AGEMS 25 anos
Cadeira e equipamentos de consultório odontológico, imagem ilustrativa de arquivo; não retrata unidade de saúde de Mato Grosso do SulFoto ilustrativa de arquivo: IrfanDP / Wikimedia Commons. Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Dental_chair_in_a_dentist_clinic.jpg . Licença CC BY-SA 4.0: https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0/ . Sem alterações.

O câncer de boca provocou 172 mortes em Mato Grosso do Sul entre 2023 e 2026, e 141 das vítimas eram homens. Isso representa 82% dos óbitos registrados no período, segundo levantamento divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) na sexta-feira, 23 de outubro. Os números de 2025 e 2026 ainda são preliminares.

No Dia do Dentista, celebrado neste domingo (25), o dado expõe uma diferença importante entre os sexos e reforça o desafio de identificar lesões suspeitas antes que a doença avance. Para enfrentar o problema, o Governo do Estado está organizando uma linha de cuidado que conecta a atenção básica, o diagnóstico e o tratamento especializado.

Homens concentram casos e mortes

De 2023 a 2025, Mato Grosso do Sul registrou 417 casos de câncer de lábio e cavidade oral: 312 em homens e 105 em mulheres. É um recorte diferente daquele utilizado na contagem de mortes, que abrange 2023 a 2026. Por isso, os dois totais não podem ser usados para calcular a letalidade da doença.

A concentração de mortes também chama a atenção pela idade. Dos 172 óbitos contabilizados entre 2023 e 2026, 101 ocorreram em pessoas de 50 a 69 anos, equivalentes a 58,7% do total. Foram 55 mortes na faixa dos 60 aos 69 anos e 46 entre os 50 e os 59 anos.

Como o Estado pretende reduzir a demora

A SES estrutura a chamada Linha de Cuidado do Câncer de Boca, com apoio da ferramenta TeleEstomato/MS. O sistema permite que profissionais de saúde bucal nos municípios discutam lesões suspeitas com especialistas à distância e recebam orientação sobre a investigação de cada caso.

Segundo a secretaria, a biópsia pode ser realizada no próprio município, com envio da amostra ao laboratório de patologia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). O laudo é disponibilizado na ferramenta e, quando há confirmação da doença, o encaminhamento segue para a atenção oncológica e hospitalar.

O aplicativo é um recurso de apoio aos profissionais, não um substituto da consulta presencial. Para o paciente, a porta de entrada continua sendo a unidade de saúde.

O que os números ainda não mostram

A estratégia estadual procura enfrentar uma dificuldade conhecida de quem mora longe dos grandes centros: o deslocamento e a espera entre a primeira suspeita, a confirmação diagnóstica e o início do tratamento. O apoio remoto pode organizar melhor esse caminho, mas seu resultado dependerá do funcionamento da rede e da capacidade de atender os casos encaminhados.

Na divulgação de 23 de outubro, a SES não apresentou indicadores de tempo médio até a biópsia, prazo para início do tratamento ou número de pacientes atendidos pelo TeleEstomato/MS. Sem esses dados, ainda não é possível afirmar que a nova organização já reduziu a demora. Esse será um ponto essencial para acompanhar a efetividade da política pública.

Ferida que não cicatriza merece atenção

O Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer (Inca) orientam procurar um dentista ou médico quando uma ferida na boca ou nos lábios não cicatriza em até 15 dias. Manchas vermelhas ou esbranquiçadas, nódulos no pescoço e rouquidão persistente também precisam ser avaliados. Esses sinais podem ter outras causas e não significam, por si só, um diagnóstico de câncer.

Tabagismo e consumo de álcool são fatores de risco importantes. A orientação é não adiar a avaliação de alterações persistentes, especialmente entre pessoas com maior exposição a esses fatores.

A SES também prepara ações do Novembro Bordô, campanha de conscientização sobre o câncer de boca. A abertura estadual está prevista para 4 de novembro, em Campo Grande, com atividades voltadas à qualificação de profissionais da rede.

Apuração: dados divulgados pela SES/MS em 23 de outubro de 2026, orientações do Ministério da Saúde e do Inca. Foto ilustrativa de arquivo: IrfanDP/Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0. A imagem não retrata unidade de saúde de Mato Grosso do Sul.

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