Filha de Londres Machado e de Ilda Salgado, ex-parlamentar teve trajetória marcada pela comunicação, por três mandatos na Câmara de Campo Grande e por uma votação expressiva para a Assembleia Legislativa
Mato Grosso do Sul amanheceu de luto nesta quarta-feira com a morte de Grazielle Salgado Machado, aos 45 anos, em Campo Grande.
Ex-vereadora da Capital, ex-deputada estadual, empresária da comunicação e integrante de uma das famílias mais tradicionais da política sul-mato-grossense, Grazielle teve a morte confirmada por familiares e por veículos de imprensa locais.
Ela estava internada no Hospital da Cassems. As primeiras informações apontam que o quadro evoluiu de forma rápida para uma infecção generalizada. Veículos locais também informaram a suspeita de contaminação por salmonela, mas a causa oficial da morte ainda não havia sido confirmada pela família até a publicação desta matéria.
A morte repentina causou forte comoção no meio político, especialmente pela idade de Grazielle e pela trajetória construída desde muito jovem.
Filha do deputado estadual Londres Machado, atual líder do Governo na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, e de Ilda Salgado Machado, ex-prefeita de Fátima do Sul, Grazielle cresceu em um ambiente diretamente ligado à vida pública.
Mas sua história não se resumiu ao sobrenome.
Grazielle começou cedo na política. Aos 24 anos, iniciou sua trajetória eleitoral e foi eleita vereadora por Campo Grande. A partir dali, construiu três mandatos consecutivos na Câmara Municipal, entre 2005 e 2014, período em que consolidou presença própria na política da Capital.
Depois, deu um salto para a disputa estadual.
Em 2014, foi eleita deputada estadual de Mato Grosso do Sul com mais de 39 mil votos. A votação a colocou entre os nomes mais expressivos daquela eleição e projetou Grazielle como uma das mulheres de maior desempenho eleitoral na história política do Estado.
Na Assembleia Legislativa, assumiu mandato em 2015 e chegou à 2ª vice-presidência da Mesa Diretora, ocupando espaço de destaque em uma Casa historicamente marcada pela presença masculina.
Sua passagem pela política também foi marcada pela transição entre grupos e pela capacidade de circular em diferentes ambientes. Ao longo da carreira, Grazielle esteve ligada a projetos municipais, estaduais e partidários, sempre mantendo relação próxima com Campo Grande e com a estrutura política construída pela família Machado.
Além da vida pública, Grazielle tinha forte atuação na comunicação.
Formada em Comunicação Social, atuou por cerca de dez anos como diretora da Revista Ímpar e também coordenou campanhas eleitorais do pai. Essa combinação entre comunicação, política e articulação ajudou a construir uma imagem pública própria, com trânsito tanto nos bastidores quanto nas disputas eleitorais.
Nos últimos anos, voltou a buscar espaço na política de Campo Grande. Em 2024, disputou novamente uma vaga na Câmara Municipal pelo PSDB, mas ficou na suplência. Em 2025, passou a integrar a estrutura do Governo do Estado, em cargo comissionado na Casa Civil.
A notícia da morte ganhou ainda mais peso por ocorrer em um momento de grande sensibilidade para a política sul-mato-grossense. Um dia antes, o Estado também havia perdido o ex-governador Marcelo Miranda Soares, outro nome histórico da vida pública local.
No caso de Grazielle, a comoção foi ampliada pela forma repentina do falecimento.
Segundo informações publicadas pela imprensa local, ela passou mal no início da semana, foi levada ao hospital e teve piora rápida do quadro. A suspeita relatada por veículos é de que uma infecção tenha atingido a corrente sanguínea e evoluído para sepse, condição grave em que o organismo perde o controle da resposta inflamatória e pode ter comprometimento de órgãos vitais.
A informação, no entanto, ainda é tratada como preliminar.
A família publicou nota de falecimento em tom de fé e despedida. No comunicado, Grazielle é lembrada como esposa, mãe, filha, empresária, ex-vereadora de Campo Grande e ex-deputada estadual.
A mensagem cita um versículo bíblico e agradece manifestações de carinho, orações e solidariedade.
A morte de Grazielle encerra uma trajetória curta, mas intensa.
Ela entrou na vida pública ainda jovem, conquistou três mandatos de vereadora, chegou à Assembleia Legislativa, ocupou posição de destaque na Mesa Diretora, atuou na comunicação e manteve presença no cenário político de Mato Grosso do Sul até os últimos anos.

Também deixa uma marca importante na representação feminina.
Em um Estado onde a política ainda é majoritariamente ocupada por homens, Grazielle conseguiu furar a barreira eleitoral e alcançar uma votação que a colocou entre as principais lideranças femininas de sua geração.
Sua trajetória passa pela Câmara Municipal, pela Assembleia Legislativa, pela comunicação empresarial e pela militância política familiar. Mas também passa por uma imagem pessoal associada à juventude, à presença pública e à tentativa constante de permanecer ativa no debate político.
Aos 45 anos, Grazielle Machado deixa uma história interrompida cedo demais.
Para a família, fica a perda íntima. Para a política, fica a memória de uma mulher que entrou cedo no jogo público, venceu disputas difíceis e registrou seu nome na história eleitoral de Mato Grosso do Sul.
Em um dia de luto, o Estado se despede de uma ex-parlamentar que conheceu de perto o peso da política, da exposição pública e da responsabilidade de representar milhares de eleitores.
Grazielle Machado deixa uma trajetória marcada por votos, mandatos, comunicação, família e presença.
E deixa, sobretudo, a lembrança de uma mulher que fez parte da história política recente de Campo Grande e de Mato Grosso do Sul.
