Candidato do Avante salta de 0,10% para 0,90%, alcança o pelotão que disputa uma cadeira e transforma falta de recursos em sinal de competitividade eleitoral
A conta financeira parecia condenar Vanildo Neves a um papel secundário na eleição para deputado estadual. A pesquisa mais recente mostrou que não.
Com apenas R$ 9,2 mil em receitas declaradas, o candidato do Avante chegou a 0,90% das intenções espontâneas de voto. Odilon Ribeiro, do PL, aparece com 1,60%, sustentado por uma campanha que já recebeu R$ 776,6 mil.
Odilon arrecadou 84,4 vezes mais. Apesar disso, Vanildo alcançou 56,25% da intenção de voto registrada pelo adversário regional.
A comparação não permite afirmar que exista uma relação automática entre dinheiro e voto. Mostra, porém, o tamanho da diferença enfrentada por Vanildo e ajuda a explicar por que seu avanço se tornou um dos movimentos mais relevantes da última rodada.
Na pesquisa anterior em que teve pontuação publicada, Vanildo aparecia com 0,10%. Agora está com 0,90%. O índice ficou nove vezes maior justamente quando a campanha entrou na fase decisiva.
Odilon continua à frente. Mas já não disputa sozinho o protagonismo político no Portal do Pantanal.
A diferença é brutal
Os dados constam da prestação parcial de contas disponibilizada pelo Tribunal Superior Eleitoral. Os arquivos foram gerados em 15 de setembro e reúnem lançamentos apresentados pelas campanhas até 13 de setembro, embora as contas de Vanildo e Odilon tenham atualização individual registrada em 9 de setembro.
| Indicador | Vanildo Neves | Odilon Ribeiro | Diferença |
|---|---|---|---|
| Intenção espontânea | 0,90% | 1,60% | 0,70 ponto |
| Receita declarada | R$ 9.200 | R$ 776.620 | Odilon tem 84,4 vezes mais |
| Despesas contratadas | R$ 21.941 | R$ 397.021,50 | Odilon contratou 18,1 vezes mais |
| Despesas pagas | R$ 6.241 | R$ 282.046,50 | Odilon pagou 45,2 vezes mais |
| Projeção partidária | 2 a 3 cadeiras | 6 a 7 cadeiras | Vantagem do PL |
| Situação do registro | Deferido | Deferido | Ambos regulares |
Em termos proporcionais, a receita de Vanildo equivale a apenas 1,18% do valor recebido por Odilon. Sua despesa paga corresponde a 2,21% da movimentação financeira do adversário.
Mesmo assim, Vanildo aparece a apenas 0,70 ponto de distância na pesquisa.
Os números financeiros podem ser conferidos na base de prestação de contas do TSE.
O dinheiro de Odilon compra presença
Dos R$ 776,6 mil recebidos por Odilon, R$ 750 mil vieram da direção nacional do PL.
A campanha contratou R$ 88,5 mil em pessoal, R$ 63,8 mil em adesivos, R$ 61,5 mil em material impresso, R$ 50 mil em pesquisas, R$ 39,1 mil em mobilização de rua e R$ 33 mil em produção de rádio, televisão e vídeo. Também foram declarados R$ 9 mil em impulsionamento de conteúdo.
Vanildo recebeu um único repasse de R$ 9,2 mil da direção nacional do Avante. Seus gastos contratados estão concentrados em contabilidade, mobilização de rua e material impresso.
Na prática, Odilon dispõe de estrutura para contratar equipe, produzir conteúdo, circular por mais municípios e repetir seu número com intensidade. Vanildo tenta alcançar o mesmo eleitor usando presença pessoal, relações políticas e mobilização direta.
A comparação chama ainda mais atenção quando são analisadas as nominatas completas. Os candidatos do PL a deputado estadual declararam, juntos, aproximadamente R$ 13 milhões. A nominata do Avante soma cerca de R$ 367 mil.
O PL tem um caixa coletivo mais de 35 vezes superior.
Vanildo cresce quando a campanha vale voto
A série do Instituto Ranking Brasil Inteligência mostra comportamentos diferentes.
