Senador eleito pelo PL anuncia fiscalização do Planalto; Azambuja diz que prioridades de Mato Grosso do Sul estarão acima da disputa presidencial.
O senador eleito por Mato Grosso do Sul Capitão Contar (PL) anunciou que pretende adotar uma postura de fiscalização do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e resistir a indicações políticas feitas pelo presidente. A declaração foi dada em Campo Grande, na noite de domingo (25), após a confirmação da reeleição de Lula. O posicionamento antecipa uma das disputas que poderão marcar o Senado a partir de 2027.
Contar afirmou que a nova composição da Casa aumenta a responsabilidade de acompanhar as decisões do Executivo federal. Ao tratar das futuras nomeações, disse que pretende atuar para barrar indicações que considera políticas. A manifestação expressa uma intenção de voto e articulação parlamentar, não uma decisão já tomada pelo Congresso.
Também eleito pelo PL, o ex-governador Reinaldo Azambuja adotou um discurso voltado à negociação das demandas estaduais. Ao comentar o resultado presidencial, afirmou que defenderá os interesses de Mato Grosso do Sul independentemente de quem estiver no Palácio do Planalto. A diferença de ênfase entre os dois aliados indica que fiscalização e busca por recursos federais deverão conviver na atuação da bancada.
Três cadeiras e uma nova relação com Brasília
Contar e Azambuja conquistaram as duas vagas de Mato Grosso do Sul em disputa no primeiro turno, em 4 de outubro. Eles assumirão mandatos no Senado em 2027 e se juntarão à senadora Tereza Cristina (PP), cujo mandato vai até 2031. Os três apoiaram a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno.
O Senado tem competência constitucional para aprovar ou rejeitar determinadas indicações presidenciais, entre elas nomes para tribunais superiores, Banco Central e missões diplomáticas. Isso não significa, porém, que um senador possa impedir sozinho uma nomeação. O resultado depende de votação e de articulação com outros parlamentares.
O que está em jogo
O discurso de Contar sinaliza disposição para confrontar o Planalto em votações sensíveis. Já a posição de Azambuja aponta para uma preocupação adicional: manter canais de negociação sobre infraestrutura, saúde, segurança e investimentos federais. A tensão política é concreta. A bancada de Mato Grosso do Sul poderá exercer oposição em Brasília e, ao mesmo tempo, precisar negociar com o governo reeleito para avançar projetos do Estado.
O primeiro teste será transformar as declarações do pós-eleição em atuação parlamentar verificável. Até a posse dos eleitos, prevista para 2027, não há votação atribuível a Contar ou Azambuja como senadores.
Imagem de arquivo: plenário do Senado Federal em 25 de outubro de 2024. Foto: Boaventuravinicius/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

