Reunião articulada por Édio Antônio reuniu prefeito, ex-prefeitos, vereadores e lideranças em torno de um pacto político que pretende colocar divergências locais em segundo plano
Maracaju começou a organizar as eleições de 2026 com uma ordem direta: a disputa municipal de 2028 deve esperar.
A primeira reunião oficial da articulação política liderada por Édio Antônio reuniu o prefeito Marcos Calderan, os ex-prefeitos Celso Vargas e Maurílio Azambuja, o presidente da Câmara Municipal, Rener Barbosa, vereadores e representantes de diferentes segmentos da cidade.
O encontro, realizado no dia 23, teve como objetivo aproximar grupos que nem sempre caminharam juntos na política local e concentrar esforços em dois projetos: a eleição do ex-governador Reinaldo Azambuja para o Senado e a reeleição do governador Eduardo Riedel.
Mais do que declarar apoio, o grupo tenta construir uma frente ampla em Maracaju.
A proposta apresentada na reunião é deixar temporariamente de lado diferenças partidárias, projetos pessoais e disputas locais para evitar que a movimentação antecipada por 2028 fragmente a base nas eleições estaduais deste ano.

Calderan deve coordenar articulação local
Marcos Calderan deverá assumir a coordenação política do grupo em Maracaju.
Durante a reunião, o prefeito defendeu que vereadores, lideranças comunitárias e representantes de diferentes correntes mantenham o foco nas eleições de 2026. A avaliação é que especulações sobre candidaturas municipais, acordos para a próxima sucessão e movimentações individuais podem produzir desgaste antes da hora.
A antecipação da disputa por 2028 também pode aumentar custos políticos e eleitorais, multiplicar estruturas e transformar aliados circunstanciais em adversários permanentes.
A estratégia defendida pelo grupo é inversa.
Primeiro, unir.
Depois, discutir a sucessão municipal.
O movimento é significativo porque coloca na mesma mesa o atual prefeito e dois ex-prefeitos com trajetórias, relações partidárias e bases próprias. Na prática, a reunião tenta mostrar que o projeto estadual pode ser maior do que as diferenças acumuladas na política municipal.
Uma cidade ligada a dois governadores
Durante o encontro, Édio destacou a posição singular de Maracaju na política de Mato Grosso do Sul.
A cidade está diretamente ligada às trajetórias de dois governadores consecutivos.
Reinaldo Azambuja construiu sua carreira eleitoral no município. Foi prefeito de Maracaju por dois mandatos, deputado estadual, deputado federal e governador de Mato Grosso do Sul entre 2015 e 2022. Agora, disputa uma das duas vagas ao Senado.
Eduardo Riedel também possui raízes profundas no município. Produtor rural com atuação em Maracaju, ele presidiu o Sindicato Rural local antes de avançar para a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul, a Famasul, e para funções no Governo do Estado. Em sua primeira disputa eleitoral, venceu a eleição para governador e tomou posse em janeiro de 2023.
Essa ligação ajuda a explicar o discurso usado na reunião.
Para o grupo, apoiar Reinaldo e Riedel não significa apenas aderir a duas candidaturas estaduais. Significa defender a continuidade de um ciclo político que nasceu ou ganhou corpo em Maracaju.
Pesquisas dão força ao argumento eleitoral
Os números apresentados até agora ajudam a sustentar a tentativa de união.
Reinaldo aparece na liderança da corrida ao Senado em levantamentos recentes. Pesquisa Real Time Big Data divulgada em maio mostrou o ex-governador com 29% em um cenário e 28% em outro. O levantamento ouviu 1.600 eleitores e foi registrado na Justiça Eleitoral.
Em outro levantamento, realizado pelo Novo Ibrape entre 24 e 29 de março, Reinaldo apareceu com 19,2% na média entre o primeiro e o segundo voto, à frente de Capitão Contar e Nelsinho Trad. A pesquisa ouviu mil eleitores em 17 municípios.
Riedel também mantém vantagem na disputa pelo Governo do Estado.
Pesquisa do Instituto Ranking Brasil Inteligência, realizada entre 29 de junho e 3 de julho, mostrou o governador com 46,4% no cenário estimulado. Fábio Trad apareceu em segundo lugar, com 20,8%.
