Campo Grande (MS) — Ao completar 48 anos de criação, Mato Grosso do Sul celebra uma trajetória marcada por avanços expressivos em diversas áreas, mas poucos tão transformadores quanto a regionalização da saúde, implantada durante os dois mandatos do ex-governador Reinaldo Azambuja (2015–2022).
O projeto descentralizou atendimentos, modernizou hospitais e levou infraestrutura médica de ponta a regiões historicamente desassistidas, alterando o mapa da saúde pública no Estado.
Descentralização que virou modelo
Quando assumiu o governo em 2015, Reinaldo Azambuja enfrentou um sistema de saúde concentrado na Capital. A maior parte dos atendimentos de média e alta complexidade estava restrita a Campo Grande, o que forçava milhares de pacientes do interior a viajar centenas de quilômetros em busca de cirurgias, exames e consultas.
Com base em estudos técnicos e no diálogo com prefeitos e consórcios regionais, o governo elaborou uma estratégia ousada: fortalecer polos regionais com hospitais equipados, novas especialidades e equipes completas, reduzindo a dependência da rede campo-grandense.
Essa política pública ficou conhecida como Regionalização da Saúde e foi adotada como prioridade de gestão.
Hospitais regionais e obras estruturantes
Durante o período de 2015 a 2022, o Estado consolidou uma rede hospitalar moderna, com unidades estratégicas em diferentes regiões:
- Hospital Regional de Três Lagoas (Costa Leste) — referência em urgência e ortopedia;
- Hospital Regional de Ponta Porã — ampliado para atender a fronteira e fortalecer serviços materno-infantis;
- Hospital do Trauma (Campo Grande) — entregue para desafogar a Santa Casa e reforçar a estrutura de urgência e emergência;
- Hospital do Câncer Alfredo Abrão — recebeu investimentos e novos equipamentos para ampliar o tratamento oncológico;
- Hospital Regional de Dourados — teve obras aceleradas e passou a atender como polo de alta complexidade para o Cone-Sul.
Essas unidades integram a nova Rede Regional de Atenção à Saúde, criada para garantir que o cidadão tenha acesso a serviços de qualidade sem precisar sair da própria região.
Caravana da Saúde: 250 mil atendimentos pelo Estado
Complementando a estrutura fixa, o governo criou a Caravana da Saúde, uma iniciativa itinerante que percorreu todas as regiões de Mato Grosso do Sul levando atendimento médico, odontológico e oftalmológico.
De acordo com dados oficiais, o programa realizou mais de 250 mil atendimentos entre consultas, cirurgias e exames.
A ação teve impacto imediato: a sobrecarga na rede de saúde da Capital, que antes recebia 45% dos atendimentos do Estado, caiu para cerca de 9% ao final da gestão.
A Caravana também zerou filas históricas de procedimentos, como cirurgias de catarata, e devolveu a mobilidade e a visão a milhares de sul-mato-grossenses que aguardavam atendimento há anos.
Resultados e legado
Os números comprovam o efeito da regionalização. O tempo de espera por cirurgias eletivas caiu drasticamente, e os índices de internações por causas evitáveis também diminuíram.
Municípios que antes dependiam integralmente da Capital passaram a contar com atendimento hospitalar próximo e resolutivo, reduzindo custos de deslocamento e ampliando o acesso da população a tratamentos especializados.
Ao encerrar o segundo mandato, Reinaldo Azambuja destacou a regionalização como um divisor de águas para a saúde pública sul-mato-grossense.
“O que fizemos foi dar dignidade às pessoas. A saúde não pode ser privilégio da Capital. A regionalização é um caminho sem volta”, declarou o ex-governador à época.
Continuidade sob nova gestão
O modelo deixado por Azambuja serve hoje de base para a gestão atual do governador Eduardo Riedel, que promete ampliar o processo de descentralização com foco em tecnologia e eficiência.
Entre as metas estão a integração de sistemas hospitalares, o fortalecimento da telemedicina e a ampliação dos consórcios intermunicipais.
Um marco nos 48 anos de Mato Grosso do Sul
A regionalização da saúde representa mais do que uma política pública: é um símbolo de maturidade administrativa e de justiça social.
Ao completar 48 anos, Mato Grosso do Sul consolida um legado que demonstra a força de uma gestão voltada ao interior e à equidade entre regiões.
Série Especial – 48 Anos de Mato Grosso do Sul
🩺 Parte 1 – Regionalização da Saúde: o legado de Reinaldo Azambuja
