Banner TSE

As fronteiras de Mato Grosso do Sul são a porta de entrada da maior parte das drogas consumidas no Brasil e também daquelas que seguem para o exterior. São cerca de 1.500 quilômetros de divisa internacional, sendo 1.131 quilômetros com o Paraguai e 386 quilômetros com a Bolívia, em grande parte fronteira seca, onde o crime organizado opera em escala industrial. E quem segura essa porta, na prática, segundo Reinaldo Azambuja, candidato ao Senado (PL 222), não é o Governo Federal, responsável constitucional pela proteção das fronteiras, mas sim as polícias estaduais, que todos os dias apreendem drogas, prendem traficantes e bancam, sozinhas, o custo dessa guerra.

Os números oficiais revelam a dimensão do trabalho feito em Mato Grosso do Sul. Só no primeiro trimestre de 2026, as forças estaduais apreenderam 116,3 toneladas de drogas, um salto de 151% em relação ao mesmo período de 2025. O Departamento de Operações de Fronteira (DOF) retirou de circulação 96,8 toneladas de entorpecentes no primeiro semestre deste ano, além de 545 mil pacotes de cigarros contrabandeados, e barrou cerca de R$ 323 milhões em movimentações ligadas ao crime organizado. Em 2025, o DOF apreendeu 196,5 toneladas, a segunda maior marca histórica da unidade e causou R$ 700 milhões de prejuízo ao crime. Foi em Mato Grosso do Sul, ainda, que a Polícia Rodoviária Federal fez a maior apreensão de maconha de 2026 no país até abril: 12,64 toneladas em uma única carga de caminhão.

Para Reinaldo (PL 222), esse esforço não pode continuar sendo pago apenas pelos sul-mato-grossenses. Em entrevista à rádio Antena 1, o ex-governador falou sobre o assunto. "Não é justo o Mato Grosso do Sul pagar a conta sozinho. O tráfico internacional vem do Paraguai e da Bolívia. Como aumentou muito a quantidade do tráfico e diminuiu a quantidade de traficantes, porque eles transportam 100 kg, 200 kg, 500 kg, 1.000 kg, raramente você tem uma grande apreensão. Agora, todo dia o DOF, a Polícia Militar, o Choque, o Bope apreendem droga, e aí fica com o preso. Quem paga a conta? Você."

A conta é pesada. Segundo Reinaldo, 70% dos presos do sistema prisional de Mato Grosso do Sul estão atrás das grades por tráfico de drogas e armas, e o Estado gasta mais de R$ 280 milhões por ano para manter essa população carcerária. "São mais de 280 milhões por ano. Eu não acho justo. Vou lutar como senador para que o sul-mato-grossense não pague sozinho a conta dos presos do tráfico", afirma. Os dados oficiais confirmam a dimensão do problema: o governador Eduardo Riedel já levou ao Fórum dos Governadores a cobrança de apoio da União no custeio dos presos do tráfico, que representam 40% dos 23 mil detentos do Estado, com gasto anual de R$ 230 milhões e custo mensal de R$ 2.003 por preso, pago integralmente pelo Tesouro estadual.

O procurador-geral de Justiça de MS, Romão Ávila, que coordena o grupo nacional de combate ao crime organizado, também alertou que mais da metade da população carcerária do Estado está ligada ao tráfico e que cerca de 40% são presos de fora de Mato Grosso do Sul.

A injustiça federativa, aliás, já foi levada ao Supremo Tribunal Federal. Na ação ajuizada pelo Estado, a ACO 2992, Mato Grosso do Sul pediu o ressarcimento da União pelos gastos com presos do tráfico internacional, que chegam a ser processados e custodiados no Estado simplesmente porque a droga passa por aqui. A ação foi distribuída ao ministro Luiz Fux e segue sem solução. "O Fux deu uma canetada numa ação que nós entramos e engavetou ela lá, mas eu vou lutar, porque não é justo. O sul-mato-grossense não pode pagar essa conta sozinho, e a União tem que assumir a responsabilidade", diz Reinaldo. "No ritmo que está, nós somos um dos sistemas prisionais mais robustos do mundo, e temos que construir um presídio por ano para aguentar esse fluxo de presos que tem todo dia nas apreensões."

O candidato ao Senado lembra ainda que Mato Grosso do Sul é corredor, não destino final da droga. "Claro, a gente faz o nosso papel, mas onde é que essa droga vai? São Paulo, Rio, Minas Gerais, os grandes centros. Ela vai embora daqui, passa por aqui, nós somos corredor. Agora, a gente, por ter uma polícia eficiente, a gente paga a conta? Então não é justo", questiona. Enquanto isso, o crime organizado avança sobre as cidades brasileiras: pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostrou que 41,2% dos brasileiros, cerca de 68 milhões de pessoas, percebem a presença de facções ou milícias no bairro onde vivem, e o Brasil bateu recorde de apreensões, com cerca de 137 toneladas de cocaína e mais de 1,4 mil toneladas de maconha em um ano.

"Segurança do País começa na fronteira", resume Reinaldo, que defende a presença permanente da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal na faixa de fronteira, com efetivo, inteligência e tecnologia compatíveis com a extensão do território. "Precisamos de presença constante da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal, com suporte tecnológico e efetivo compatível com a extensão do nosso território", afirma. "Embora a proteção das fronteiras seja atribuição constitucional da União, o maior volume das operações de enfrentamento ao tráfico e ao contrabando acaba sendo realizado pelas forças estaduais, o que gera sobrecarga para as polícias locais”, afirma Reinaldo.

O credenciamento para essa luta vem da prática. Durante oito anos de governo, Reinaldo investiu R$ 649,7 milhões em segurança pública, com aquisição de 1.705 viaturas, R$ 80 milhões em aeronaves, contratação de 3.079 servidores e criação de 11 núcleos de inteligência voltados ao combate ao crime organizado. A taxa de elucidação de homicídios chegou a 89%, cerca de duas mil toneladas de drogas foram apreendidas em sete anos e Mato Grosso do Sul se consolidou como um dos estados mais seguros do país, com a segurança pública reconhecida até em painel na Universidade de Harvard. "Minha preocupação sempre foi e será com a proteção das famílias. Em Mato Grosso do Sul, mostramos que com investimento e inteligência é possível reduzir a criminalidade. No Senado, é preciso lutar para que esse modelo seja replicado em nível federal, garantindo que o Brasil pare de enxugar gelo e passe a fechar as portas para o crime onde ele realmente entra", conclui.

No Senado, Reinaldo quer ser o aliado de um novo rumo para a segurança pública nacional, apoiando a eleição de Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência da República. O plano de governo do candidato, no eixo "Brasil sem Medo", prevê dobrar os investimentos federais em segurança, construir cinco novos presídios de segurança máxima, criar 500 mil novas vagas no sistema prisional e implantar a Muralha Brasileira, com câmeras e reconhecimento facial nas ruas, além de bancar com recursos federais o enfrentamento ao crime organizado que hoje se espalha pelas cidades do país. Para Reinaldo, a eleição de outubro é a chance de o Brasil parar de empurrar o problema para os estados e assumir, de fato, a responsabilidade que a Constituição já lhe deu.

Desenvolvido por Lucas Bailo

Descubra mais sobre Notícias de Mato Grosso do Sul

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo