O Plano Safra 2025/2026 foi anunciado pelo Governo Federal com pompa e números bilionários: R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial e R$ 89 bilhões para a agricultura familiar. Mas, quando se olha com lupa, o que se encontra é um plano que penaliza o produtor médio e grande com juros pesados, corta investimentos em infraestrutura rural e joga para a plateia com discursos sobre sustentabilidade e bioeconomia.
📊 Os números que o governo não gritou
O total anunciado para agricultura empresarial (R$ 516,2 bilhões) representa um crescimento tímido de apenas 1,6% em relação ao plano anterior. E mais: houve uma redução de 5,4% nos recursos para investimentos, ou seja, menos dinheiro para compra de máquinas, irrigação, armazenagem e inovação.
“O produtor precisa investir para modernizar. Cortar nessa área em plena crise climática é no mínimo incoerente”, afirma o economista agroindustrial Marcos Jank, pesquisador do INSPER.
🚨 Juros em disparada
Com a Selic em alta, o governo jogou os juros do crédito rural lá para cima:
| Modalidade | 2024/25 | 2025/26 |
|---|---|---|
| Pronamp (médio produtor) | 8% | 10% |
| Moderfrota (máquinas) | 11,5% | 13,5% |
| Proirriga (irrigação) | 10,5% | 12,5% |
| Custeio empresarial | 12% | 14% |
“É um freio de mão puxado para o agro. Não adianta liberar bilhões se o crédito está inviável”, alerta Álvaro Eiró, analista da consultoria Datagro.
🌱 A promessa verde: real ou marketing?
Na contramão do sufoco da agricultura empresarial, o governo turbina o discurso da “transição ecológica”, apostando em programas como Pronaf Agroecologia, Pronara (redução de agrotóxicos), sistemas agroflorestais e incentivo à produção de sementes nativas. Tudo muito bonito no papel.
O problema? Esses programas representam apenas uma fração dos recursos, e muitos deles ainda não têm operacionalização clara nos bancos.
“Falta capilaridade, falta treinamento e falta assistência técnica para fazer a roda girar”, diz a agrônoma e professora da UFMS, Luciana Brandão.
👩🌾 Agricultura familiar: avanço ou populismo?
O governo elevou o crédito do Pronaf para R$ 78,2 bilhões, com juros subsidiados de 2% a 3% ao ano para itens da cesta básica e 0,5% para microcrédito agroecológico. A medida é bem-vinda, mas levanta críticas sobre a concentração de esforços em um segmento que, embora estratégico, não sustenta sozinho a balança comercial agrícola do Brasil.
“Estão tentando reverter décadas de desmonte com um cheque e uma hashtag”, ironiza um consultor do próprio MDA, sob anonimato.
⚠️ Impactos no Mato Grosso do Sul
O estado, um dos motores do agro nacional, depende fortemente de crédito para armazenagem, maquinário e expansão. A elevação dos juros e a queda dos investimentos comprometem a competitividade justamente num momento em que o MS enfrenta eventos climáticos severos e disputas de mercado externo cada vez mais acirradas.
📎 O que fica no papel (e não na lavoura)
O Plano Safra 2025/2026 chega com recordes nominais, mas não entrega poder de compra real ao produtor, nem resolve gargalos estruturais. Ao contrário: transfere ao agricultor a conta da alta dos juros, enquanto aposta em narrativa ambiental e crédito verde para ganhar manchetes.
✅ Avanços reais:
- Maior crédito da história para o Pronaf
- Expansão de linhas específicas para mulheres e jovens
- Inclusão de novas práticas sustentáveis
❌ Retrocessos preocupantes:
- Juros proibitivos para médio e grande produtor
- Menos recursos para investimento em infraestrutura
- Burocracia e lentidão na liberação do crédito
📢 Conclusão
O agro brasileiro pediu segurança, e recebeu incerteza. Pediu fôlego, e recebeu taxa de juros. Pediu infraestrutura, e recebeu discurso verde. O Plano Safra 2025/2026 pode até brilhar nas estatísticas, mas escancara o distanciamento entre Brasília e o campo.

