Pereira seja o melhor exemplo de por que pesquisa espontânea e histórico eleitoral precisam ser analisados juntos.
Hoje ele aparece com 1,4%.
Jaime Verruck tem 1%.
Isa Marcondes aparece com 0,8%.
Roberto Hashioka registra 0,7%.
Mas Beto chegou à Câmara em 2022 com 97.872 votos, a segunda maior votação daquele pleito para deputado federal no Estado.
O Republicanos não possuía cadeira própria entre os oito eleitos de 2022 em Mato Grosso do Sul.
Agora entra em 2026 carregando justamente um deputado que esteve entre os mais votados daquele ano.
Em junho, o Ranking colocava o partido na faixa de uma a duas vagas.
A primeira passa claramente por Beto.
Para buscar uma segunda, o desempenho de Jaime Verruck, Isa Marcondes, Roberto Hashioka e dos demais integrantes da chapa será decisivo.
O PSDB tenta sobreviver ao esvaziamento da bancada de 2022
Nenhuma legenda ilustra melhor a transformação eleitoral do que o PSDB.
Em 2022, a federação PSDB/Cidadania elegeu três dos oito deputados federais de Mato Grosso do Sul.
Beto Pereira.
Geraldo Resende.
Dagoberto Nogueira.
Nenhum dos três disputa a eleição de 2026 pelo PSDB.
Agora, Professor Juari lidera a chapa com 1,2%.
Viviane Luiza aparece com 0,9%.
Bia Cavassa tem 0,7%.
Juari já disputou federal em 2022 e recebeu 20.634 votos, ficando como primeiro suplente da antiga chapa tucana. Bia recebeu 14.289.
Em junho, o Ranking projetava uma cadeira para PSDB/Cidadania.
Mas a federação terá uma desvantagem objetiva de exposição: apenas 35 segundos diários no horário eleitoral proporcional, muito abaixo de União Progressista, PL, PT e Republicanos.
A primeira vaga tucana existe como possibilidade real.
Mas hoje está menos protegida do que as três conquistadas pelo grupo em 2022.
Então, se a eleição fosse hoje, como ficariam as oito vagas?
A projeção mais responsável não é escolher os oito maiores percentuais da pesquisa.
Isso seria matematicamente errado.
O cenário central, considerando a pesquisa atual, as projeções anteriores de cadeiras, o desempenho de 2022 e a configuração definitiva das principais chapas, ficaria assim:
| Chapa | Cenário-base | Nomes no centro da disputa |
| União Progressista | 2 vagas, com possibilidade de 3 | Rose, Geraldo, Ovando, Dagoberto |
| PL | 2 vagas, com possibilidade de 3 | Mara, Rodolfo, Pollon |
| PT/PV/PCdoB | 1 vaga, com possibilidade de 2 | Camila, Marquinhos |
| Republicanos | 1 vaga, com possibilidade de 2 | Beto, Jaime, Isa, Hashioka |
| PSDB/Cidadania | disputa 1 vaga | Juari, Viviane, Bia |
Essa tabela não soma oito automaticamente porque é exatamente nas duas últimas cadeiras que está o coração da eleição.
Se União Progressista conquistar a terceira, alguém entre Ovando e Dagoberto pode entrar.
Se o PL fizer três, Mara, Rodolfo e Pollon podem ocupar juntos quase 40% da bancada federal do Estado.
Se a federação do PT fizer duas, Marquinhos entra diretamente na briga.
Se o Republicanos crescer para duas, Jaime Verruck surge como o segundo nome mais lembrado da legenda hoje.
Se PSDB/Cidadania alcançar uma cadeira, Professor Juari começa a campanha na frente dos demais nomes tucanos.
Não há espaço para todas essas possibilidades ao mesmo tempo.
É daí que sairão os derrotados mais surpreendentes.
Seis cadeiras parecem mais estruturadas. As outras duas são o campo de batalha
O cenário mais conservador hoje aponta dois grandes blocos disputando quatro cadeiras.
