No coração do Brasil, entre pastagens extensas e desafios amazônicos, uma das instituições científicas mais importantes do agronegócio brasileiro celebra meio século de trajetória: a Embrapa Gado de Corte. Criada em 1975 e sediada em Campo Grande (MS), a unidade tornou-se símbolo da virada tecnológica na pecuária brasileira e peça-chave na transformação do Brasil em líder global na produção de carne bovina.
Ao longo de 50 anos, a unidade consolidou-se como referência em pesquisa, inovação e transferência de tecnologias voltadas à cadeia produtiva da carne. Mas não só: formou gerações de pesquisadores, influenciou políticas públicas, e hoje se projeta para o futuro com o compromisso de fazer da pecuária brasileira uma atividade cada vez mais sustentável, eficiente e respeitada no mundo.
A origem e a missão
A criação da Embrapa Gado de Corte faz parte de um projeto ambicioso iniciado pelo Governo Federal na década de 1970: criar uma empresa pública de pesquisa agropecuária que fosse, ao mesmo tempo, científica, prática e nacional em sua essência. Instalada estrategicamente em Campo Grande, a unidade rapidamente se tornou polo de excelência em estudos sobre nutrição, genética, sanidade animal, pastagens e sistemas de produção.
A missão era clara: impulsionar a pecuária tropical com base em ciência — e o desafio era imenso. A produtividade da carne brasileira era baixa, o rebanho pouco eficiente e as práticas ainda rudimentares em boa parte do território nacional. Foi nesse contexto que a Embrapa Gado de Corte entrou em campo com a proposta de entregar soluções concretas para o produtor, do pequeno ao grande.
Conquistas que mudaram o campo
Entre as tecnologias mais emblemáticas desenvolvidas pela unidade, estão o controle estratégico do carrapato, amplamente adotado em propriedades de todo o país; os protocolos de manejo nutricional baseados em pastagens de alta produtividade; e, mais recentemente, o calendário de manejo reprodutivo e sanitário, ferramenta que orienta o produtor durante todo o ano, de forma prática e eficiente.
Outra frente de destaque foi o desenvolvimento de metodologias para controle da mosca-dos-estábulos, vetor que causa perdas bilionárias à pecuária. A Embrapa também foi pioneira na integração de sistemas de produção, como o ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta), que alia eficiência produtiva com recuperação ambiental.
Além disso, programas de melhoramento genético, como os voltados à raça Nelore, e estudos sobre o impacto ambiental da bovinocultura transformaram a forma como o Brasil se posiciona no debate internacional sobre mudanças climáticas e segurança alimentar.
Reconhecimento e celebrações
A comemoração dos 50 anos da Embrapa Gado de Corte vem sendo marcada por uma série de eventos simbólicos e institucionais. Em março deste ano, foi realizada a Corrida do Agro, que reuniu cerca de 800 participantes no campus da unidade, em um gesto de integração entre ciência, esporte e solidariedade. Foram arrecadadas mais de 1,5 tonelada de alimentos destinados a instituições beneficentes da capital sul-mato-grossense.
Além disso, a Câmara Municipal de Campo Grande realizou sessão solene em homenagem à Embrapa, entregando a comenda “Afonso Nogueira Simões Corrêa” a pesquisadores e colaboradores. A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul também reconheceu a importância histórica da unidade com a concessão da Medalha do Mérito Guaicurus.
Em paralelo, foi lançada uma linha do tempo digital interativa, que reúne os marcos históricos da instituição, os chefes-gerais que lideraram a unidade e as tecnologias de maior impacto desde 1975. A página especial pode ser acessada no site oficial da Embrapa.
Impacto econômico e social
O legado da Embrapa Gado de Corte pode ser medido em números. De acordo com dados do próprio órgão, as tecnologias desenvolvidas pela unidade estão presentes em mais de 60% das propriedades de corte do Brasil. A adoção de práticas recomendadas pela Embrapa contribuiu para o aumento de mais de 300% na produtividade da carne nas últimas quatro décadas.
Estudos indicam que cada real investido em pesquisa agropecuária retorna entre 10 e 15 reais para a economia. No caso da pecuária, esse impacto é visível: maior renda para o produtor, mais segurança alimentar para o consumidor e melhor posicionamento do país nas exportações globais.
Mas não se trata apenas de mercado. A presença da Embrapa em Campo Grande gerou uma cadeia de conhecimento, emprego e inovação que fortalece a capital sul-mato-grossense como um dos principais centros de excelência agropecuária da América Latina.
O futuro da pecuária passa por aqui
Os próximos anos da Embrapa Gado de Corte prometem ser ainda mais desafiadores — e estratégicos. A unidade investe em pesquisas com foco em baixo carbono, bem-estar animal, digitalização do campo, genômica bovina e inteligência artificial aplicada à pecuária de precisão.
“Nosso compromisso continua sendo com o produtor, com a sociedade e com o planeta. Estamos em um momento de transição, e a ciência precisa ser o elo entre tradição e inovação”, afirmou em nota o chefe-geral da unidade, Cláudio Haddad.
Diante de um mundo que exige alimentos mais sustentáveis e rastreáveis, a Embrapa Gado de Corte se coloca como peça-chave para garantir que o Brasil continue sendo não apenas um celeiro do mundo, mas um exemplo de como produzir com responsabilidade.
Série especial estreia na TV Educativa
Como parte das homenagens ao cinquentenário, a TV Educativa de Mato Grosso do Sul, por meio do Programa Agroeducativa, estreia no próximo domingo uma série especial de reportagens dedicadas à história, à contribuição e ao futuro da Embrapa Gado de Corte. A produção foi gravada em Campo Grande e traz entrevistas, bastidores das pesquisas e depoimentos de quem vive a pecuária dentro e fora dos laboratórios.
A série será exibida todos os domingos às 9h30, com reprise às terças, às 17h, no canal 4.1 para todo o estado. Em nível nacional, poderá ser assistida pela TV Brasil e, internacionalmente, por mais de 120 países através da parceria com a EBC Internacional.
Uma oportunidade única de conhecer, em detalhes, como a ciência brasileira está transformando o campo há meio século — e preparando o Brasil para os próximos 50 anos.
