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Em entrevista à Rádio Hora, governador relaciona responsabilidade fiscal ao crescimento do Estado, do emprego e renda

Riedel apresentou as prioridades para um novo ciclo de governo, defendendo responsabilidade fiscal, educação profissional, geração de emprego, redução da pobreza e eficiência na prestação dos serviços públicos. Na entrevista, também destacou a ampliação da saúde, o combate às facções na fronteira, uma política comercial pragmática e a recuperação do Morenão como ações para fazer o crescimento chegar à população.

Para quem trabalha o mês inteiro e, antes da metade dele, já precisa refazer as contas para garantir as compras de casa, crescimento econômico só ganha significado quando chega à vida real. Foi a partir dessa relação entre bons indicadores e resultados percebidos pela população que o governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, apresentou prioridades para os próximos quatro anos em Mato Grosso do Sul.

Em entrevista aos jornalistas Arthur Mário e Jackson Pereira, da Rádio Hora, FM 92,3, Riedel falou sobre redução da extrema pobreza, responsabilidade fiscal, ensino profissionalizante, saúde, segurança pública, comércio exterior e recuperação do futebol estadual. A linha que atravessou suas respostas foi a defesa de um Estado capaz de transformar crescimento em serviços, emprego, qualificação e mobilidade social.

“A melhor maneira de você traduzir um conceito de como conduzir na política um Estado ou um país é a consequência para a vida das pessoas”, afirmou. Riedel citou justamente a pressão do custo de vida sobre famílias que recebem o salário, pagam as despesas e veem os preços do supermercado consumir parcela cada vez maior da renda.

Extrema pobreza exige ação direcionada

Ao tratar das famílias que ainda vivem em extrema pobreza, Riedel argumentou que educação, qualificação e geração de emprego conseguem abrir caminhos para a ascensão social a partir de determinado patamar de renda. Para quem sequer consegue acessar essas oportunidades, porém, o Estado precisa atuar de forma mais próxima.

O governador definiu esse grupo como famílias com renda per capita inferior a R$ 219 mensais e afirmou que o Estado conseguiu reduzir significativamente esse contingente nos últimos três anos. Ainda assim, destacou que permanecem situações de vulnerabilidade em periferias urbanas, comunidades ribeirinhas, indígenas e quilombolas.

“É quase médico de família”, comparou, ao defender uma atuação capaz de localizar e acompanhar pessoas atingidas simultaneamente por analfabetismo, pobreza, violência e falta de apoio.

Como exemplo, citou a EJA Mulher, programa voltado a mulheres que retornam à escola para se alfabetizar. Muitas levam os filhos por não terem com quem deixá-los, enquanto as crianças são acompanhadas dentro da unidade escolar.

“Se formaram em alfabetização, se formaram em cidadania, em dignidade”, disse Riedel.

Para o governador, políticas de transferência de renda têm papel importante, mas não resolvem isoladamente os fatores estruturais que afastam essas famílias da escola, da qualificação profissional e do mercado de trabalho.

Equilíbrio fiscal para sustentar políticas públicas

Riedel relacionou diretamente essa agenda social à responsabilidade fiscal, que classificou como uma “cláusula pétrea” de sua administração.

“A responsabilidade fiscal é a premissa para que você consiga fazer política pública”, afirmou.

Segundo ele, equilíbrio entre receitas, despesas e caixa é o que garante capacidade para manter investimentos em saúde, educação, infraestrutura e programas sociais. O governador reconheceu que o crescimento da economia estadual ajuda as contas públicas, mas ressaltou que expansão econômica e arrecadação não avançam necessariamente no mesmo ritmo.

Por isso, afirmou que seu governo continuará adotando medidas para preservar a capacidade financeira do Estado e manter investimentos de longo prazo.

Riedel também destacou a parceria com os municípios como forma de fazer os recursos chegarem mais perto das pessoas. Citou saneamento, pavimentação e educação como exemplos de investimentos que produzem mudanças diretamente perceptíveis nos bairros e cidades.

“A hora que tem saneamento básico, pavimento na frente da casa de todas as pessoas, a hora que tem acesso a uma escola de qualidade, você começa a gerar cidadania de fato”, afirmou.

Hospital Regional terá mais 377 leitos

Na saúde, Riedel usou a parceria público-privada do Hospital Regional como exemplo do modelo de gestão que pretende ampliar.

O governador rejeitou a interpretação de que a PPP represente privatização do atendimento. Segundo ele, a saúde continuará pública e gratuita, enquanto a mudança ocorrerá na administração da estrutura.

A previsão apresentada é de 377 novos leitos, além da reorganização dos serviços.

“Saúde é pública e gratuita para todo mundo. Vai continuar sendo. Qual que é a diferença? O modelo de gestão”, afirmou.