Odilon avançou gradualmente. Vanildo oscilou, mas apresentou seu maior crescimento na reta final.
| Período da pesquisa | Vanildo | Odilon | Distância |
|---|---|---|---|
| 1º a 5 de junho | 0,05% | 1,10% | 1,05 ponto |
| 29 de junho a 3 de julho | 0,05% | 1,30% | 1,25 ponto |
| 18 a 23 de julho | 0,35% | 1,35% | 1 ponto |
| 7 a 12 de agosto | 0,10% | 1,40% | 1,30 ponto |
| 23 a 27 de agosto | Não relacionado nominalmente | 1,55% | Sem comparação |
| 4 a 9 de setembro | 0,90% | 1,60% | 0,70 ponto |
Odilon saiu de 1,10% para 1,60%, um crescimento de 0,50 ponto desde junho.
Vanildo passou de 0,05% para 0,90%, um avanço de 0,85 ponto. Na comparação direta entre agosto e setembro, subiu 0,80 ponto e reduziu quase pela metade a distância que o separava de Odilon.
A última pesquisa ouviu 2.000 eleitores em 30 municípios, entre os dias 4 e 9 de setembro. O levantamento está registrado sob os números MS-09894/2026 e BR-08288/2026. A margem geral é de 2,2 pontos, com nível de confiança de 95%.
A diferença entre Vanildo e Odilon é inferior à margem declarada. Não existe base estatística para anunciar uma vitória antecipada de qualquer lado no confronto regional.
Também permanecem 43,5% de eleitores entre indecisos, sem resposta, brancos e nulos. É um espaço grande o suficiente para alterar posições na reta final.
Confira a pesquisa publicada em 12 de setembro.
Dentro do Avante, Vanildo entrega mais do que recebe
A posição de Vanildo na própria nominata é o dado que mais fortalece sua possibilidade de eleição.
Ele está com 0,90%, empatado com Aurélio Bonatto, Oswaldo Meza e Lídio Lopes. O grupo ocupa, numericamente, o bloco entre o terceiro e o sexto lugares do Avante.
| Candidato do Avante | Pesquisa | Receita declarada |
|---|---|---|
| Rogério Rohr | 1,20% | R$ 15.200 |
| Dr. Ruy Costa | 1,10% | R$ 50.500 |
| Vanildo Neves | 0,90% | R$ 9.200 |
| Aurélio Bonatto | 0,90% | R$ 13.200 |
| Oswaldo Meza | 0,90% | R$ 24.200 |
| Lídio Lopes | 0,90% | R$ 31.700 |
| Glaucia Iunes | 0,70% | R$ 23.250 |
Entre os sete candidatos do Avante que aparecem com pelo menos 0,70%, Vanildo é o que recebeu menos recursos.
Mesmo com o menor caixa do pelotão competitivo, está empatado com o presidente estadual da legenda, Lídio Lopes, que tenta a reeleição e declarou mais de três vezes o valor recebido por Vanildo.
Isso não garante o resultado nas urnas. Mas revela uma campanha com capacidade de produzir lembrança eleitoral muito acima de sua estrutura financeira.
Vanildo já não disputa apenas visibilidade. Disputa posição dentro da chapa.
A legenda abriu uma porta real
Deputado estadual é eleito pelo sistema proporcional. Primeiro, os votos dos candidatos e da legenda determinam quantas cadeiras o partido conquista. Depois, as vagas ficam com os mais votados da nominata que cumprirem as exigências legais.
As regras são explicadas pelo Tribunal Superior Eleitoral.
O cenário analítico atual aponta o PL com possibilidade de conquistar seis ou sete cadeiras. O Avante trabalha com duas ou três.
| Resultado do Avante | Situação de Vanildo |
|---|---|
| Duas cadeiras | Precisará ultrapassar candidatos hoje à frente |
| Três cadeiras | Estará numa disputa direta e aberta pela última vaga |
| Quatro cadeiras | Entraria numa faixa bastante favorável, embora não seja o cenário central |
Se o Avante eleger três deputados, Vanildo estará no centro da disputa. O terceiro lugar não tem hoje um dono isolado.
Rogério Rohr e Dr. Ruy Costa aparecem ligeiramente à frente. Depois deles existe um empate entre quatro candidatos. Vanildo é um desses quatro e tem o menor orçamento do grupo.
A eleição permanece difícil, mas deixou de ser remota.
Odilon tem estrutura; Vanildo passou a ter momento
Odilon não pode ser subestimado. Foi reeleito prefeito de Aquidauana em 2020 com 17.939 votos e 73,33% dos votos válidos. Conta com apoio público do prefeito Mauro do Atlântico, de Aquidauana, e de Cido, de Anastácio.
