Acompanhamento de gestantes de risco, organização do caminho até a maternidade e ampliação da triagem neonatal integram a política materno-infantil de Riedel
A gestante Vivilaine Quadros teve a gravidez de risco identificada durante o pré-natal e passou a receber acompanhamento especializado em Campo Grande. Sob a gestão de Eduardo Riedel, Mato Grosso do Sul busca integrar atenção básica, Rede Alyne, maternidades, vacinação e teste do pezinho ampliado, que rastreia mais de 40 doenças. A meta estadual é garantir ao menos seis consultas a 80% das gestantes, com início até a 12ª semana.
Quando chegou à consulta especializada, Vivilaine Quadros descobriu que sua pressão arterial estava alterada. O médico iniciou a medicação no mesmo dia, encaminhou-a para avaliação hospitalar e confirmou que sua gravidez exigiria acompanhamento de alto risco. A rapidez da resposta trouxe a segurança que ela buscava desde março, quando descobriu a gestação e procurou uma unidade básica de saúde em Campo Grande.
“Foi uma decisão muito importante para que eu tivesse um acompanhamento mais específico. Isso trouxe mais segurança para mim e para o bebê”, relata.
A experiência de Vivilaine traduz o desafio enfrentado pela gestão do governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição: fazer com que gestantes e crianças não se percam entre a unidade básica, o atendimento especializado, a maternidade e o acompanhamento depois da alta. “Em um Estado marcado por grandes distâncias e diferenças regionais, cada interrupção nesse percurso pode atrasar diagnósticos e aumentar riscos”, explica.
O cuidado começa nas primeiras semanas
Vivilaine iniciou o pré-natal em uma unidade de saúde do Jardim Antártica. Durante a avaliação, a equipe de enfermagem identificou que fatores relacionados à idade e às condições clínicas exigiam atendimento especializado.
Desde então, ela passou a ser acompanhada por uma equipe de referência para gestações de alto risco. Também precisou procurar o Hospital Universitário ao apresentar sintomas de infecção urinária. Os exames confirmaram o problema e o tratamento foi iniciado imediatamente.
“Fui muito bem assistida. O atendimento e o acolhimento são muito bons, principalmente por parte das enfermeiras. A médica residente também me tratou de forma muito tranquila”, conta.
O início precoce do acompanhamento permite identificar hipertensão, diabetes, infecções, alterações no desenvolvimento do bebê e outros fatores que podem comprometer a gestação.
Para 2026, a programação estadual de saúde estabeleceu como meta que 80% das gestantes realizem pelo menos seis consultas de pré-natal, com a primeira até a 12ª semana. Entre as estratégias estão a revisão dos fluxos de acolhimento, o agendamento precoce e a busca ativa das mulheres que ainda não começaram o acompanhamento.
A quantidade de consultas, no entanto, não resolve sozinha o problema. Quando a gravidez é identificada tarde, diminui o tempo disponível para diagnosticar doenças, orientar a família e encaminhar a mulher ao serviço adequado.
As equipes também precisam compreender por que algumas gestantes permanecem fora da rede. Distância, falta de transporte, dificuldade para deixar o trabalho, ausência de documentos, gravidez não planejada, medo e violência doméstica estão entre as principais barreiras.
Busca ativa acompanha mãe e criança
Agente comunitária de saúde em Maracaju há 13 anos, Vanessa Wanderleia Gabriel acompanha famílias desde a identificação da gravidez até a vacinação das crianças.
“Identificamos primeiro a gestante e, a partir desse cuidado, seguimos com a atenção e o monitoramento das crianças desde o nascimento”, explica.
O trabalho utiliza cartões-espelho e planilhas das salas de vacinação. Quando uma criança não comparece para receber uma dose, a equipe é avisada e inicia a busca ativa.
“O objetivo é não deixar atrasar as doses, para que as crianças estejam sempre em dia com a vacinação e tenham a saúde assegurada”, afirma Vanessa.
A estratégia mostra como a proteção materno-infantil depende de continuidade. A gestante localizada durante o pré-natal precisa permanecer vinculada à rede depois do parto, assim como o bebê deve ser acompanhado nos exames, nas vacinas e nas consultas dos primeiros anos.
Rede Alyne organiza o caminho até o parto
No ano passado, a Secretaria de Estado de Saúde realizou oficinas com gestores e profissionais das macrorregiões para elaborar os planos de ação da Rede Alyne. A política ampliou a antiga Rede Cegonha e pretende organizar a assistência à gestante, à puérpera e ao recém-nascido, além de reduzir mortes maternas e infantis evitáveis.
A rede envolve planejamento reprodutivo, pré-natal, transporte, definição das referências hospitalares, parto, puerpério e cuidado com o bebê. Seu funcionamento depende da coordenação entre municípios, unidades básicas, centrais de regulação, maternidades e serviços especializados.
“Essa organização é essencial nas cidades sem estrutura para partos de maior risco. A gestante precisa saber com antecedência qual maternidade deverá procurar, como chegará ao serviço e quem acompanhará mãe e bebê depois da alta”, aponta Riedel.
Quando esse fluxo falha, a mulher pode percorrer longas distâncias em trabalho de parto, chegar a unidades sem a estrutura necessária ou perder tempo em sucessivos encaminhamentos.
