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Vereador defende retomada dos treinamentos em creches e unidades municipais e alerta que menos esporte pode significar mais sedentarismo, menos convivência e perda de oportunidades para crianças e adolescentes

O vereador Rener Barbosa voltou a colocar uma pauta sensível na mesa: o esporte precisa voltar a ocupar espaço real dentro das creches e escolas municipais de Maracaju.

A defesa não é apenas por mais uma atividade no calendário escolar. É por uma política pública capaz de mexer com disciplina, saúde, convivência, comportamento e formação de crianças e adolescentes. Para Rener, a redução dos treinamentos esportivos ligados às unidades de ensino representa um retrocesso justamente em um momento em que o município tem mais estrutura do que no passado.

O vereador lembrou que, anos atrás, os treinamentos aconteciam no contraturno escolar, além das aulas regulares de educação física. Eram atividades que mobilizavam grande participação dos alunos e criavam uma rotina mais ativa dentro da escola. Na avaliação dele, esse modelo ajudava a aproximar os estudantes da prática esportiva, fortalecia vínculos e oferecia uma alternativa saudável fora do horário de aula.

“Hoje temos mais estrutura, mais espaços e mais condições do que no passado. O que precisamos discutir é como devolver esse movimento para dentro das escolas”, pontuou.

A fala toca em um ponto central. Maracaju avançou em equipamentos públicos e espaços destinados à prática esportiva. O município conta com escolas equipadas, quadras, Centro Olímpico e estruturas nos bairros. Mesmo assim, na avaliação do vereador, a existência desses espaços não basta se o esporte não estiver integrado à rotina educacional.

O alerta de Rener é direto: quando a escola perde força como porta de entrada para o esporte, crianças e adolescentes perdem uma oportunidade de desenvolvimento. E, no lugar da quadra, muitas vezes entra o excesso de tempo no celular.

Essa mudança de comportamento preocupa pais, educadores e gestores públicos em várias cidades. O avanço das telas na rotina infantil e adolescente não pode ser tratado apenas como escolha individual das famílias. Ele também revela falta de alternativas estruturadas, acessíveis e frequentes. Quando a criança não tem atividade, orientação, grupo, treino e rotina, a tela vira o caminho mais fácil.

Homem com cabelo grisalho falando ao microfone em frente a um púlpito de vidro, com bandeiras ao fundo.

É nesse ponto que o esporte escolar ganha peso estratégico.

Dentro da escola, o esporte não forma apenas atletas. Forma convivência. Ensina regra, limite, respeito, espera, frustração, cooperação e responsabilidade. Também ajuda a combater o sedentarismo, melhora a socialização e pode funcionar como proteção contra isolamento, ociosidade e perda de vínculo com a própria comunidade escolar.

Para Rener, a retomada dos treinamentos deve ser discutida de forma conjunta entre administração municipal, gestão educacional e Câmara Municipal. A ideia é construir alternativas para ampliar novamente as atividades esportivas nas creches e escolas, respeitando a realidade da rede, dos profissionais e da estrutura disponível.

A pauta também exige planejamento. Retomar treinamentos não significa apenas abrir a quadra. É preciso organizar horários, profissionais, modalidades, transporte quando necessário, calendário, segurança, acompanhamento dos alunos e integração com as escolas. Sem isso, a proposta corre o risco de virar ação pontual, e não política permanente.

O vereador defende que o município já possui condições melhores para avançar. O desafio, agora, é transformar estrutura em rotina. Quadra vazia não muda comportamento. Centro esportivo sem programa contínuo não alcança todos os alunos. Escola equipada sem treino no contraturno perde parte de seu potencial educativo.

A discussão também tem impacto social. Em muitos casos, é na escola que a criança tem o primeiro contato organizado com o esporte. Para famílias que não conseguem pagar escolinha, transporte ou atividade particular, o treinamento público representa acesso. E acesso, nessa área, pode fazer diferença na saúde, na autoestima e no futuro de muitos estudantes.

“Investir no esporte é investir em saúde, disciplina, convivência e futuro”, concluiu Rener.

A cobrança do vereador abre uma discussão que vai além da educação física. Trata-se de decidir que tipo de infância e adolescência o município quer estimular. Uma infância mais ativa, com convivência, movimento e pertencimento. Ou uma rotina cada vez mais parada, isolada e dependente das telas.

Maracaju tem estrutura. Tem demanda. Tem crianças e adolescentes que poderiam ocupar melhor esses espaços. O que falta, segundo Rener, é reorganizar a política esportiva escolar para que o esporte volte a ser presença constante dentro da rede municipal.

No fim, a pergunta que fica é simples: se o município já tem mais condições do que antes, por que o esporte não pode voltar a ter mais força na vida dos alunos?

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