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Professor, jornalista e médico-veterinário será empossado nesta sexta-feira, em Brasília, após mais de cinco décadas dedicadas ao ensino, à defesa sanitária e à comunicação com o campo

Há reconhecimentos que premiam um trabalho bem executado.

Outros chegam para confirmar que uma vida inteira deixou marcas profundas demais para serem esquecidas.

Nesta sexta-feira, 31 de julho, Osmar Pereira Bastos atravessará oficialmente essa segunda fronteira. O médico-veterinário, professor e jornalista tomará posse como membro titular da Academia Brasileira de Medicina Veterinária, a Abramvet, em solenidade marcada para as 14h, no auditório do Conselho Federal de Medicina Veterinária, em Brasília.

Osmar será o primeiro profissional de Mato Grosso do Sul a ocupar uma cadeira na instituição.

Pela primeira vez, o Estado terá um representante entre os chamados imortais da Medicina Veterinária brasileira.

A cerimônia reunirá 15 novos acadêmicos titulares. A Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo confirmou que Osmar está entre os quatro ex-alunos da instituição escolhidos para a nova turma.

Não é apenas uma posse.

É Mato Grosso do Sul entrando em uma instituição criada para preservar a memória, reconhecer grandes contribuições e ajudar a pensar o futuro da profissão.

Quando Osmar receber o capelo, a medalha e o diploma, não estará sozinho.

Com ele entrarão a universidade pública, a defesa sanitária animal, o jornalismo rural, os profissionais que ajudou a formar e milhares de pessoas que aprenderam sobre o campo por meio de sua voz.

Uma cadeira construída durante meio século

A chegada à Academia não nasceu de uma conquista isolada.

Foi construída lentamente, ao longo de mais de cinco décadas de trabalho.

Osmar graduou-se em Medicina Veterinária pela Universidade de São Paulo em 1976. Também realizou formação complementar na Iowa State University, nos Estados Unidos, e na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

Sua escolha profissional começou dentro de casa.

O pai, também médico-veterinário, havia se formado pela USP em 1945. Foi nele que Osmar encontrou a primeira referência de uma profissão que, décadas mais tarde, se tornaria não apenas sua atividade, mas o eixo de toda a sua vida.

A influência familiar explica o início.

Não explica a dimensão alcançada.

Osmar construiu uma trajetória própria, marcada pela capacidade rara de unir diferentes mundos sem abandonar a essência de nenhum deles.

Foi professor sem se fechar dentro da universidade.

Foi técnico sem transformar conhecimento em linguagem inacessível.

Foi comunicador sem abrir mão do rigor científico.

Foi dirigente de classe sem se afastar da realidade dos profissionais.

É justamente essa combinação que torna sua entrada na Academia tão significativa.

O professor que permaneceu na vida dos alunos

Durante 35 anos, Osmar foi professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

Nesse período, participou da formação de centenas de médicos-veterinários e zootecnistas que hoje trabalham em diferentes regiões do país. A própria Revista do Conselho Federal de Medicina Veterinária destacou essa longa contribuição à formação profissional.

O impacto de um professor não cabe inteiramente em um currículo.

Ele aparece nas decisões tomadas por antigos alunos.

Na segurança de quem enfrentou o primeiro atendimento profissional.

Na lembrança de uma aula que ajudou a resolver um problema anos depois.

Na ética transmitida não apenas pelo conteúdo, mas pelo comportamento.

A influência de Osmar permanece espalhada por clínicas, propriedades rurais, laboratórios, órgãos públicos, universidades e empresas.

São profissionais que carregam parte do conhecimento que receberam dele.

Por isso, sua posse não pertence somente ao homem que ocupará a cadeira.

Também pertence às gerações que passaram por sua sala de aula.

Ciência a serviço da proteção animal

Antes de se tornar uma das vozes mais reconhecidas da comunicação agropecuária de Mato Grosso do Sul, Osmar teve atuação importante na defesa sanitária animal.

Durante sua passagem pelo serviço público estadual, participou da estruturação de um laboratório de diagnóstico da raiva animal, sob orientação do pesquisador Moacyr Rossi Nilson, referência nacional na área.

Osmar fundou e coordenou o Laboratório de Doença Animal ligado à estrutura que hoje integra a Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal, a Iagro. Também participou da implantação do diagnóstico da raiva em herbívoros e cães em Mato Grosso do Sul.

Era um trabalho técnico, silencioso e decisivo.

Diagnosticar doenças, proteger rebanhos, orientar medidas sanitárias e reduzir riscos não produz necessariamente grandes cenas públicas. Mas sustenta a segurança da produção, a saúde dos animais e a tranquilidade de milhares de famílias.

