Campo Grande (MS) — Em construção sobre o Rio Paraguai, a ponte binacional de Porto Murtinho–Carmelo Peralta é a obra-símbolo do Corredor Bioceânico e representa uma virada estratégica para a logística do Centro-Oeste. Quando concluída, a ponte conectará Brasil, Paraguai, Argentina e Chile por via rodoviária até os portos do Pacífico, reduzindo tempo, distância e custo de exportação — especialmente para o agronegócio e a indústria sul-mato-grossense.
Uma nova fronteira logística
Com cerca de 1,3 mil metros de extensão, a ponte contará com trecho estaiado de 632 metros, vão central de 350 metros e altura de quase 30 metros sobre o leito do rio. O investimento é estimado entre US$ 85 milhões e US$ 136 milhões, financiado pela Itaipu Binacional, com complementos de infraestrutura feitos pelos governos do Brasil e do Paraguai.
Do lado brasileiro, estão sendo construídos 13 quilômetros de novas vias de acesso até a BR-267 e o porto seco de Murtinho. As obras já ultrapassaram 75% de avanço físico e a entrega é prevista para 2026, marcando um novo ciclo de integração logística na América do Sul.
Menos distância, menos tempo, mais competitividade
Atualmente, a maior parte das exportações de Mato Grosso do Sul segue para o Porto de Santos, no litoral paulista. Com o Corredor Bioceânico, a rota até os portos de Antofagasta e Iquique, no Chile, encurtará em mais de 4 mil quilômetros.
Isso significa redução de até 17 dias no transporte de cargas para países asiáticos, como a China, e uma economia média de 12% nos custos logísticos por tonelada. A mudança deve impulsionar o comércio exterior e atrair novos investimentos industriais para o Estado.
Impacto direto no agronegócio e na indústria
A ponte e o corredor vão beneficiar diretamente as cadeias produtivas do agronegócio, da celulose, da indústria química e metalmecânica. Com rotas mais curtas e previsíveis, o escoamento da safra será mais eficiente e competitivo.
Para o agronegócio, a nova ligação reduz gargalos de transporte durante o pico de exportações e diminui perdas com armazenamento e frete. Já a indústria sul-mato-grossense ganha acesso facilitado a mercados da Ásia e do Pacífico, ampliando margens e oportunidades de comércio.
A engenharia de um marco continental
A ponte binacional tem um dos maiores vãos estaiados da América do Sul e usa tecnologia de ponta em concreto de alta resistência. Para suportar as variações térmicas da região pantaneira, a obra utiliza concreto resfriado com gelo, garantindo maior durabilidade estrutural.
O canteiro emprega cerca de 450 trabalhadores diretos e envolve equipes de engenharia do Brasil e do Paraguai, simbolizando um esforço conjunto de integração continental.
Desafios e próximos passos
Para que o corredor funcione plenamente, será necessária a integração das aduanas e sistemas alfandegários entre os países, além da conclusão dos acessos rodoviários em território brasileiro.
Também estão em andamento negociações para padronizar documentos, seguros e procedimentos de pesagem, a fim de permitir o trânsito livre de cargas sem perda de tempo nas fronteiras.
Linha do tempo
- 2017–2020: definição do traçado e início das tratativas diplomáticas.
- 2022–2025: execução da ponte e dos acessos rodoviários.
- 2026: previsão de entrega da obra e início da operação plena do corredor.
Um novo papel para Mato Grosso do Sul
Com a conclusão da ponte, Mato Grosso do Sul deixará de ser apenas corredor de passagem para se tornar um hub logístico da América do Sul, conectando o Atlântico ao Pacífico.
O projeto abre caminho para novas zonas de processamento industrial, aumento da competitividade e geração de empregos, consolidando o Estado como protagonista da integração continental.
Série Especial – 48 Anos de Mato Grosso do Sul
🚧 Parte 2 – A Ponte Bioceânica: o caminho que ligará o Mato Grosso do Sul ao Pacífico e ao futuro.

