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Valdemar

Com aval público do presidente nacional do partido, Capitão Contar ganha força para dividir a chapa com Reinaldo Azambuja na disputa pelas duas vagas ao Senado em 2026

A disputa interna do PL pelo Senado em Mato Grosso do Sul ganhou um novo capítulo e, desta vez, com peso nacional.

O presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, confirmou publicamente o nome do ex-deputado estadual Capitão Contar como pré-candidato ao Senado pelo partido em Mato Grosso do Sul. O anúncio foi feito em vídeo divulgado nas redes sociais, ao lado de Contar, e muda o tom da disputa que vinha sendo travada nos bastidores da direita sul-mato-grossense.

Mais do que uma sinalização, a fala de Valdemar funciona como um recado político.

Ao chamar Contar de candidato ao Senado e dizer que ele terá apoio do partido, o dirigente nacional tira a disputa do campo da especulação e coloca o ex-deputado em posição de vantagem dentro da legenda. A declaração fortalece a leitura de que a chapa do PL para o Senado tende a ser formada por Reinaldo Azambuja e Capitão Contar.

A movimentação atinge diretamente o deputado federal Marcos Pollon, que também vinha buscando espaço na chapa majoritária e contava com apoio dentro do bolsonarismo. O problema é que a cúpula do partido parece ter decidido tratar a eleição ao Senado em Mato Grosso do Sul com uma lógica mais pragmática: pesquisa, viabilidade eleitoral e capacidade de vencer.

Esse é o ponto central da virada.

O PL tinha quatro nomes colocados para duas vagas ao Senado: Reinaldo Azambuja, Capitão Contar, Marcos Pollon e Gianni Nogueira. Reinaldo sempre apareceu como nome praticamente garantido, principalmente depois de assumir o comando estadual do partido e levar para a legenda uma bancada forte de deputados estaduais.

A briga real passou a ser pela segunda vaga.

Contar vinha sustentando que pesquisas internas do partido, encomendadas pelos diretórios estadual e nacional, apontavam seu nome como mais competitivo do que o de Pollon. Segundo ele, a definição teria sido comunicada por Flávio Bolsonaro após análise dos levantamentos.

Agora, com Valdemar entrando em cena, a versão de Contar ganha força política.

Na prática, o vídeo do presidente nacional do PL reduz o espaço para recuo. Se antes a disputa ainda podia ser tratada como uma guerra de versões, agora há uma manifestação pública do principal dirigente do partido no país. Valdemar não apenas recebeu Contar. Ele o apresentou como nome do PL ao Senado.

A frase tem peso porque vem de quem controla a caneta nacional da legenda.

Para Contar, o anúncio é uma vitória importante. O ex-deputado volta ao centro do tabuleiro depois de ter sido candidato ao governo de Mato Grosso do Sul em 2022, quando chegou ao segundo turno e terminou a disputa com votação expressiva. Antes disso, foi o deputado estadual mais votado do Estado em 2018.

Esse histórico ajuda a explicar por que seu nome é visto como competitivo.

Contar tem recall eleitoral, identificação com a direita bolsonarista e presença consolidada entre eleitores que já votaram nele em disputas majoritárias. Para o Senado, isso pesa. Diferente de uma eleição proporcional, a disputa majoritária exige nome conhecido, voto espalhado e capacidade de furar bolhas regionais.

O PL sabe disso.

Por isso, a decisão não parece ter sido tomada apenas por afinidade ideológica. A escolha também passa por cálculo eleitoral. A legenda quer eleger dois senadores por Mato Grosso do Sul e evitar que uma divisão interna abra espaço para adversários de outros campos políticos.

O Senado de 2026 será estratégico. Mato Grosso do Sul terá duas vagas em disputa, com fim dos mandatos de Nelsinho Trad e Soraya Thronicke. A senadora Tereza Cristina segue no mandato, mas as outras duas cadeiras estarão em jogo. Isso transforma o Estado em terreno de disputa pesada entre direita, centro e esquerda.

Nesse cenário, o PL quer chegar com chapa forte.

A provável dobradinha Reinaldo e Contar junta duas forças diferentes. Reinaldo representa estrutura, articulação, prefeitos, base estadual e capacidade de composição. Contar representa voto ideológico, bolsonarismo de base e lembrança da eleição de 2022.

A soma é eleitoralmente atraente para o PL.

Mas o custo interno pode ser alto.

Marcos Pollon não é um nome sem peso. Deputado federal, ligado à direita mais dura e com forte presença digital, ele também disputava espaço como nome bolsonarista ao Senado. Sua eventual retirada da chapa majoritária exigirá acomodação política. O caminho pode ser uma candidatura à Câmara dos Deputados, uma posição estratégica na campanha nacional ou outro arranjo dentro do partido.

O problema é que, no bolsonarismo, recuo nem sempre é simples.

Pollon tem base própria, discurso combativo e aliados que defendem sua candidatura ao Senado. Além disso, havia a expectativa de que Michelle Bolsonaro e Jair Bolsonaro pudessem reforçar outro caminho dentro da legenda. O TopMídia registrou, inclusive, que Michelle ainda não havia se manifestado sobre a escolha e que havia expectativa de vídeo envolvendo a decisão de Jair Bolsonaro.

Isso mantém uma fresta de tensão.

Mesmo com Valdemar falando, a política do PL em Mato Grosso do Sul ainda depende de acomodação. A definição nacional pode resolver a chapa, mas não elimina automaticamente ressentimentos, disputas de espaço e cobranças internas.

O desafio será transformar vitória de um grupo em unidade eleitoral.

Se Contar for oficialmente confirmado nas convenções, o PL chegará com uma chapa de Senado de alto impacto. Reinaldo e Contar ocupam campos complementares dentro da direita. Um oferece máquina e articulação. O outro oferece voto de identidade e memória recente nas urnas.

A questão é saber se o partido conseguirá impedir que a escolha produza fratura.

Para Reinaldo Azambuja, a confirmação de Contar também tem leitura dupla. De um lado, reforça a estratégia de formar uma chapa competitiva e alinhada ao projeto nacional do PL. De outro, impõe ao presidente estadual da sigla a tarefa de reorganizar os demais nomes que ficaram pelo caminho.

A política sul-mato-grossense conhece bem esse tipo de movimento.

Quando uma vaga majoritária é fechada, a disputa não acaba. Ela muda de endereço. Quem fica fora passa a negociar espaço em chapa proporcional, suplência, coordenação, apoio regional, estrutura de campanha ou compromisso futuro.

É nesse terreno que o PL terá de atuar nas próximas semanas.

As convenções partidárias começam em 20 de julho e seguem até 5 de agosto. É nesse período que os partidos oficializam candidaturas e coligações. Até lá, o anúncio de Valdemar funciona como um carimbo político, mas a formalização ainda depende do rito partidário.

Mesmo assim, o efeito prático já começou.

Contar sai fortalecido. Pollon fica pressionado. Reinaldo consolida a posição de cabeça de articulação no Estado. E o PL nacional mostra que pretende interferir diretamente na montagem da chapa em Mato Grosso do Sul.

A disputa pelo Senado, que já era uma das mais observadas de 2026, agora ganha contorno mais claro.

O PL quer duas vagas.

E, ao colocar Valdemar no vídeo, o partido não apenas anunciou Contar.

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