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Complexo inaugurado com apoio do Governo de Mato Grosso do Sul aposta em inovação, startups e qualificação para transformar a economia regional.

Ponta Porã ganhou nesta sexta-feira, 13 de março, um empreendimento que tenta reposicionar a fronteira no mapa da inovação. O governador Eduardo Riedel participou da inauguração do Parque Tecnológico Internacional de Ponta Porã, o PTIn, e do Centro Internacional de Inovação e Empreendedorismo, o CEIMPP, em uma agenda tratada pelo governo e pela prefeitura como marco para geração de empregos, qualificação profissional e atração de novos negócios na região.

O projeto não nasceu agora. O PTIn foi idealizado ainda em 2011 e, já em 2018, aparecia em registros da Sudeco como o primeiro parque tecnológico do Centro-Oeste brasileiro, pensado para integrar ciência, tecnologia, pesquisa, formação profissional e desenvolvimento socioeconômico em uma área estratégica de fronteira. O que estava no papel há mais de uma década agora ganhou endereço, estrutura física e operação inicial.

A escolha de Ponta Porã não é casual. A cidade vive uma condição rara no país: está colada a Pedro Juan Caballero, no Paraguai, formando uma fronteira seca em que circulação de pessoas, comércio e cultura acontece todos os dias. É exatamente essa posição binacional que dá ao parque seu principal ativo político e econômico. O discurso oficial fala em “indústria do conhecimento”. Traduzindo: a aposta é usar tecnologia, inovação e empreendedorismo para diversificar a economia local e criar empregos mais qualificados na fronteira.

O que existe de concreto no parque tecnológico

O PTIn foi entregue com uma estrutura de dois pavimentos e 1.600 metros quadrados, instalada na Avenida Brasil, em frente ao Parque dos Ervais. O segundo piso abriga o núcleo do parque tecnológico, com laboratórios, coworking, incubadoras, salas para empresas residentes e startups. No desenho operacional divulgado, há seis espaços voltados à incubação e aceleração de negócios inovadores.

A estrutura também inclui auditório para até 125 pessoas, sala de audiovisual para produção de conteúdo, entrevistas e podcasts, além de ambientes de convivência e salas multifuncionais para oficinas, capacitações e eventos estratégicos. Não é detalhe. Um parque tecnológico sem espaço para formação, networking e produção de conteúdo vira prédio vazio. O desenho do PTIn tenta justamente evitar isso.

Outro ponto relevante é o modelo de entrada das empresas. Segundo a Semadesc, empresas de tecnologia poderão receber suporte inicial sem custo até ganharem condições de entrar no mercado. É um formato importante porque reduz a barreira de entrada para startups e projetos ainda em fase inicial, algo decisivo numa região em que o ecossistema de inovação ainda está em consolidação.

CEIMPP amplia a aposta para qualificação e inclusão

No primeiro pavimento funciona o CEIMPP, que amplia o alcance social do projeto. O espaço reúne cozinha-escola, loja criativa, salas de cursos profissionalizantes, sala multifuncional de capacitação e áreas administrativas. No site institucional da prefeitura, o CEIMPP é apresentado como eixo de inclusão produtiva, formação de mão de obra e incubação de negócios criativos, com prioridade para pessoas em situação de vulnerabilidade econômica e social.

Os programas previstos mostram que a proposta vai além de startup no sentido clássico. Há trilhas para audiovisual, moda, gastronomia, artesanato, design, marketing digital, produção cultural e tecnologia aplicada à economia criativa. Em outras palavras, Ponta Porã tenta construir um modelo híbrido: inovação de base tecnológica de um lado, e inclusão produtiva pela criatividade e pela qualificação profissional do outro.

Essa combinação faz sentido para a realidade da fronteira. Nem toda transformação econômica virá de empresa de software. Parte dela virá da profissionalização de talentos locais, da criação de pequenos negócios e da conexão entre cultura, serviços e tecnologia.

Quanto o Estado colocou no projeto

O Governo de Mato Grosso do Sul informou que destinou R$ 1,7 milhão para a estruturação e operação do novo ecossistema, por meio de convênio entre a Fundect e a Prefeitura de Ponta Porã. Além disso, a prefeitura e o governo citam participação de recursos federais e emendas parlamentares da bancada de Mato Grosso do Sul para viabilizar o empreendimento.

Na prática, esse dado tem peso político. O parque não é só uma obra municipal. Ele foi construído como vitrine de parceria entre prefeitura, governo estadual, bancada federal e instituições de apoio à inovação. Por isso, o sucesso ou o fracasso da iniciativa também será lido como teste de capacidade de execução desse arranjo.

O que diferencia o PTIn de outros projetos

O parque foi estruturado com apoio técnico da Fundação CERTI, entidade com experiência em implantação de ambientes de inovação no país. Segundo a prefeitura, a CERTI ajudou a desenhar planejamento estratégico, modelo de negócios, governança e operação inicial, com foco em sustentabilidade do ecossistema e integração binacional.

Esse ponto importa porque muitos parques tecnológicos no Brasil tropeçam na fase mais difícil: a que vem depois da inauguração. Construir prédio é uma etapa. Fazer o ambiente funcionar, atrair empresas, manter agenda, formar talentos e gerar negócios é outra completamente diferente. O PTIn tenta nascer com essa preocupação mais amadurecida.

A inspiração declarada no Parque Tecnológico Itaipu, em Foz do Iguaçu, também ajuda a entender o projeto. A lógica é semelhante: transformar uma região de fronteira em plataforma de inovação, cooperação internacional e desenvolvimento regional.

O que o parque pode mudar em Ponta Porã

A promessa oficial é ampla: mais empregos, atração de investimentos, estímulo a startups, cooperação entre universidades, empresas e centros de pesquisa, além de qualificação de jovens e fortalecimento do ambiente de negócios. Tudo isso aparece no discurso institucional.

Mas o que realmente pode mudar?

Primeiro, o parque pode dar a Ponta Porã uma agenda econômica menos dependente apenas do comércio tradicional e da dinâmica imediata da fronteira. Segundo, pode ajudar a reter talentos locais que normalmente saem em busca de oportunidade em outros centros. Terceiro, pode abrir espaço para uma economia mais sofisticada, com empregos ligados a tecnologia, serviços especializados, audiovisual, design, incubação de empresas e projetos aplicados ao agro e à indústria. Essa leitura é uma inferência baseada na estrutura apresentada, nos programas anunciados e no posicionamento oficial do projeto.

Por que isso importa para Mato Grosso do Sul

Para Mato Grosso do Sul, o PTIn tem valor estratégico porque coloca a fronteira numa conversa que normalmente fica concentrada em capitais e grandes centros. Em vez de tratar Ponta Porã apenas como faixa territorial de circulação comercial, o projeto tenta enquadrar a cidade como polo de conhecimento, empreendedorismo e integração regional.

Esse movimento conversa com uma disputa maior. Estados que quiserem crescer melhor nos próximos anos não vão depender apenas de infraestrutura física. Vão depender também de capacidade de formar gente, incubar negócios, gerar tecnologia e conectar pesquisa com mercado.

No papel, o Parque Tecnológico Internacional de Ponta Porã responde exatamente a esse desafio. Agora começa a fase que realmente importa: provar que a fronteira pode produzir não só circulação de mercadorias, mas também inovação, emprego qualificado e novas oportunidades de desenvolvimento.

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By Notas e Notícias MS | Redação

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