Em maio, levantamento Novo Ibrape registrou Riedel com 46,6%, contra 17,5% de Fábio Trad. Nos votos válidos calculados pela pesquisa, o governador alcançava 58,9%, percentual suficiente para uma vitória em primeiro turno caso o cenário permanecesse até a eleição.
Pesquisas representam o momento em que foram realizadas, não garantem resultado eleitoral. Ainda assim, oferecem ao grupo de Maracaju um argumento objetivo: os dois nomes apoiados chegam à campanha em posição competitiva.
Histórico de investimentos entra na narrativa
A relação entre Maracaju, Reinaldo e Riedel também é sustentada pelo histórico de obras e investimentos estaduais.
O valor acumulado mencionado durante a articulação não foi acompanhado, no material encaminhado, de uma relação detalhada que permita confirmar o total exato. Registros oficiais, porém, mostram aportes relevantes em diferentes períodos.
Em outubro de 2021, por exemplo, o Governo do Estado anunciou obras e investimentos que somavam R$ 61 milhões em Maracaju, incluindo pavimentação rodoviária, recuperação asfáltica e projetos habitacionais.
Em outro pacote, foram autorizados R$ 22 milhões para o Complexo Poliesportivo e para a reforma da Escola Estadual Coronel Lima de Figueiredo. Também houve anúncio de R$ 7,3 milhões para cultura, infraestrutura e habitação.
Esses números não representam todo o investimento estadual destinado ao município ao longo das duas gestões, mas demonstram que a relação política foi acompanhada por obras concretas.
A tentativa do grupo será transformar esse histórico em argumento eleitoral.

O risco está na unidade apenas aparente
A reunião abre uma nova fase, mas não encerra as divergências locais.
Marcos Calderan, Celso Vargas e Maurílio Azambuja representam períodos diferentes da administração municipal e possuem grupos próprios. Vereadores também têm projetos individuais, alianças partidárias e interesses relacionados às eleições proporcionais.
Por isso, o pacto dependerá menos dos discursos apresentados na primeira reunião e mais da capacidade de manter todos dentro da mesma estratégia.
A principal ameaça é a eleição de 2028.
Quanto mais cedo surgirem pré-candidaturas à Prefeitura, mais difícil será impedir que a disputa municipal contamine a campanha estadual. Uma liderança que se sentir preterida agora pode reduzir o envolvimento. Um vereador que enxergar outro grupo crescendo pode antecipar o confronto.
A decisão de “congelar” 2028 é racional.
Cumpri-la será a parte mais difícil.
Maracaju quer votar como bloco político
A presença do presidente da Câmara, Rener Barbosa, de vereadores e de lideranças de diferentes setores amplia o alcance da articulação. Rener ocupa atualmente a presidência do Legislativo municipal e tem participado de agendas institucionais ligadas a Reinaldo e Riedel.
A meta é fazer com que Maracaju não apareça apenas como cidade de origem política dos dois candidatos, mas como uma das principais bases eleitorais de ambos.
Isso exige mais do que apoio nominal.
Exige campanha coordenada, mobilização nos bairros, participação de entidades, presença no setor produtivo e alinhamento entre Executivo, Legislativo e antigas lideranças municipais.
A reunião do dia 23 foi o primeiro passo dessa tentativa.
O pacto será testado fora da sala
A articulação liderada por Édio Antônio tem um ativo importante: reuniu nomes que, juntos, representam parte expressiva da história política recente de Maracaju.
Mas também carrega uma cobrança proporcional.
Quanto maior a fotografia de unidade, maior será a expectativa de resultado nas urnas.
Marcos Calderan deverá coordenar a operação local. Édio terá de manter os canais de diálogo. Ex-prefeitos e vereadores precisarão mostrar que o acordo não existe apenas para registro de imagem.
O plano está desenhado.
Maracaju pretende suspender suas disputas internas, pelo menos temporariamente, para tentar eleger Reinaldo ao Senado e manter Riedel no Governo do Estado.
A reunião colocou antigos grupos na mesma mesa.
A campanha mostrará se eles também conseguirão caminhar na mesma direção.
FONTE: DA REDAÇÃO
FOTOS: VICTOR EICH