Para Riedel, a administração pública precisa incorporar tecnologia e modelos capazes de aumentar a produtividade dos recursos já disponíveis.

“Gastando o mesmo dinheiro, entregar mais. Aí isso se dá o nome de eficiência”, resumiu.

Ensino técnico como ponte para o emprego

Na educação, o governador destacou a expansão da formação profissional na rede estadual.

O governador apontou que 51% dos estudantes do ensino médio estão matriculados em cursos profissionalizantes, diante de uma média nacional de 16%. A rede oferece mais de 92 modalidades, com participação de instituições privadas e do Sistema S.

A proposta é fazer com que o estudante conclua o ensino médio também com uma formação técnica, aumentando as possibilidades de ingresso no mercado de trabalho.

Riedel afirmou ainda que Mato Grosso do Sul optou por avaliar mais de 80% dos estudantes nas provas usadas na composição do Ideb. Segundo ele, a estratégia permite identificar com maior precisão as escolas e municípios que precisam de intervenção, mesmo que isso não resulte necessariamente na melhor posição possível nos rankings.

O governador também citou a redução da evasão e atribuiu parte do resultado à presença maior de tecnologia, laboratórios e formação profissional dentro das escolas.

Educação, crescimento e mobilidade social

Para Riedel, a educação profissional se conecta diretamente à mobilidade social.

O governador destacou a posição de Mato Grosso do Sul em indicadores que medem a possibilidade de uma pessoa subir na pirâmide de renda e resumiu o conceito como a perspectiva de uma geração viver melhor que a anterior e oferecer condições ainda melhores aos filhos.

“O grande programa social que a gente pode fazer é fortalecer essa equação: crescimento, geração de oportunidade e educação. Essa equação é imbatível”, afirmou.

A estratégia defendida por ele é manter o crescimento econômico, mas ampliar sua conexão com qualificação profissional e políticas capazes de alcançar quem ainda permanece distante das oportunidades.

Combate às facções na fronteira

Na segurança pública, Riedel classificou o avanço das facções criminosas no país como uma “guerra” e destacou a complexidade adicional de Mato Grosso do Sul, que possui extensa fronteira com Paraguai e Bolívia.

Para o governador, o limite que o Estado não pode permitir que seja ultrapassado é o domínio territorial ou econômico de organizações criminosas, especialmente quando comerciantes e moradores passam a ser coagidos.

“A hora que perdemos o acesso a qualquer palmo de chão do Mato Grosso do Sul, nós estamos perdendo a guerra para as facções”, declarou.

Riedel destacou o trabalho da Polícia Militar, Polícia Civil, unidades especializadas e forças de fronteira, além das ações de inteligência que antecedem grande parte das operações.

“A lei vai ser cumprida”, afirmou ao reiterar a determinação de impedir que facções ampliem sua presença no Estado.

Comércio exterior com pragmatismo

Questionado sobre o mercado internacional da carne, Riedel afirmou que a Europa, embora não represente o maior volume das exportações brasileiras, possui elevado valor agregado e influencia a formação de preços da pecuária de corte.

O governador chamou atenção para barreiras sanitárias, fitossanitárias e regulatórias que podem se transformar em obstáculos comerciais e defendeu uma política externa pragmática.

“Não podemos lidar com isso de uma maneira ideológica”, afirmou.

Segundo ele, o Brasil precisa manter interlocução técnica com Estados Unidos, União Europeia, China e demais mercados, priorizando a defesa da produção brasileira.

Morenão e a retomada do futebol

No esporte, Riedel apontou a recuperação do Morenão como uma das principais ações para tentar reativar o futebol sul-mato-grossense.

Após a concessão do estádio pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul ao Estado, foram destravadas intervenções como troca do gramado e instalação de irrigação.

Está em fase final o processo para início de aproximadamente R$ 17 milhões em obras de recuperação. A intenção é recolocar o Morenão em funcionamento e, posteriormente, buscar maior participação do setor privado na exploração e modernização do equipamento.

Fazer o crescimento chegar às pessoas

Da alfabetização de mulheres adultas à formação técnica dos jovens, da ampliação do Hospital Regional ao combate às facções, Riedel procurou apresentar na entrevista uma mesma lógica para diferentes áreas do governo: crescimento econômico precisa ser acompanhado por capacidade de entrega do Estado.

Ao projetar os próximos quatro anos, o governador defende avançar sobre uma estrutura já construída, preservando o equilíbrio fiscal, ampliando oportunidades e tornando os serviços públicos mais eficientes.

Porque, ao fim, o principal teste de um Estado que cresce não está apenas nos indicadores econômicos. Está na capacidade de fazer com que esse avanço apareça também na renda, nos serviços públicos e nas perspectivas de futuro das famílias sul-mato-grossenses.

Fotos: Saul Schramm

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