Foi nesse ambiente que Osmar percebeu uma nova necessidade.

A ciência precisava chegar ao produtor.

Não bastava dominar o conhecimento dentro dos laboratórios, das universidades ou das repartições. Era preciso explicar o que estava acontecendo de forma clara para quem vivia a realidade do campo.

A imprensa buscava especialistas capazes de traduzir doenças, riscos sanitários e medidas de prevenção.

Osmar aceitou o desafio.

Não deixou a Medicina Veterinária para entrar na televisão.

Levou a Medicina Veterinária com ele.

A voz que ensinou o campo pela televisão

A trajetória no jornalismo começou em 1984, na TV Morena, afiliada da Rede Globo em Mato Grosso do Sul.

A partir dali, Osmar ajudou a construir uma linguagem própria para a comunicação agropecuária regional.

Era necessário falar de ciência sem distanciamento.

De economia sem perder a realidade humana.

De produção sem esquecer a sanidade, o ambiente e o conhecimento técnico.

Ao longo de mais de quatro décadas, Osmar criou, produziu, editou ou apresentou programas que se tornaram referências, como MS Rural, Nosso Campo, Record Rural e Agronotícias. Atualmente, comanda o Agroeducativa, na TV Educativa de Mato Grosso do Sul, e participa da produção do AgrocastMS.

Sua contribuição foi maior do que simplesmente ocupar espaço na televisão.

Osmar criou pontes.

De um lado, pesquisadores, professores, médicos-veterinários, zootecnistas e especialistas.

Do outro, produtores rurais, trabalhadores, famílias, estudantes e pessoas interessadas em compreender um dos setores mais importantes da economia sul-mato-grossense.

Entre esses dois mundos, havia uma barreira de linguagem.

Osmar ajudou a derrubá-la.

Explicava sem diminuir o conteúdo.

Informava sem transformar conhecimento técnico em espetáculo.

Orientava sem tratar o público como incapaz de compreender.

Foi assim que a ciência veterinária chegou a milhares de casas.

Um jornalista que nunca deixou de ser professor

Osmar não abandonou a docência quando entrou na comunicação.

Apenas ampliou a sala de aula.

Na universidade, ensinava diante de estudantes que haviam escolhido uma profissão.

Na televisão, falava para um Estado inteiro.

A câmera passou a ser uma nova forma de quadro.

A reportagem, uma extensão da aula.

O produtor rural que acompanhava o programa de casa também se tornava aluno.

Essa característica explica por que a trajetória de Osmar não pode ser dividida em carreiras separadas.

O veterinário alimentava o jornalista.

O professor organizava o comunicador.

O pesquisador dava segurança à informação.

E o jornalista devolvia à sociedade aquilo que a universidade e a experiência profissional haviam produzido.

A Revista CFMV definiu sua trajetória justamente pela união entre a Medicina Veterinária e quatro décadas de jornalismo dedicado ao agronegócio.

Representação e compromisso com a profissão

Osmar também participou diretamente da organização e da representação institucional da categoria.

Foi presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Mato Grosso do Sul e recebeu o Título de Cidadão Sul-mato-grossense.

Essas experiências completam um percurso que não ficou restrito ao reconhecimento pessoal.

Osmar ajudou a representar profissionais, discutir os rumos da categoria e ampliar a presença pública da Medicina Veterinária.

A profissão, para ele, nunca foi apenas uma atividade individual.

Foi compromisso coletivo.

Talvez por isso sua chegada à Academia pareça tão coerente.

Ele entra em uma instituição nacional depois de passar a vida trabalhando para fortalecer a ciência, a educação, a sanidade animal e a valorização profissional.

O significado da Academia

A Academia Brasileira de Medicina Veterinária foi criada em 1983 pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária, durante as comemorações dos 50 anos da primeira regulamentação da profissão no país.

A instituição reúne profissionais reconhecidos por contribuições relevantes à ciência, ao ensino, à cultura e ao desenvolvimento da Medicina Veterinária brasileira.

Seus membros titulares ocupam cadeiras ligadas à memória da profissão e são tradicionalmente chamados de imortais.

A palavra não significa que o tempo deixa de passar.

Significa que a contribuição de uma pessoa passa a integrar de forma permanente a história da instituição.

É exatamente isso que acontece com Osmar.

A partir da posse, sua trajetória deixa de ser apenas memória de alunos, colegas, produtores e telespectadores.

Passa a integrar formalmente a memória nacional da Medicina Veterinária.

Mato Grosso do Sul também será empossado

A entrada do primeiro representante sul-mato-grossense possui um significado ainda maior em um Estado profundamente ligado à produção agropecuária.