A orientação do governador é fortalecer a regionalização. Isso não significa instalar todos os serviços em todas as cidades, mas garantir que cada município conheça seu papel e que a gestante tenha referência definida, transporte, regulação e atendimento compatível com o risco identificado.
Vivilaine pôde conhecer antecipadamente a maternidade do Hospital Universitário, onde pretende dar à luz. Durante uma visita guiada, recebeu explicações sobre a estrutura, o funcionamento do atendimento e os setores pelos quais poderá passar.
“A enfermeira mostrou tudo, explicou como funciona e tirou todas as minhas dúvidas. Eu me senti acolhida durante toda a visita”, relata.
Queda nos óbitos não encerra o desafio
Nos casos de mortalidade materna, a orientação é analisar todo o percurso realizado pela mulher: onde buscou atendimento, quais serviços recebeu e se houve demora, falha no transporte ou falta de comunicação entre as equipes.
Na infância, a prematuridade permanece entre as principais preocupações e foi apontada pela Secretaria de Saúde como a principal causa das mortes infantis no Estado.
Nem todo nascimento prematuro pode ser evitado. O pré-natal adequado, porém, permite diagnosticar infecções e doenças maternas, controlar a pressão arterial, acompanhar as condições nutricionais e encaminhar rapidamente as gestantes de risco.
Depois do nascimento, a resposta depende de maternidades preparadas, equipes capacitadas, leitos neonatais, transporte seguro e acompanhamento após a alta.
“A próxima etapa é identificar causas evitáveis, corrigir falhas regionais e impedir que o endereço da gestante determine a qualidade do atendimento”, ressalta Riedel.
Amamentar também depende de apoio
Embora muitas vezes seja tratada como uma decisão individual, a continuidade da amamentação depende do apoio recebido pela mulher em casa, na maternidade, nos serviços de saúde e no ambiente de trabalho.
Mato Grosso do Sul registrou 63% de aleitamento materno exclusivo entre crianças menores de seis meses e 60% de aleitamento continuado entre seis meses e dois anos. O primeiro índice supera a referência nacional citada pela Secretaria de Saúde e a meta de 50% estabelecida pela Organização Mundial da Saúde no ano passado.
O resultado não elimina dificuldades como dor, fissuras, pega inadequada, insegurança sobre a quantidade de leite, retorno ao trabalho e falta de apoio familiar.
Por isso, a política inclui orientação durante o pré-natal, acompanhamento depois do parto, atendimento nas unidades básicas, acesso aos bancos de leite e acolhimento quando surgem dificuldades.
Uma gota de sangue pode antecipar o cuidado
Desde janeiro de 2026, Mato Grosso do Sul oferece pelo SUS o teste do pezinho ampliado, capaz de rastrear mais de 40 doenças congênitas, genéticas e metabólicas. Antes, o exame estadual identificava sete grupos de patologias.
A coleta continua recomendada entre o terceiro e o quinto dia de vida. Muitas das doenças pesquisadas não apresentam sinais visíveis no recém-nascido. Quando os sintomas aparecem, a criança pode já ter sofrido danos neurológicos, metabólicos ou físicos.
O teste não representa um diagnóstico definitivo. Quando surge uma alteração, o bebê precisa ser chamado para exames confirmatórios e, se necessário, encaminhado ao tratamento. A rapidez entre a coleta, o resultado e o atendimento é tão importante quanto a realização do exame.
“Em um Estado extenso, a ampliação envolve recolher amostras nos municípios, transportá-las em condições adequadas, processar os exames, localizar as famílias e garantir acesso ao especialista ou medicamento”, explica Riedel.
O valor da medida está no tempo ganho. Ao identificar uma doença antes do surgimento dos sintomas, a rede pode agir para evitar complicações futuras, em vez de responder apenas quando a criança já está doente.
Um cuidado que precisa continuar
Da gestação aos dois primeiros anos de vida, cada etapa depende da anterior. O pré-natal prepara o parto. A maternidade inicia o cuidado. O teste do pezinho procura doenças silenciosas. A amamentação protege e nutre. A vacinação e as consultas mantêm a criança ligada à rede.
Quando um desses elos se rompe, o seguinte se torna mais difícil. Uma gestante sem pré-natal pode chegar ao parto com riscos desconhecidos. Um bebê sem acompanhamento pode perder o período recomendado para a triagem neonatal. Uma mãe sem orientação pode interromper a amamentação diante das primeiras dificuldades.
O projeto conduzido pelo Governo do Estado, sob o comando de Riedel, busca organizar essa continuidade por meio da atenção primária, da regionalização, da Rede Alyne e da ampliação do teste do pezinho. Os avanços incluem ações concretas e a redução nominal das mortes maternas nos últimos anos, mas ainda será necessário acompanhar a qualidade do pré-natal, o tempo de deslocamento das gestantes, as causas dos óbitos e a rapidez dos resultados dos exames.
Para Vivilaine, essa rede começou a funcionar quando a equipe identificou os riscos de sua gravidez, iniciou o tratamento da pressão arterial e mostrou antecipadamente o lugar onde pretende ter o filho.
A proteção da infância começa antes do nascimento. O desafio é garantir que, independentemente da cidade onde vivam, mãe e bebê encontrem atendimento no tempo certo e não sejam perdidos entre uma etapa e outra do cuidado.
