Em 11 de agosto de 2025, o agronegócio brasileiro mostrou por que é a locomotiva da economia nacional no 24º Congresso Brasileiro do Agronegócio (CBA), promovido pela ABAG em parceria com a B3. O tema “Agroalianças” não foi só palavra bonita — foi o fio condutor para debates profundos sobre como integrar produção, tecnologia, energia e mercado financeiro para garantir a competitividade do Brasil no cenário global.
A abertura com Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da ABAG, reforçou que o agro precisa de alianças estratégicas para superar desafios globais, destacando que “a conexão entre produtores, indústria, mercado financeiro e governo é o que garante nossa força e resiliência.” Gilson Finkelsztain, da B3, complementou afirmando que “o agro é peça-chave para os mercados de capitais, que devem ampliar o acesso a investimentos e crédito para o setor.”
Na palestra inaugural, Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da OMC, abordou o quadro internacional, ressaltando que “a segurança alimentar global enfrenta pressões geopolíticas inéditas, e o Brasil tem um papel central, desde que invista em cooperação e inovação para manter seu protagonismo.” Ele chamou atenção para o risco de fragmentação do comércio mundial e a necessidade de o agro brasileiro ser mais eficiente e conectado.
No Painel 1, mediado pelo jornalista William Waack, nomes como Alfredo Miguel (John Deere) e Gilberto Tomazoni (JBS) enfatizaram a importância da tecnologia para alavancar a produtividade. Alfredo Miguel falou em “digitalização e automação para tornar o campo mais eficiente e sustentável.” Tomazoni reforçou que “a inovação é essencial para reduzir impactos ambientais e garantir alimento para uma população crescente.” Larissa Wachholz (CEBRI) destacou o papel das políticas públicas em incentivar essas transformações, enquanto Márcio Santos (Bayer) afirmou que “o futuro do agro passa por biotecnologia e agricultura de precisão.”
O Painel 2 trouxe o lado financeiro. Bruno Gomes, da CVM, comentou que “instrumentos financeiros modernos são essenciais para viabilizar investimentos no agro.” Luiz Masagão, da B3, explicou que “a securitização de ativos rurais e a abertura de novos mercados de crédito privado são tendências que vão sustentar o crescimento.” Flavia Palacios, da ANBIMA, reforçou a necessidade de “governança robusta e transparência para atrair investidores.” Raphael Santana, do Sicoob, pontuou que “cooperativas são fundamentais para ampliar o acesso ao crédito em todo o país.”
A mesa final sobre transição energética teve voz de peso com Alexandre Parola, que destacou: “A transição para fontes renováveis é imperativa não só para o meio ambiente, mas para a competitividade internacional do agro brasileiro.” Luís Roberto Pogetti, da Copersucar, reforçou que “os biocombustíveis e o hidrogênio verde são apostas concretas para reduzir a pegada de carbono do setor.” Deputado Arnaldo Jardim falou sobre a importância da regulação clara e estável, enquanto Anelcindo Souza, da Corteva, ressaltou o papel da inovação tecnológica nesse processo.
As homenagens deixaram claro o reconhecimento pelo compromisso com a sustentabilidade e diplomacia. Izabella Teixeira recebeu o Prêmio Norman Borlaug por sua atuação na agenda ambiental e desenvolvimento sustentável, destacando que “só com integração entre meio ambiente e produção podemos garantir o futuro.” O embaixador Alexandre Parola foi reconhecido como Personalidade do Agronegócio 2025 pelo trabalho em fortalecer a presença internacional do setor, enfatizando que “diplomacia e agro precisam caminhar lado a lado.”
No fim das contas, o 24º Congresso da ABAG expôs o que todos sabem, mas poucos dizem tão claro: o agro brasileiro não tem espaço para individualismos. Se quiser seguir líder mundial, precisa trabalhar em alianças sólidas, que conectem produção, inovação, energia e capital — e fazer isso agora, porque o tempo para se adaptar está acabando.