Duas para União Progressista.
Duas para o PL.
PT e Republicanos aparecem com condições para assegurar pelo menos uma cadeira cada dentro das projeções publicadas anteriormente.
Isso consumiria seis das oito vagas.
As duas restantes seriam disputadas por cinco movimentos simultâneos:
a terceira cadeira do PL, a terceira da União Progressista, a segunda da Federação Brasil da Esperança, a segunda do Republicanos e a tentativa do PSDB/Cidadania de conquistar sua primeira.
É aí que a eleição pode surpreender.
Os nomes com maior pressão
Pollon carrega 103 mil votos de 2022, mas agora divide uma chapa com Mara e Rodolfo em patamares muito próximos na pesquisa.
Ovando e Dagoberto possuem mandato, mas precisam atravessar a congestionada chapa de Rose e Geraldo.
Marquinhos tem recall estadual, mas depende de o PT/PV/PCdoB fazer mais de uma cadeira.
Juari lidera sua federação, mas precisa primeiro fazer com que PSDB/Cidadania conquiste uma vaga.
Jaime Verruck aparece bem na pesquisa, mas está atrás de Beto dentro de um partido que ainda precisa provar nas urnas capacidade para fazer a segunda cadeira.
Não existe necessariamente um candidato fraco nessa faixa.
Existe falta de vaga.
E três mulheres começam acima de todos
Há ainda uma mudança política relevante que não pode ser ignorada.
Os três maiores percentuais individuais da pesquisa são de mulheres.
Rose Modesto.
Mara Caseiro.
Camila Jara.
São três partidos diferentes, trajetórias diferentes e campos políticos diferentes.
Em 2022, apenas Camila foi eleita mulher entre os oito representantes de Mato Grosso do Sul na Câmara.
Em 2026, a largada apresenta uma possibilidade bastante diferente.
Rose está na frente da União Progressista.
Mara lidera o PL.
Camila lidera a Federação Brasil da Esperança.
Se as respectivas chapas transformarem essa lembrança em votação, a futura bancada poderá ter uma presença feminina muito maior.
A eleição que pode derrubar nomes grandes
O primeiro erro seria imaginar que os oito candidatos mais conhecidos serão automaticamente os oito eleitos.
O segundo seria acreditar que mandato garante reeleição.
E o terceiro seria ignorar a chapa.
Em 2022, o PSDB/Cidadania conquistou três cadeiras.
Hoje, os três deputados que ocuparam essas vagas estão espalhados entre Republicanos e União Progressista.
O PL ganhou dois deputados e agora colocou Mara Caseiro no mesmo espaço eleitoral de Rodolfo e Pollon.
O PT elegeu dois, mas perdeu Vander da proporcional e colocou Marquinhos para tentar preservar a segunda cadeira.
Republicanos começa esta eleição muito mais forte do que terminou a anterior.
E a União Progressista concentra Rose Modesto e três deputados federais em exercício na mesma chapa.
A campanha de deputado federal em Mato Grosso do Sul será, portanto, uma eleição de duas guerras.
A primeira acontece entre os partidos.
A segunda, talvez ainda mais dura, acontece dentro deles.
Hoje existem nomes que largam melhor.
Existem chapas que começam mais robustas.
E já é possível desenhar uma zona de eleição.
Mas são 122 candidatos para oito cadeiras.
Quando as urnas fecharem, a conta será inevitável:
para cada oito que entrarem em Brasília, haverá dezenas que ficarão pelo caminho.
E, pelo tamanho dos nomes reunidos nas principais chapas, alguns deles serão medalhões.
Data de corte da análise: 23 de agosto de 2026.
Nota metodológica: esta matéria apresenta uma leitura jornalística de cenários, baseada em pesquisas registradas, votação anterior, composição das chapas e distribuição de exposição partidária. Não constitui pesquisa de probabilidade eleitoral nem afirma que qualquer candidatura esteja matematicamente eleita.