Mato Grosso do Sul tem na pecuária, na agricultura, na defesa sanitária e na pesquisa animal parte essencial de sua formação econômica e social.

Mesmo assim, ainda não havia ocupado uma cadeira na Academia Brasileira de Medicina Veterinária.

Isso muda nesta sexta-feira.

Osmar entra por mérito próprio.

Mas leva consigo um território inteiro.

Leva a história da universidade pública em Mato Grosso do Sul.

Leva os profissionais que construíram a defesa sanitária estadual.

Leva a pecuária, os laboratórios, as escolas, os produtores e os trabalhadores do campo.

Leva também a comunicação regional, que durante décadas mostrou ao Brasil que o agro não é composto apenas de produção e números.

É feito de ciência, responsabilidade, pessoas, riscos, decisões e conhecimento.

Uma turma de grandes trajetórias

Osmar será empossado ao lado de outros profissionais de projeção nacional.

Entre os novos acadêmicos ligados à USP estão João Palermo Neto, professor titular e emérito com atuação em farmacologia; Arani Nanci Bomfim Mariana, professora e pesquisadora na área de anatomia e morfologia animal; e Enrico Lippi Ortolani, referência na clínica de ruminantes e na buiatria.

A presença de nomes com trajetórias científicas tão relevantes ajuda a dimensionar o reconhecimento recebido por Osmar.

Ele não chega à cerimônia como uma participação regional colocada em segundo plano.

Chega como integrante de uma turma nacional formada por profissionais que dedicaram décadas ao conhecimento, ao ensino e à valorização da Medicina Veterinária.

Chega em igualdade.

Uma conquista dividida com os pais

Ao falar sobre o ingresso na Academia, Osmar definiu o momento como uma coroação depois de mais de 50 anos de trajetória profissional.

“É muita emoção”, afirmou.

Mas sua primeira reação não foi olhar apenas para os cargos, programas, aulas ou conquistas acumuladas.

Osmar dividiu o reconhecimento com a memória dos pais.

Lembrou do pai médico-veterinário, responsável por inspirar sua escolha profissional, e da mãe, que participou da construção das condições necessárias para sua formação.

Esse detalhe torna a conquista ainda mais humana.

Por trás do currículo extenso, existiu um filho.

Antes do professor, do dirigente e do comunicador, existiu um jovem que recebeu apoio para estudar.

Antes da cadeira na Academia, houve uma família que acreditou no caminho escolhido.

A posse também será uma forma de devolução.

Uma homenagem silenciosa a quem ajudou a tornar possível tudo aquilo que viria depois.

O rito de uma vida reconhecida

Na solenidade, os novos acadêmicos deverão receber os símbolos tradicionais da Academia, como o capelo, a medalha e o diploma.

Também assinarão o Livro de Posse, registro permanente da entrada de cada membro na instituição.

Quando Osmar colocar sua assinatura naquele livro, mais de cinco décadas estarão condensadas em poucos segundos.

A graduação em 1976.

Os anos dentro da universidade.

O laboratório de diagnóstico.

As primeiras entrevistas.

A estreia na televisão em 1984.

Os programas que atravessaram gerações.

Os alunos que se tornaram profissionais.

Os produtores que receberam orientação.

Os colegas que compartilharam projetos.

As instituições que ajudou a fortalecer.

Tudo estará ali.

Quando uma carreira se torna legado

A posse não encerra a história de Osmar Bastos.

Ela muda o lugar dessa história.

Até agora, seu legado podia ser visto nas pessoas, nos arquivos de televisão, na universidade, nos laboratórios e na memória do campo.

A partir de sexta-feira, também estará registrado em uma cadeira da Academia Brasileira de Medicina Veterinária.

Há algo profundamente simbólico nisso.

O homem que passou a vida comunicando conhecimento torna-se parte permanente da memória da profissão.

O professor que ajudou tantos alunos a iniciarem suas trajetórias recebe o reconhecimento de seus próprios pares.

O jornalista que levou a ciência para fora dos muros acadêmicos passa a ocupar uma instituição criada para preservar essa ciência.

E Mato Grosso do Sul, pela primeira vez, entra com ele.

Osmar chegará à Academia por uma trajetória individual.

Mas não ocupará aquela cadeira sozinho.

Sentarão com ele os antigos alunos, os colegas, os profissionais da defesa sanitária, os produtores rurais, os telespectadores e todos aqueles que encontraram em seu trabalho uma informação capaz de ensinar, proteger ou transformar.

Nesta sexta-feira, a Medicina Veterinária brasileira receberá um novo imortal.

E, pela primeira vez, ele será de Mato Grosso do Sul.


mais informações
ELAINE SILVA 67 99270-8603

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