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Vereadora questiona repasse para a Expobai, cobra prioridades e afirma que população tem relatado problemas na saúde e na infraestrutura da cidade.

Uma votação na Câmara Municipal de Amambai abriu uma discussão que ultrapassou o plenário e chegou às ruas e às redes sociais. O centro do debate é um projeto que autoriza a Prefeitura a firmar convênio com o Sindicato Rural para repasse de R$ 650 mil destinados à realização da Expobai.

A discussão ganhou força após a vereadora Thalita Escobar criticar a tramitação da proposta em regime de urgência especial e questionar o destino dos recursos. Em pronunciamento na tribuna e posteriormente em vídeos publicados nas redes sociais, a parlamentar afirmou não ver justificativa para que um projeto envolvendo mais de meio milhão de reais fosse votado em curto prazo.

O posicionamento rapidamente provocou reação de moradores. Segundo a vereadora, diversas mensagens começaram a chegar ao longo do dia, com questionamentos sobre o uso do dinheiro público diante de problemas enfrentados pela cidade.

Entre os relatos citados por ela aparecem reclamações relacionadas à saúde, buracos em vias públicas, crescimento de mato em algumas áreas, alagamentos durante períodos de chuva, demora em serviços públicos e dificuldades em atendimentos básicos.

Ao responder cobranças recebidas nas redes sociais, Thalita também procurou explicar o limite de atuação dos vereadores diante de projetos enviados pelo Executivo.

Segundo ela, quando a base do prefeito possui maioria no Legislativo, vereadores de oposição enfrentam dificuldades para alterar o resultado das votações.

Mulher de cabelo liso e longo, usando uma jaqueta clara, falando em um microfone em uma mesa de palestras.

“Nós, vereadores, temos a voz para brigar”, afirmou.

A parlamentar disse ainda que vereadores não possuem orçamento próprio para executar serviços, fornecer benefícios ou realizar obras diretamente, atribuição que cabe ao Executivo municipal.

Durante a manifestação, a vereadora voltou a comparar o investimento previsto para a Expobai com demandas da área da saúde, afirmando que a população enfrenta filas e dificuldades para acesso a exames e atendimentos.

“O lazer é importante, a cultura é importante, mas a saúde é urgente”, declarou.

A discussão, porém, vai além do valor do convênio e toca em uma questão recorrente em praticamente todas as cidades: onde o dinheiro público deve estar quando os recursos são limitados.

Defensores de eventos tradicionais argumentam que iniciativas como a Expobai movimentam a economia local, atraem visitantes, fortalecem o comércio e geram renda temporária para diversos setores. Do outro lado, cresce o entendimento de que problemas considerados essenciais pela população deveriam receber prioridade.

Mais do que uma discussão sobre uma festa, o episódio acabou se transformando em um debate sobre prioridades, poder de decisão e a percepção da população sobre a aplicação dos recursos públicos. Em Amambai, a pergunta que começou dentro da Câmara agora parece circular pela cidade inteira: o que deve vir primeiro?

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