Brasília – 10 de junho de 2025 – Em sessão transmitida ao vivo, Jair Bolsonaro prestou depoimento no STF por suposta liderança de golpe pós-eleitoral em 2022. Transformou o interrogatório em um comício, reafirmando que jamais arquitetou um plano golpista — e que, se ocorreu algo, foi apenas discussão de “alternativas dentro da Constituição”
Principais pontos:
- Nada de golpe: Bolsonaro negou qualquer plano golpista e defendeu que a transição de poder foi “pacífica”, conforme ele declarou ao ministro Alexandre de Moraes
- Discussão com militares: Admitiu conversas com as Forças Armadas sobre o artigo 142 da Constituição, mas afirmou que nada saiu daí e que não houve ordem ilegal
- ‘Minuta do golpe’ minimizada: Bolsonaro afirmou que o documento era apenas um rascunho de “considerandos”, sem caráter conspiratório
- Pedido de desculpas: Reconheceu excessos retóricos ao acusar ministros do STF de corrupção e pediu desculpas por insinuações sem provas
- Brincadeira com Moraes: No meio do depoimento, provocou uma quebra de tom ao convidar o ministro Moraes para ser seu vice em 2026 — convite recusado com elegância
- Ataques de 8 de janeiro: Classificou os manifestantes de “malucos” e minimizou a gravidade dos atentados de janeiro de 2023, dizendo que não houve armas ou comando central
Ao final da oitiva, fontes como El País destacaram que Bolsonaro apresentou seus argumentos como um verdadeiro comício, sustentando narrativa de “patriota perseguido” e tentando mobilizar a opinião pública .
🧭 Previsão a partir do que comentam os principais canais do país
1. Retórica eficaz, mas risco real
Comentários na mídia especializada (Folha, O Globo, Veja) ressaltam a habilidade de Bolsonaro em virar o depoimento em narrativa política, usando linguagem emocional e lembrando apoiadores da “guerra cultural”. Mas esses analistas advertiram: apesar da retórica, Lula já consolidou discurso institucional e tende a neutralizar o impacto eleitoral
2. Reação do STF e prazo da sentença
A grande expectativa é sobre o tempo do julgamento. El País e Reuters afirmam que a sentença deve sair até o fim de 2025, provavelmente antes da campanha de 2026, para evitar influências nas urnas .
3. Reação popular dividida
A radicalização continua: de um lado, o bolsonarismo se anima com o “mega-palanque” STF; do outro, setores moderados e mercado demonstram preocupação com a instabilidade política — o que desfavorece Bolsonaro.
🔮 Prognóstico final
- Sentença virá até dezembro de 2025, com possibilidade de condenações pesadas — tanto do ex-presidente quanto de militares.
- Reação de Bolsonaro vai oscilar entre mobilização populista (comícios, lives) e apelos ao diálogo, focando em estratégias eleitorais para 2026.
- Caminhos para 2026:
- Caso aja condenação definitiva (e sem efeitos eleitorais por inabilitação), Bolsonaro pode tentar puxar o pleito de volta por meio de um indicativo conservador dentro de um nome aliado (no PL).
- Caso consiga algum alívio judicial ou aposentadoria de sua inelegibilidade, virá com tudo novamente.
Em resumo: ele jogou pesado. Vence nas redes e entre fiéis, mas corre risco jurídico real — e o STF não parecer estar disposto a prolongar esse duelo indefinidamente.