Seu lançamento regional também teve a participação de Reinaldo Azambuja, candidatos a deputado federal e uma mensagem em vídeo do governador Eduardo Riedel. O ato foi realizado em Aquidauana e Anastácio.
Esse conjunto oferece a Odilon base territorial, dinheiro e uma legenda forte.
O risco está na própria nominata. O PL reúne deputados, ex-prefeitos, vereadores e candidatos com campanhas altamente financiadas. Odilon pode ter uma votação expressiva e, ainda assim, depender da ordem interna do partido.
Vanildo vive situação inversa. Tem menos recursos e uma legenda projetada para um número menor de vagas. Ao mesmo tempo, está numa chapa em que a disputa pela terceira posição permanece completamente aberta.
São caminhos diferentes para a Assembleia.
Campanha de proximidade ganha escala
Sem dinheiro para reproduzir o modelo de comunicação do PL, Vanildo tem apostado na presença física e na ideia do “amigo de sempre”.
Em agosto, um encontro em Campo Grande reuniu mais de 500 apoiadores, segundo cobertura do evento. Participaram a candidata a deputada federal Viviane Luiza, a ex-senadora Marisa Serrano e o ex-deputado estadual Aluizio Borges. Marisa declarou publicamente apoio à candidatura. Veja a cobertura do encontro.
Em Aquidauana, o lançamento reuniu centenas de apoiadores e teve a presença do ex-prefeito Fauzi Suleiman. A campanha apresentou propostas ligadas à qualificação profissional, à geração de empregos e ao aproveitamento econômico da Rota Bioceânica. Confira o lançamento regional.
Nos últimos dias, Vanildo também realizou agendas em Campo Grande, Miranda, Dourados e bairros de Aquidauana. Um encontro na Capital reuniu mais de 100 apoiadores vindos de Miranda, segundo a publicação. Veja as agendas mais recentes.
Sua principal bandeira tem sido a geração de emprego no interior. Em entrevista à Rede Jota FM, defendeu qualificação profissional, atração de investimentos e preparação das cidades do Portal do Pantanal para as oportunidades abertas pela Rota Bioceânica. Leia a entrevista.
Quantos votos podem decidir
As pesquisas espontâneas não podem ser convertidas automaticamente em votos. Elas medem lembrança num determinado momento, não o resultado da urna.
Ainda assim, o histórico eleitoral e a posição das nominatas permitem estabelecer faixas analíticas.
| Candidato | Faixa atual projetada | Linha prática estimada |
|---|---|---|
| Vanildo Neves | 11 mil a 20 mil votos | 14 mil a 21 mil para disputar a terceira cadeira |
| Odilon Ribeiro | 27 mil a 37 mil votos | 24 mil a 30 mil para permanecer no grupo elegível do PL |
As faixas são projeções editoriais. Podem mudar conforme o desempenho das legendas, o volume de votos válidos e a distribuição das sobras.
Para Vanildo, chegar perto ou superar 15 mil votos pode colocá-lo efetivamente na disputa pela terceira vaga do Avante. Acima de 20 mil, sua candidatura passaria a depender mais do desempenho coletivo do partido do que de uma fragilidade individual.
O veredito
Odilon continua mais perto da eleição. Tem dinheiro, base municipal, apoio de prefeitos e uma legenda com capacidade de formar uma bancada grande.
Mas a história da última rodada pertence a Vanildo.
Foi ele quem apresentou o maior movimento. Foi ele quem encurtou a distância. E foi ele quem chegou ao bloco competitivo da própria nominata mesmo recebendo o menor volume de recursos entre os principais nomes do Avante.
A diferença financeira é gritante. O desempenho eleitoral, não.
Vanildo tem 1,18% da receita de Odilon, mas alcançou 56,25% de sua intenção de voto. Dentro do Avante, recebe menos que seus principais concorrentes e, ainda assim, aparece empatado na briga pela terceira posição.
A candidatura ainda não está numa zona de segurança. Está, porém, numa zona real de eleição.
Com 19 dias até as urnas, Vanildo deixou de ser o nome que tentava aparecer. Passou a ser o candidato que pode surpreender.
Odilon tem a maior estrutura. Vanildo tem o movimento mais forte da reta final. E, numa eleição proporcional decidida por poucos milhares de votos, isso pode mudar tudo.
